segunda-feira, 27 de julho de 2026

Versão de Jair Bolsonaro em IA entra no radar do TSE, enquanto campanha de Flávio adota cautela e cogita boneco de papelão

Após repercussão do vídeo exibido na convenção do PL, entorno do senador recomenda cautela sobre novas aparições virtuais do ex-mandatário

Flávio Bolsonaro – Jair Bolsonaro
Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado / REUTERS/Adriano Machado

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu adotar cautela no uso de inteligência artificial para reproduzir a imagem e a voz de Jair Bolsonaro após a repercussão jurídica provocada pelo vídeo exibido durante a convenção nacional do Partido Liberal. Enquanto aguarda uma definição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o entorno do senador avalia recorrer a bonecos de papelão em tamanho real para manter a presença simbólica do ex-mandatário nos atos eleitorais.

Segundo o jornal O Globo, aliados de Flávio continuam sustentando que o vídeo apresentado na convenção não contrariou as normas eleitorais. Apesar disso, a orientação é evitar novas produções semelhantes até que a Justiça Eleitoral estabeleça parâmetros mais claros para o uso da tecnologia na campanha.

O caso chegou ao TSE após adversários de Flávio questionarem a utilização da inteligência artificial para representar Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar. O presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, foi escolhido por sorteio como relator da ação e deverá analisar os limites da utilização de versões sintéticas do ex-mandatário durante o processo eleitoral.

Especialistas consultados apresentam avaliações divergentes sobre a questão eleitoral. Parte deles também considera que a participação de Bolsonaro por meio de uma versão sintética poderia gerar questionamentos relacionados às medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

☉ Mudança de estratégia

Antes da repercussão do vídeo apresentado na convenção, integrantes da campanha planejavam utilizar novamente a inteligência artificial como forma de ampliar a presença de Jair Bolsonaro na disputa presidencial. A prisão domiciliar impede o ex-mandatário de participar presencialmente de atos políticos.

A reação ao primeiro vídeo, no entanto, alterou o planejamento. A avaliação entre aliados passou a ser de que novas iniciativas devem aguardar uma manifestação mais clara da Justiça Eleitoral, evitando questionamentos jurídicos adicionais no início da campanha.

Procurada, a campanha de Flávio não informou se pretende voltar a utilizar inteligência artificial durante o período eleitoral.

Interlocutores do senador, porém, afirmam reservadamente que a possibilidade não foi descartada. Eles mantêm a avaliação de que a peça apresentada na convenção respeitou as normas eleitorais e não deverá provocar punições contra Flávio ou Bolsonaro.

Uma declaração de Nunes Marques ao jornal O Estado de São Paulo foi interpretada por auxiliares do senador como um sinal favorável à diferenciação entre usos permitidos da tecnologia e conteúdos produzidos para atingir adversários.

“Usar IA para fazer campanha é lícito. O que não pode é usar para prejudicar alguém”, afirmou Nunes Marques.

Apesar dessa interpretação, integrantes da campanha consideram desnecessário criar, neste momento, uma nova frente de disputas jurídicas envolvendo a tecnologia.

☉ Boneco em tamanho real

Enquanto aguarda uma definição do TSE, o grupo político de Flávio considera ampliar o uso de bonecos de papelão de Jair Bolsonaro em tamanho real nos eventos eleitorais.

O recurso já vinha sendo utilizado pelo bolsonarismo desde que o ex-mandatário passou a cumprir prisão domiciliar. Na sexta-feira (24), um boneco apareceu durante a convenção do PL no Rio de Janeiro que oficializou a candidatura do deputado estadual Douglas Ruas ao governo fluminense.

A estratégia também foi empregada em outros eventos. Há três semanas, durante a oficialização da candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes ao Senado, no Ceará, Flávio participou do evento ao lado de uma representação do pai em tamanho real.

De acordo com a apuração, a utilização da versão de Bolsonaro criada por inteligência artificial na convenção nacional do PL partiu da campanha de Flávio. O ex-mandatário não teria autorizado previamente a iniciativa.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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