Presidente rebateu questionamentos sobre corrupção, defendeu investigações independentes, criticou o legado de Bolsonaro e apresentou propostas para segurança pública e um eventual quarto mandato
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, nesta quinta-feira (27), ter plena consciência das realizações de seus governos e contrapôs os resultados de suas gestões ao cenário que encontrou ao retornar à Presidência da República, em janeiro de 2023. “Eles desmontaram o País e eu tenho consciência do que nós fizemos”, afirmou.
Durante a sabatina conduzida por César Tralli e Renata Vasconcellos, Lula foi questionado sobre denúncias e investigações, incluindo as que mencionam seu filho Fábio Luís. O presidente rejeitou a existência de acusações concretas contra o filho e classificou as alegações apresentadas como “ilação” decorrente de vazamentos atribuídos à Polícia Federal.
Lula ressaltou, no entanto, que não pretende interferir em investigações nem proteger familiares ou integrantes de seu governo caso sejam comprovadas irregularidades. Segundo o presidente, qualquer agente público que tenha cometido ilícitos deve responder por seus atos. O mesmo princípio, afirmou, vale para seu filho.
⦿ “Eles desmontaram o País”
Ao fazer um balanço político dos últimos anos, Lula direcionou críticas ao governo de Jair Bolsonaro e afirmou que políticas públicas construídas para promover inclusão social foram desmontadas.
O presidente argumentou que recebeu, em 2023, um país em situação difícil e que sua administração precisou reconstruir programas e estruturas do Estado. Foi nesse contexto que pronunciou uma das frases centrais da entrevista: “Eles desmontaram o País e eu tenho consciência do que nós fizemos”.
Lula também apresentou sua candidatura a um novo mandato como parte de um projeto de continuidade das políticas sociais e econômicas implementadas desde seu retorno ao Palácio do Planalto. Entre as prioridades apontadas estão a geração de oportunidades para os jovens, a educação, o trabalho, o crescimento econômico e o combate à fome.
⦿ Lula relembra os 580 dias em que esteve preso
Ao ser confrontado com questionamentos sobre corrupção, Lula voltou a abordar a Operação Lava Jato e lembrou que passou 580 dias preso em Curitiba.
O presidente afirmou ter sido vítima de uma “maior mentira” construída durante a operação e criticou o papel desempenhado por setores da imprensa na divulgação das acusações contra ele.
Lula citou especificamente o PowerPoint apresentado pelo então procurador Deltan Dallagnol, que o colocava no centro de um suposto esquema de corrupção. O presidente classificou a apresentação como mentirosa e lembrou as consequências políticas e pessoais das acusações feitas durante a Lava Jato.
O petista também sustentou que a imprensa divulgou informações falsas a seu respeito durante aquele período e cobrou uma reflexão sobre a atuação dos meios de comunicação na cobertura da operação.
⦿ Lula diz que não protegerá o filho
Sobre Fábio Luís, Lula afirmou que não existe, até o momento, uma acusação concreta contra seu filho e contestou ilações construídas a partir de informações vazadas.
Ao mesmo tempo, deixou claro que o parentesco não significará proteção caso algum ilícito seja efetivamente demonstrado.
A posição defendida pelo presidente é a de que as instituições devem investigar com independência e que qualquer pessoa que tenha cometido irregularidades deve responder perante a lei. Lula afirmou que não pretende impedir investigações nem interferir no trabalho dos órgãos responsáveis pela apuração dos fatos.
⦿ INSS, ressarcimento e combate às fraudes
Outro tema abordado na entrevista foi o esquema de fraudes envolvendo aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Lula destacou as investigações realizadas durante seu governo e as medidas adotadas para ressarcir aposentados prejudicados. O presidente também afirmou que seu governo trabalha para eliminar a fila de benefícios do INSS e indicou que a expectativa é concluir esse processo na próxima semana.
A questão foi apresentada por Lula como parte da responsabilidade do governo de identificar irregularidades, investigar os envolvidos, responsabilizar quem tiver cometido crimes e reparar os prejuízos causados à população.
⦿ Segurança pública terá ministério próprio
Lula também apresentou propostas para a segurança pública e voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança Pública.
O presidente propõe uma reorganização da atuação do Estado no setor, com maior integração entre União, estados e municípios e uma definição mais clara das atribuições das diferentes forças policiais.
Lula também defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública como instrumento para fortalecer a coordenação nacional das políticas de combate ao crime organizado.
A proposta, segundo o presidente, busca aumentar a capacidade do poder público de enfrentar as organizações criminosas e recuperar para a população territórios atualmente submetidos à influência do crime.
⦿ Um quarto mandato voltado para o futuro
Ao falar sobre seus planos para um eventual novo mandato, Lula destacou principalmente a necessidade de oferecer perspectivas à juventude brasileira.
O presidente defendeu políticas voltadas para educação, formação profissional, geração de empregos e crescimento econômico, argumentando que os jovens precisam encontrar oportunidades concretas para construir seu futuro no Brasil.
Lula também associou um eventual quarto mandato à consolidação dos avanços sociais obtidos pelo país. Entre eles, destacou o combate à fome e a reconstrução das políticas públicas que, segundo ele, haviam sido desmontadas nos anos anteriores.
Na segurança pública, Lula defendeu uma atuação coordenada dos diferentes níveis de governo. Na economia e na área social, apresentou como objetivo ampliar oportunidades e preservar os avanços conquistados.
Ao afirmar que tem “consciência do que nós fizemos”, Lula procurou estabelecer justamente essa comparação: de um lado, o desmonte que atribui ao governo anterior; de outro, a reconstrução promovida desde 2023 e o projeto que pretende levar adiante em um eventual quarto mandato presidencial.
Fonte: Brasil 247
Nenhum comentário:
Postar um comentário