O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou prender a diarista Silvia de Amorim Jesus, de 46 anos, para o início do cumprimento de sua pena de 14 anos de reclusão em regime fechado pela participação nos atos golpistas de 8 de Janeiro, em Brasília.
A ordem sigilosa seguiu para a Polícia Federal na quinta-feira (27), após o trânsito em julgado da ação penal. Silvia, moradora de Jaru, em Rondônia, estava em liberdade monitorada por tornozeleira eletrônica.
“Em virtude do trânsito em julgado desta ação penal, determino o início do cumprimento da pena de reclusão, em regime fechado, imposta a Silvia de Amorim Jesus. Expeça-se o mandado de prisão, destinado à Polícia Federal”, escreveu Moraes.
A condenação apontou que Silvia participou da invasão dos prédios públicos durante o ato terrorista de 8 de Janeiro. A Polícia Federal encontrou mensagens em seu celular que indicavam sua ida a Brasília na véspera dos ataques.

Mensagens apontaram convocação para invasão em Brasília
Em uma conversa com um contato salvo como “Gil”, Silvia escreveu: “Tô indo para Brasília (…), o movimento é em Brasília (…). Tamo indo pra batalha. A previsão é para invadir e tomar o poder, essa é a chamada dessa vez, é o agro, os caminhoneiros e o povo (…)”.
No dia da invasão, investigadores localizaram mensagens e gravações feitas por ela dentro do Palácio do Planalto e nas proximidades do Congresso Nacional. Em uma delas, afirmou: “É ao vivo meu irmão! Tomemos o poder irmão! Tá pegando fogo!”.
Outro áudio atribuído à diarista dizia: “Tomemo todos os poderes. Tamo aqui dentro do Planalto, em tudo, tudo. Tá tudo tomado. Chega e vem pra cá”. Ela foi presa em 9 de janeiro, um dia após os ataques, por decisão de Moraes.
Em mensagem enviada após a prisão, Silvia relatou a depredação dos prédios públicos e disse que participava de uma “guerra”. “Mas nós invadimo tudo. Quebramo aquele trem tudo”, afirmou no áudio encontrado pela PF.
O Ministério Público Federal ampliou a acusação após analisar o material apreendido no celular. Inicialmente, a denúncia tratava de associação criminosa e incitação ao crime, sob a suspeita de participação no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército.
Com as novas provas, Silvia passou a responder também por associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin acompanharam Moraes pela condenação; Nunes Marques, Luiz Fux e André Mendonça divergiram.
A defesa informou que pedirá revisão criminal da condenação. O nome de Silvia integra uma lista de mais de 240 mandados de prisão em aberto expedidos por Moraes no STF, sem considerar as ordens sob sigilo.
Fonte: DCM
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