quarta-feira, 26 de agosto de 2026

“Não foi um relato”: Caiado é desmentido ao vivo no JN ao passar pano para plano golpista


O candidato a presidência, Ronaldo Caiado (PSD), em sabatina pelo Jornal Nacional. Foto: Reprodução/TV Globo

Ronaldo Caiado (PSD) acumulou momentos de tensão, correções e respostas evasivas durante a entrevista da TV Globo com candidatos à Presidência nesta terça-feira (25). Um dos episódios de maior repercussão ocorreu quando o ex-governador de Goiás tentou relativizar as informações sobre o plano elaborado por integrantes da trama golpista para matar o presidente Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes e acabou corrigido ao vivo por Renata Vasconcellos.

Ao ser confrontado com o caso enquanto defendia uma anistia ampla aos condenados pela tentativa de golpe, Caiado respondeu: “Isso é um relato”. Renata interrompeu imediatamente: “Não foi um relato”. O material mencionado pela jornalista integra a investigação da Polícia Federal sobre o plano Punhal Verde e Amarelo e inclui documentos e mensagens examinados nas apurações sobre a tentativa de impedir a posse do governo eleito em 2022.

A defesa da anistia também levou Caiado a outra afirmação incorreta. O candidato disse que o Supremo Tribunal Federal havia concedido a Lula algo semelhante a uma anistia ao anular suas condenações na Lava Jato. Lula não foi anistiado. O STF anulou as condenações em 2021 após concluir que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos. Caiado usou a comparação para sustentar que pretende encaminhar ao Congresso um perdão “amplo e geral” que inclua Jair Bolsonaro.

Outro momento de confronto ocorreu quando Caiado citou a anistia concedida por Juscelino Kubitschek aos participantes das revoltas de Jacareacanga e Aragarças como exemplo de pacificação. Renata lembrou que parte dos militares beneficiados posteriormente participou ou apoiou o golpe de 1964. O candidato não respondeu ao contraponto e retomou a defesa de sua proposta de anistia.

A dificuldade em responder de maneira direta reapareceu no bloco econômico. Questionado sobre medidas de ajuste fiscal, crédito e eventual mudança na idade de aposentadoria, Caiado evitou detalhar o que faria. “Não tenho condição de detalhar minúcias”, afirmou. Ele concentrou a resposta na proposta de limitar o crescimento das despesas a uma parcela da expansão do PIB por meio de uma emenda constitucional, sem responder diretamente às questões sobre Previdência.


A dinâmica da entrevista também chamou atenção. Levantamento publicado pelo Terra contabilizou cerca de 40 interrupções ou tentativas de interrupção durante os aproximadamente 40 minutos da sabatina. Em diferentes momentos, Renata Vasconcellos e César Tralli tentaram retomar perguntas enquanto Caiado prolongava as respostas. Nas redes sociais, usuários criticaram o candidato por falar sobre os entrevistadores, evitar questões e recorrer repetidamente a ataques a Lula.

A sabatina ocorre num momento em que Caiado tenta ganhar espaço entre Lula e Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. A estratégia do candidato combina ataques ao PT, defesa da anistia aos golpistas e tentativas de se apresentar como uma alternativa ao candidato do PL. No Datafolha mais recente, Caiado aparece com 5% das intenções de voto, contra 39% de Lula e 33% de Flávio.

Fonte: DCM

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