sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Estreia no rádio: Tarcísio destaca ‘fim’ da Cracolândia e Haddad exibe marcas de suas gestões

Programa de estreia da propaganda gratuita em São Paulo traz embate de propostas, estratégia para o Centro e resgate de programas sociais

Tarcísio de Freitas mantém a liderança com 40%, mas distância para Fernando Haddad, com 27%, recua de 15 para 13 pontos na pesquisa Quaest  -  Crédito: Douglas Gomes/Republicanos | Diogo Zacarias

Teve início nesta sexta-feira (28) a propaganda eleitoral gratuita do pleito de 2026 nas emissoras de rádio, marcando o pontapé inicial das campanhas no ar em São Paulo. No primeiro programa, o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, focou sua mensagem na suposta desarticulação da Cracolândia e em benfeitorias na região Central da capital paulista. Já o ex-ministro Fernando Haddad (PT) destacou seu legado à frente das pastas da Educação e da Fazenda, além de exibir o apoio direto e elogios do presidente Lula (PT).


O programa do candidato do Republicanos, que detém o maior tempo de exposição (6 minutos e 20 segundos), abriu com o jingle oficial que enfatiza “obra para todo lado”. Na sequência, Tarcísio de Freitas usou a palavra para se definir como um gestor focado em “deixar legado” e reforçou o lema “coragem para fazer o impossível”. Durante a inserção, o governador deu destaque central à segurança pública e à revitalização da área central da capital.

“São Paulo não é apenas um estado, é um país dentro do Brasil. Vim para trabalhar, deixar legado, uma locomotiva deste tamanho exige um condutor com pés no chão. Alguém disse uma vez que, não sabendo que era impossível, foi lá e fez. E no nosso governo, a gente resolveu não acreditar que alguma coisa fosse impossível. É possível acabar com a Cracolândia depois de 30 anos? Era. É possível dar tratamento para as pessoas, para os dependentes químicos? É. Hoje a Cracolândia não existe mais, a vida está voltando para o centro de São Paulo”, declarou Tarcísio na propaganda.

A estratégia de priorizar o Centro da capital dialoga com o início das agendas de rua do candidato, que realizou uma caminhada na Rua General Osório, local próximo à antiga concentração de dependentes químicos. O foco na região busca ampliar sua votação no Centro expandido, área onde forças de esquerda historicamente apresentam bom desempenho eleitoral.

Tarcísio afirmou ainda esperar “uma campanha leve, sem baixaria” e manifestou compromisso com “mulheres, jovens e com cada paulista”. A peça eleitoral do governador omitiu menções a Flávio Bolsonaro (PL) e incluiu, ao final, um aviso educativo ressaltando seu número de urna, acompanhado do alerta de que “nesta eleição, não pode errar”. O reforço pedagogico visa evitar a dispersão de votos ocorrida em 2022, quando 521 mil eleitores digitaram o número do PL para o governo paulista, confundindo-o com a legenda de Jair Bolsonaro.

Em contraponto, o programa de Fernando Haddad (PT), que dispõe de 2 minutos e 39 segundos, iniciou com críticas diretas à atual gestão do Palácio dos Bandeirantes. Na abertura, narradores questionaram as realizações do governo estadual: “ainda bem que acabou esse programa do Tarcísio, só promessa, teve quatro anos para fazer e não fez”, disse uma voz masculina, seguida por uma locutora que afirmou: “a água está cara, a violência está aumentando, e pedágio em tudo quanto é lugar”.

Ao som de um jingle em ritmo sertanejo, Haddad fez uma apresentação biográfica e dirigiu-se ao eleitorado independente, pedindo que se retire “o véu das paixões políticas” para avaliar os fatos concretos de sua trajetória.

“Eu sou de São Paulo, pai de um filho e de uma filha, e não aceito um governo que não protege a vida das pessoas e finge agir só em ano de eleição. Governar é enfrentar os problemas, foi assim que conduzi minha vida pública, enfrentei crises e interesses de poderosos para beneficiar a maioria. Se você retirar o véu das paixões políticas, examinar os fatos e me der uma chance, eu assumo o compromisso: vou recolocar São Paulo no lugar de onde ele nunca deveria ter saído”, afirmou o postulante petista.

A peça do PT buscou identificar Haddad como o criador e articulador de políticas públicas de forte impacto social implementadas nas esferas federal e municipal. O programa apresentou depoimentos no formato “Haddad sou eu”, citando a criação do Programa Universidade para Todos (Prouni) — destacado por uma “filha de doméstica na universidade” —, o programa de renegociação de dívidas Desenrola Brasil, que beneficiou mais de 9 milhões de pessoas, a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil, a expansão de institutos federais no interior de São Paulo e o programa de saúde Rede Hora Certa, implantado durante sua gestão na Prefeitura de São Paulo.

O encerramento da propaganda petista reforçou a dobradinha com o Palácio do Planalto ao veicular uma declaração gravada do presidente Lula: “Foi com Haddad na economia que a gente conseguiu o menor desemprego da história, com Haddad na economia o Brasil voltou a crescer acima de 3%. São Paulo é muito grande, e São Paulo na mão do Haddad vai ser muito maior”.

Devido às normas de representatividade mínima das bancadas no Congresso Nacional, apenas Tarcísio e Haddad possuem espaço no horário gratuito para o governo do estado. As transmissões na televisão ocorrem no período da tarde do mesmo dia.

Antes do bloco destinado ao Poder Executivo, as emissoras veicularam as peças dos candidatos ao Senado Federal e à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Entre os concorrentes ao Senado pela esquerda, Marina Silva (Rede) apresentou-se como a “senadora mais jovem do Brasil” e “mulher preta”, ressaltando prêmios internacionais por sua atuação ambiental e o objetivo de tornar o estado um “propulsor de seu próprio desenvolvimento”. Simone Tebet (PSB) utilizou um jingle sertanejo e justificou sua candidatura por São Paulo lembrando ter recebido expressiva votação no estado na eleição presidencial anterior, defendendo “mais moderação, diálogo e respeito”.

No campo da direita, Guilherme Derrite (PP) centrou sua fala na pauta da segurança pública, destacando ter sido o relator dos projetos que extinguiram as saídas temporárias de presos (“saidinhas”) e da lei antifacção durante seu mandato como deputado federal. André do Prado (PL) apresentou-se como “braço-direito do Tarcísio”, exibindo depoimento favorável do governador e prometendo atuar em Brasília para garantir investimentos nos municípios paulistas. A candidata Soninha Francine (Cidadania) encerrou o bloco do Senado priorizando o combate à violência contra a mulher.

Fonte: Brasil 247

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