domingo, 18 de janeiro de 2026

“Affordability”‘: como o custo de vida pode decidir a próxima eleição no Brasil


      Consumidora faz as contas no mercado. Foto: Reprodução/ Food Storage Moms

O aumento do custo de vida, sintetizado no conceito de “affordability”, vem ganhando peso decisivo em eleições nos Estados Unidos e na Europa e pode entrar com força no debate eleitoral brasileiro em 2026. Analistas ouvidos pelo g1 avaliam que a percepção de que a renda já não cobre despesas básicas passou a orientar o voto em democracias afetadas pela inflação do pós-pandemia.

O termo “affordability” se refere à capacidade real das pessoas de custear bens e serviços do dia a dia. O professor de Ciência Política da UnB, Carlos Oliveira, explica que se trata do impacto direto do bolso na decisão eleitoral. “Em palavras mais diretas, é o impacto do custo de vida sobre a decisão de voto”, afirmou, citando a máxima atribuída à campanha de Bill Clinton em 1992: “É a economia, estúpido”.

Nos Estados Unidos, o conceito foi central em vitórias democratas recentes. O analista da FGV Leonardo Paz lembra que o choque inflacionário teve efeito mais intenso em países acostumados a índices baixos. “Quando você pega uma inflação que chega a 8% ao ano, você sente, em dois anos seguidos. A pessoa sente que está conseguindo comprar menos”, disse. Em Nova York e Nova Jersey, campanhas vitoriosas apostaram em temas como aluguel, energia e serviços públicos.

Especialistas avaliam que o Brasil vive um cenário parecido. Pesquisa Quaest mostra que 61% dos brasileiros acreditam conseguir comprar menos hoje do que há um ano. Para Leonardo Paz, o tema é inevitável. “Eu posso garantir com 100% certeza que esse tema vai ser importante, porque custo de vida é um tema importante de todo país em desenvolvimento”, afirmou. Segundo ele, a classe média tende a sentir mais o impacto da inflação.

Eleitora registra voto em urna eletrônica durante eleição no Brasil. Foto: Reprodução
No embate político, o custo de vida pode favorecer tanto governo quanto oposição. Carlos Oliveira avalia que “se o custo de vida estiver baixo, sem dúvida, ‘affordability’ é um tema de quem busca reeleição”. Caso contrário, torna-se munição da oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, liderada pelo campo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar do peso econômico, a segurança pública segue como fator central no Brasil. Carlos Oliveira pondera que emoções contam muito na escolha do voto. “É difícil convencer as pessoas de que a segurança vai bem se elas estão com medo”, afirmou. Para ele, a eleição de 2026 dependerá de quem conseguir colocar na cabeça do eleitor o tema dominante: “tudo vai depender da capacidade de a esquerda ou direita colocar um (custo de vida) ou outro (segurança) tema na cabeça dos eleitores”.

Fonte: DCM com informações do G1

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