O motorista da campanha de Fernando Haddad (PT) relatou em mensagens de WhatsApp ao advogado Hélio Silveira que uma viatura da Polícia Militar o teria seguido depois de deixar o petista em casa, no Planalto Paulista, zona sul de São Paulo. “Fui seguido por uma viatura da PM”, escreveu o profissional às 22h41 de terça-feira (11).
O relato ocorreu cerca de uma hora após o motorista informar ao advogado que havia chegado em casa e que estava tudo certo. Haddad havia participado de uma aula magna na Faculdade de Direito da USP antes de voltar para a residência acompanhado pelo funcionário.
Nas mensagens, o motorista disse que policiais apontaram uma lanterna para o carro quando Haddad ainda estava dentro do veículo. “Até aí o chefe estava junto”, afirmou, ao se referir ao ex-ministro da Fazenda.
Depois de deixar o endereço, ele afirmou ter visto uma viatura parada no acostamento da Avenida 23 de Maio e disse que o veículo policial o acompanhou até um posto de gasolina. O motorista contou que entrou no estacionamento de um hotel para tentar despistar os agentes e permaneceu no local à espera da saída da viatura.
Imagens e relatos apresentam versões diferentes sobre a viatura
Às 22h46, o motorista escreveu que iria questionar os policiais sobre o que estaria ocorrendo. Dezessete minutos depois, enviou uma nova mensagem ao advogado: “Mano, que medo”. Ele sustentou que os agentes carregavam fuzis e teriam mandado que ele “vazasse” após o questionamento.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo divulgou imagens de uma câmera próxima ao hotel que mostram o carro do motorista estacionado às 21h58. Às 22h24, uma viatura passa lentamente pelo local sem parar, conforme a cronologia apresentada pela pasta; dois minutos depois, o carro deixa a área.
O motorista contestou a leitura da SSP e manteve a versão de que a viatura estacionou alguns metros adiante. As imagens divulgadas pela secretaria não registram o momento em que ele afirma ter descido do carro para falar com os policiais, e os horários do vídeo não coincidem com os das mensagens enviadas pelo WhatsApp.
A SSP declarou ter analisado imagens de 70 câmeras e informou que não encontrou indícios de abordagem, interação com Haddad ou procedimento irregular dos policiais. A pasta disse que a presença de viaturas em uma região não caracteriza, por si só, acompanhamento ou perseguição e afirmou que poderá abrir inquérito caso identifique irregularidades.
Na sexta-feira (14), repórteres que buscavam gravações de comércios próximos ao hotel foram questionados por um homem e uma mulher que disseram ser policiais. A SSP informou que verificaria as circunstâncias do episódio e a identificação das pessoas mencionadas.
Fonte: DCM
Nenhum comentário:
Postar um comentário