Perfil apócrifo pagou para direcionar conteúdo a eleitores de 18 a 65 anos no estado de São Paulo
A Justiça Eleitoral determinou a retirada do Facebook de três publicações impulsionadas por um perfil apócrifo com ataques a Fernando Haddad (PT), então candidato ao governo de São Paulo. Os anúncios pagos foram direcionados especificamente a usuários de 18 a 65 anos localizados no estado.
Segundo a coluna do jornalista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, a decisão foi tomada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). A juíza auxiliar Cláudia Fonseca Fanucchi concedeu tutela antecipada e determinou, em caráter liminar, tanto a interrupção do impulsionamento quanto a retirada das três publicações.
A decisão foi proferida em 7 de outubro. O Facebook foi intimado em 11 de outubro a cumpri-la imediatamente. No dia seguinte, as campanhas já apareciam como suspensas na Biblioteca de Anúncios da Meta. O perfil responsável pelas publicações, denominado “Plantão Brasil 24h”, que reunia cerca de 3 mil seguidores, também aparentava ter sido retirado do ar.
☉ Anúncios miravam eleitores de São Paulo
Dados da Meta citados pela reportagem indicavam que as campanhas chegaram a consumir R$ 216. A segmentação estabelecida para os anúncios abrangia pessoas de 18 a 65 anos no estado de São Paulo.
Em um dos vídeos impulsionados, um apresentador afirmava que “Taxad ataca de novo” e que “o governo vai aumentar ainda mais os nossos impostos”. Outra publicação utilizava um vídeo produzido pelo G1 que apresentava memes relacionando Haddad ao aumento de impostos.
☉ Federação apontou uso de “dark posts”
A Federação Brasil da Esperança, integrada por PT, PCdoB e PV, acionou a Justiça Eleitoral e sustentou que as publicações se caracterizavam como “dark posts”.
De acordo com a argumentação apresentada pela federação, os conteúdos haviam sido contratados exclusivamente para circular como anúncios pagos e eram entregues diretamente ao feed de usuários selecionados por meio da segmentação de público.
As peças também tinham validade temporária e não permaneciam necessariamente no histórico do perfil responsável pela contratação. Para a federação, essas características reforçam o propósito de influenciar a disputa eleitoral e dificultam tanto a fiscalização quanto a atuação da Justiça Eleitoral.
☉ TRE-SP manda preservar dados das publicações
Além de interromper o impulsionamento e determinar a retirada dos conteúdos, o TRE-SP ordenou que as três publicações fossem preservadas integralmente.
A medida permitiria a análise de informações relacionadas à circulação dos anúncios, incluindo alcance, impressões, engajamento, compartilhamentos, republicações, comentários e curtidas.
Fonte: Brasil 247 com informações da coluna do jornalista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles
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