quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Produtora de “Dark Horse” recorre a Mendonça para travar inquérito em SP


     Karina Ferreira da Gama, empresária e dona da produtora Go Up Entertainment. Foto: Reprodução

A empresária Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, recorreu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo que ele suspenda uma investigação conduzida em São Paulo e leve o caso para a relatoria do magistrado. A petição trata de apurações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Indicado por Bolsonaro, Mendonça tem tomado decisões a favor da extrema-direita na Corte e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro também é suspeito de consentir com os vazamentos contra Fábio Luis, filho do presidente Lula.

O empresário que recebeu da mídia o apelido de Lulinha é investigado por supostamente usar sua influência no governo para vender um projeto de lei sobre canabdiol que benefeciaria suas empresas. Ainda que sem provas, diversas conversas de Fábio com sócios foram vazadas do gabinete de Mendonça. Na contramão, informações sobre o relacionamento de Flávio Bolsonaro com Vorcaro, também do escritório do magistrado, seguem em sigilo absoluto, em que o inquérito parece estar parado.

Os advogados de Karina protocolaram o pedido às 20h53 de quarta-feira (26). A defesa sustenta que a investigação paulista invade a competência do STF porque Mendonça já conduz o Inquérito nº 5.070/DF, que analisa fatos ligados ao longa.

O inquérito aberto em São Paulo começou a partir de um contrato entre o Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada a Karina, e a Prefeitura de São Paulo. O acordo previa a instalação de 5 mil pontos de internet na capital paulista.

Na petição, a defesa afirma que a apuração de primeiro grau tem como “verdadeiro objeto” o uso de recursos do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento de “Dark Horse”. Os advogados alegam que esse ponto já está sob análise do Supremo e também se conecta ao Inquérito nº 5.026/DF, igualmente relatado por Mendonça.

Karina Gama e Mário Frias. Foto: reprodução

Defesa contesta desmembramento envolvendo Mário Frias

Karina também questiona o desmembramento da investigação pela Polícia Civil de São Paulo. Segundo a defesa, o procedimento deveria ficar integralmente sob análise do STF diante de indícios que envolvem o deputado federal Mário Frias (PL-SP).

O delegado responsável justificou o desmembramento ao apontar que as condutas atribuídas a Frias não integrariam o objeto específico da investigação paulista, delimitada ao processo administrativo de contratação e à execução do contrato de conectividade.

Os advogados discordam e argumentam que apenas o Supremo pode decidir sobre a separação de apurações quando há um parlamentar federal e pessoas sem foro por prerrogativa de função entre os investigados. Para a defesa, a autoridade policial não poderia manter parte do caso em sua atribuição por decisão própria.

Ao final, Karina pede a “imediata suspensão do Inquérito Policial e de todas as medidas investigativas conexas ou incidentais” que corram fora da jurisdição do STF. Mário Frias e o delegado responsável pela apuração foram procurados e ainda não haviam se manifestado.

Fonte: DCM

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