segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Nunes Marques reúne embaixadores no TSE para defender urnas eletrônicas e combater desinformação nas eleições

 Encontro com cerca de cem representantes diplomáticos foca na segurança do sistema eleitoral e no enfrentamento às manipulações digitais

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques  -  Crédito: Antonio Augusto/TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, comanda nesta segunda-feira (17) uma reunião estratégica com cerca de cem representantes de embaixadas no Brasil para reiterar a total confiabilidade das urnas eletrônicas e detalhar as diretrizes de combate ao uso indevido de inteligência artificial (IA) no pleito, segundo reportagem do jornal O Globo. Entre os presentes confirmados pela Corte eleitoral, destaca-se a representação diplomática dos Estados Unidos. Como o país norte-americano se encontra sem embaixador no Brasil, o posto está sob a chefia da encarregada de negócios interina, a diplomata Kimberly Kelli, embora o TSE ainda não tenha especificado se a diplomata comparecerá presencialmente.


O movimento da Corte reflete um esforço continuado de reafirmação das instituições democráticas brasileiras. Durante o encontro, a expectativa é que Nunes Marques reforce a defesa do sistema eletrônico de votação, repetindo o posicionamento adotado em junho durante um painel com 25 diplomatas estrangeiros. Aquela manifestação ocorreu no mesmo ciclo de debates em que o candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), utilizou dados falsos para atacar as urnas eletrônicas, gerando uma reação imediata do TSE, que enfatizou publicamente ser a urna eletrônica um “patrimônio do povo brasileiro”.

Além de blindar a arquitetura eleitoral contra ataques narrativos, o presidente do TSE apresentará aos representantes internacionais os planos de contingência da Justiça Eleitoral para conter os disparos em massa de desinformação e a utilização de conteúdos sintéticos, como as deepfakes. Nos próximos dias, o tribunal deve fixar um precedente determinante sobre a aplicação das resoluções que vedam o uso de deepfakes em campanhas ao julgar um caso emblemático: um vídeo gerado por inteligência artificial em que uma simulação de Jair Bolsonaro (PL) declara apoio formal à candidatura de seu filho.

A convocação da reunião desta segunda-feira ocorre após desdobramentos diplomáticos recentes entre os governos de Brasil e Estados Unidos. A área internacional do TSE havia sido procurada pela Embaixada norte-americana para organizar a visita de uma comitiva de integrantes do governo dos EUA, audiência que acabou não sendo realizada em virtude do recesso do Judiciário. Dias antes desse episódio, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) havia negado o visto de entrada a dois funcionários do governo americano sob a justificativa oficial de tratar sobre liberdade de expressão no contexto eleitoral — decisão fundamentada em avaliações internas que consideraram o momento sensível e simultâneo aos questionamentos feitos por Flávio Bolsonaro ao sistema eleitoral.

Paralelamente às tratativas com o corpo diplomático e às pautas sobre IA, o TSE iniciou uma rodada de conversas focada na organização das Missões de Observação Eleitoral (MOEs) internacionais para as Eleições Gerais de 2026. A rede de monitoramento contará com a participação formal da Organização dos Estados Americanos (OEA), da União Europeia (UE), do Parlamento do Mercosul (Parlasul), da União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore), da Liga dos Estados Árabes e da Rede dos Órgãos Jurisdicionais de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Rojae-CPLP).

O engajamento internacional no tribunal vem se intensificando ao longo dos últimos dias. Na última semana, representantes diplomáticos de Cuba, dos Estados Unidos, da União Europeia e da Organização das Nações Unidas (ONU) estiveram na sede do TSE em Brasília para alinhar os detalhes da observação. A reunião com a equipe diplomática norte-americana ocorreu especificamente na quinta-feira (13), contando com a presença do conselheiro político adjunto, Ray R. Sudweeks, do primeiro-secretário, Sean R. Smith, e da especialista política Daniela Mota.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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