sexta-feira, 28 de agosto de 2026

“Eles desmontaram o País e eu tenho consciência do que nós fizemos”, diz Lula, no Jornal Nacional

Presidente rebateu questionamentos sobre corrupção, defendeu investigações independentes, criticou o legado de Bolsonaro e apresentou propostas para segurança pública e um eventual quarto mandato

Lula no Jornal Nacional -  Crédito: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, nesta quinta-feira (27), ter plena consciência das realizações de seus governos e contrapôs os resultados de suas gestões ao cenário que encontrou ao retornar à Presidência da República, em janeiro de 2023. “Eles desmontaram o País e eu tenho consciência do que nós fizemos”, afirmou.

Durante a sabatina conduzida por César Tralli e Renata Vasconcellos, Lula foi questionado sobre denúncias e investigações, incluindo as que mencionam seu filho Fábio Luís. O presidente rejeitou a existência de acusações concretas contra o filho e classificou as alegações apresentadas como “ilação” decorrente de vazamentos atribuídos à Polícia Federal.

Lula ressaltou, no entanto, que não pretende interferir em investigações nem proteger familiares ou integrantes de seu governo caso sejam comprovadas irregularidades. Segundo o presidente, qualquer agente público que tenha cometido ilícitos deve responder por seus atos. O mesmo princípio, afirmou, vale para seu filho.


⦿ “Eles desmontaram o País”

Ao fazer um balanço político dos últimos anos, Lula direcionou críticas ao governo de Jair Bolsonaro e afirmou que políticas públicas construídas para promover inclusão social foram desmontadas.

O presidente argumentou que recebeu, em 2023, um país em situação difícil e que sua administração precisou reconstruir programas e estruturas do Estado. Foi nesse contexto que pronunciou uma das frases centrais da entrevista: “Eles desmontaram o País e eu tenho consciência do que nós fizemos”.

Lula também apresentou sua candidatura a um novo mandato como parte de um projeto de continuidade das políticas sociais e econômicas implementadas desde seu retorno ao Palácio do Planalto. Entre as prioridades apontadas estão a geração de oportunidades para os jovens, a educação, o trabalho, o crescimento econômico e o combate à fome.

⦿ Lula relembra os 580 dias em que esteve preso

Ao ser confrontado com questionamentos sobre corrupção, Lula voltou a abordar a Operação Lava Jato e lembrou que passou 580 dias preso em Curitiba.

O presidente afirmou ter sido vítima de uma “maior mentira” construída durante a operação e criticou o papel desempenhado por setores da imprensa na divulgação das acusações contra ele.

Lula citou especificamente o PowerPoint apresentado pelo então procurador Deltan Dallagnol, que o colocava no centro de um suposto esquema de corrupção. O presidente classificou a apresentação como mentirosa e lembrou as consequências políticas e pessoais das acusações feitas durante a Lava Jato.

O petista também sustentou que a imprensa divulgou informações falsas a seu respeito durante aquele período e cobrou uma reflexão sobre a atuação dos meios de comunicação na cobertura da operação.

⦿ Lula diz que não protegerá o filho

Sobre Fábio Luís, Lula afirmou que não existe, até o momento, uma acusação concreta contra seu filho e contestou ilações construídas a partir de informações vazadas.

Ao mesmo tempo, deixou claro que o parentesco não significará proteção caso algum ilícito seja efetivamente demonstrado.

A posição defendida pelo presidente é a de que as instituições devem investigar com independência e que qualquer pessoa que tenha cometido irregularidades deve responder perante a lei. Lula afirmou que não pretende impedir investigações nem interferir no trabalho dos órgãos responsáveis pela apuração dos fatos.

⦿ INSS, ressarcimento e combate às fraudes

Outro tema abordado na entrevista foi o esquema de fraudes envolvendo aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Lula destacou as investigações realizadas durante seu governo e as medidas adotadas para ressarcir aposentados prejudicados. O presidente também afirmou que seu governo trabalha para eliminar a fila de benefícios do INSS e indicou que a expectativa é concluir esse processo na próxima semana.

A questão foi apresentada por Lula como parte da responsabilidade do governo de identificar irregularidades, investigar os envolvidos, responsabilizar quem tiver cometido crimes e reparar os prejuízos causados à população.

⦿ Segurança pública terá ministério próprio

Lula também apresentou propostas para a segurança pública e voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança Pública.

O presidente propõe uma reorganização da atuação do Estado no setor, com maior integração entre União, estados e municípios e uma definição mais clara das atribuições das diferentes forças policiais.

Lula também defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública como instrumento para fortalecer a coordenação nacional das políticas de combate ao crime organizado.

A proposta, segundo o presidente, busca aumentar a capacidade do poder público de enfrentar as organizações criminosas e recuperar para a população territórios atualmente submetidos à influência do crime.

⦿ Um quarto mandato voltado para o futuro

Ao falar sobre seus planos para um eventual novo mandato, Lula destacou principalmente a necessidade de oferecer perspectivas à juventude brasileira.

O presidente defendeu políticas voltadas para educação, formação profissional, geração de empregos e crescimento econômico, argumentando que os jovens precisam encontrar oportunidades concretas para construir seu futuro no Brasil.

Lula também associou um eventual quarto mandato à consolidação dos avanços sociais obtidos pelo país. Entre eles, destacou o combate à fome e a reconstrução das políticas públicas que, segundo ele, haviam sido desmontadas nos anos anteriores.

Na segurança pública, Lula defendeu uma atuação coordenada dos diferentes níveis de governo. Na economia e na área social, apresentou como objetivo ampliar oportunidades e preservar os avanços conquistados.

Ao afirmar que tem “consciência do que nós fizemos”, Lula procurou estabelecer justamente essa comparação: de um lado, o desmonte que atribui ao governo anterior; de outro, a reconstrução promovida desde 2023 e o projeto que pretende levar adiante em um eventual quarto mandato presidencial.

Fonte: Brasil 247

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