Ato em São Bernardo deve explorar soberania nacional, biografia sindical e imagem de defensor dos trabalhadores
O presidente Lula (PT) dará início neste domingo (16), em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, à sétima campanha presidencial de sua trajetória, com a tentativa de combinar memória política, defesa da soberania nacional e uma aproximação mais direta com o eleitorado jovem.
As informações são da Folha de S.Paulo. Segundo a reportagem, o evento será realizado no estádio da Vila Euclides, local simbólico para Lula por ter sido palco de greves de metalúrgicos durante a ditadura militar e marco de sua projeção nacional como liderança sindical.
A campanha adotará o lema “O Brasil pronto para mais”. A estratégia petista é sustentar que o governo foi recebido em situação de “terra arrasada” após a gestão de Jair Bolsonaro, que a administração federal foi reorganizada e que uma reeleição permitiria avanços mais consistentes no país.
A presença da primeira-dama Janja Lula da Silva também deve ganhar destaque no ato. Ela deverá discursar semanas depois de Lula demonstrar incômodo com a ausência de mulheres entre os oradores da convenção do PT. Na ocasião, apenas homens haviam sido escalados para falar, e o presidente quebrou o protocolo ao pedir uma fala de Janja.
Aliados esperam reunir entre 20 mil e 30 mil pessoas em São Bernardo. Caravanas de outros estados foram organizadas para reduzir o risco de o estádio não ficar cheio. A escolha da Vila Euclides busca associar a atual campanha à trajetória sindical de Lula e reforçar a imagem de que, quase cinco décadas depois das greves, ele continua vinculado à pauta dos trabalhadores.
A equipe petista pretende usar imagens do evento na propaganda eleitoral. O plano inclui recuperar registros históricos das greves comandadas por Lula no mesmo estádio e tentar reproduzir fotografias feitas naquele período. A campanha quer dar carga emocional ao lançamento, com uso de imagens de arquivo no telão.
O discurso de Lula deve abordar nove eixos principais. Entre eles está a defesa da soberania nacional, tema que ganhou peso no planejamento petista diante do tarifaço e de tentativas de interferência dos Estados Unidos na política brasileira. Integrantes da campanha avaliam que o assunto pode atingir Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e principal adversário de Lula na disputa deste ano, pela proximidade da família Bolsonaro com Donald Trump.
Outro foco será o eleitorado jovem. Pesquisas qualitativas vistas pela campanha indicaram que parte desse público enxerga Lula como um político tradicional, associado ao chamado “sistema”. Para enfrentar essa percepção, o presidente pretende recontar sua trajetória anterior à chegada ao Planalto, em 2003, destacando o período de liderança sindical e os primeiros anos do PT.
A ideia é apresentar ao eleitor mais novo a imagem de um Lula rebelde e antissistema no início de sua carreira política, além de reforçar que ele se manteve, ao longo de 50 anos, no mesmo campo de defesa dos trabalhadores.
Lula também deve falar aos eleitores idosos. Esse grupo cresce de forma contínua desde a eleição presidencial de 2010. A avaliação interna é que o petista tem boa entrada nesse segmento, mas precisa mobilizá-lo com temas fortes, já que parte da população com mais de 60 anos pode enfrentar dificuldades de deslocamento para votar.
Saúde e educação devem aparecer no discurso como áreas em que os governos petistas afirmam ter produzido avanços, mas que ainda exigem melhorias. A campanha tentará equilibrar prestação de contas com uma mensagem de futuro.
Apesar da preparação, integrantes do PT não descartam que Lula abandone o texto pronto e fale de improviso, como já fez na convenção petista e em outros momentos de sua carreira. A equipe também busca evitar que o evento se prolongue excessivamente, como ocorreu na convenção do partido, quando o presidente discursou por mais de uma hora e parte da plateia deixou o local antes do fim da fala.
Além de Lula e Janja, estão previstos discursos do vice-presidente Geraldo Alckmin e de Fernando Haddad, candidato petista ao governo de São Paulo. A participação de Janja contraria a expectativa de setores do PT que defendiam uma atuação mais discreta da primeira-dama nesta campanha em comparação com 2022. Ela tem atuado como porta-voz do presidente em temas como combate à violência contra a mulher e mantém influência na área cultural.
A disputa se anuncia apertada. Levantamento Quaest divulgado na sexta-feira (14) mostra Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em um eventual segundo turno. O petista aparece com 43%, contra 40% do bolsonarista, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Lula disputou a Presidência em 1989, 1994 e 1998, quando foi derrotado. Venceu as eleições de 2002, 2006 e 2022. Em 2018, chegou a registrar candidatura, mas foi barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral por estar preso e não fez campanha.
Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo
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