segunda-feira, 27 de julho de 2026

TIM tem lucro ajustado recorde de R$ 1,04 bilhão no 2º trimestre

Alta de 6,2% no lucro ajustado da TIM acompanhou avanço da receita de serviços, ganho de margem e aumento de 10,1% no caixa livre


A TIM (TIMS3) encerrou o segundo trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 1,036 bilhão, crescimento de 6,2% sobre igual período de 2025 e o maior resultado já registrado pela operadora para um segundo trimestre. Segundo o release divulgado pela companhia nesta segunda-feira (27), a receita de serviços avançou, a margem operacional aumentou e o fluxo de caixa livre cresceu 10,1%.

Sem os ajustes relacionados a efeitos não recorrentes, o lucro líquido reportado somou R$ 970 milhões, queda de 0,6% na comparação anual. A diferença entre os dois indicadores decorre principalmente de R$ 72,1 milhões em itens extraordinários registrados nos custos e nas despesas operacionais.

A receita líquida total alcançou R$ 6,965 bilhões entre abril e junho, alta de 5,5% em um ano. No primeiro semestre, o faturamento chegou a R$ 13,772 bilhões, com expansão de 6%.

O desempenho trimestral foi sustentado pela receita de serviços, que aumentou 5,7%, para R$ 6,785 bilhões. A operação móvel continuou como principal fonte de faturamento, enquanto os serviços fixos e as novas frentes empresariais apresentaram taxas mais elevadas de crescimento.

⦾ Ebitda supera R$ 3,5 bilhões

O Ebitda ajustado — indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — avançou 7%, para R$ 3,586 bilhões. A margem Ebitda subiu 0,7 ponto percentual, de 50,8% para 51,5%.

Já o Ebitda após despesas com arrendamentos, conhecido como Ebitda-AL, cresceu 7,8% e atingiu R$ 2,802 bilhões. A margem correspondente passou de 39,4% para 40,2%.

A TIM atribuiu a evolução à expansão da receita de serviços, ao controle de custos e à gestão dos contratos de infraestrutura. As despesas operacionais ajustadas aumentaram 4%, abaixo do crescimento do faturamento.

A incorporação dos resultados da V8.Tech e da I-Systems pressionou algumas linhas de custos. Os gastos com pessoal aumentaram 7,3%, enquanto as despesas gerais e administrativas avançaram 10,5%.

Outro ponto de atenção foi a provisão para créditos de liquidação duvidosa, que cresceu 38,1%, para R$ 264 milhões. O aumento foi relacionado principalmente a um cliente dos segmentos empresarial e atacadista, além da ampliação da base pós-paga, mais exposta ao risco de inadimplência.

⦾ Receita móvel cresce mesmo com redução da base

A receita de serviços móveis totalizou R$ 6,369 bilhões, avanço de 4,6% sobre o segundo trimestre do ano anterior. A receita média mensal por usuário móvel, o ARPU, aumentou 5%, para R$ 34,30.

O resultado foi favorecido pelo crescimento do pós-pago e pela maior contribuição de publicidade móvel, internet das coisas e outras atividades empresariais. A receita da plataforma de clientes mais que dobrou, com alta de 117,3%, para R$ 63 milhões, impulsionada pela publicidade digital.

A receita pós-paga cresceu 5,8%, apoiada na entrada de clientes e nos reajustes aplicados às ofertas durante o primeiro trimestre. O segmento passou a responder por aproximadamente 70% da receita de serviços móveis.

A base pós-paga aumentou 6,8%, para 33,668 milhões de linhas. Desconsideradas as conexões entre máquinas, o número de clientes avançou 4,7%, para 26,128 milhões.

O movimento contrastou com a retração do pré-pago. A base dessa modalidade caiu 8%, para 28,211 milhões de linhas, enquanto a receita recuou 6,9%, afetada pela competição e pela menor recorrência das recargas.

Como resultado, a base móvel total diminuiu 0,5%, para 61,879 milhões de clientes. Dados da Agência Nacional de Telecomunicações referentes a maio mostram que a participação da TIM no mercado móvel caiu 0,9 ponto percentual em um ano, para 22,4%.

⦾ Serviços fixos avançam 27%

A receita de serviços fixos cresceu 27% e chegou a R$ 416 milhões. O desempenho refletiu a expansão da TIM Ultrafibra e a consolidação da V8.Tech, adquirida pela operadora.

A receita da Ultrafibra aumentou 9,5%, para R$ 247 milhões. A base do serviço atingiu 899 mil clientes, alta de 12,5%, enquanto os acessos em fibra até a residência cresceram 15%, para 896 mil.

Em julho, a empresa lançou o TIM Ultracombo, oferta que reúne telefonia móvel e fibra. A iniciativa busca aproveitar a infraestrutura incorporada com a aquisição da I-Systems e ampliar a presença da operadora no mercado de serviços convergentes.

No segmento empresarial, o volume de novos projetos contratados chegou a R$ 192 milhões, maior nível da série histórica. A receita de serviços B2B, excluído o atacado, cresceu 16,6% no acumulado de 12 meses e alcançou R$ 1,746 bilhão.

As atividades empresariais foram impulsionadas por soluções corporativas, internet das coisas, inteligência de dados e pela V8.Tech. Logística, serviços públicos, agronegócio e cidades inteligentes estiveram entre os setores com maior demanda.

⦾ Fluxo de caixa livre sobe 10,1%

O fluxo de caixa operacional, calculado pela diferença entre o Ebitda-AL ajustado e os investimentos, avançou 8,7%, para R$ 1,868 bilhão. A margem do indicador aumentou 0,8 ponto percentual, para 26,8%.

O fluxo de caixa operacional livre alcançou R$ 1,242 bilhão, expansão de 10,1%. No primeiro semestre, o indicador acumulou R$ 1,695 bilhão, alta de 19,2%.

Os investimentos somaram R$ 935 milhões no trimestre, crescimento de 6%. O montante correspondeu a 13,4% da receita líquida e foi direcionado principalmente à rede, aos sistemas de tecnologia da informação e à integração da infraestrutura de fibra da I-Systems.

Ao final de junho, a TIM possuía R$ 4,530 bilhões em caixa e títulos, recuo anual de 17,2%. A companhia relacionou a redução à compra da participação restante na I-Systems, à antecipação de dividendos referentes a 2025 e ao pagamento de uma parcela de debêntures.

A dívida total após instrumentos de proteção cambial somou R$ 17,048 bilhões, aumento de R$ 292 milhões em relação ao segundo trimestre de 2025. O avanço refletiu a incorporação de passivos da V8.Tech e da I-Systems, parcialmente compensada pela redução da dívida financeira.

⦾ Resultado financeiro limita avanço do lucro

O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 569 milhões, uma piora de 51,8% na comparação anual. A base de 2025 havia sido favorecida por uma decisão judicial e pelo desempenho mais positivo do fundo relacionado à implantação do 5G.

No segundo trimestre deste ano, a linha também foi pressionada pelo aumento dos juros sobre arrendamentos e pela consolidação da I-Systems. Antes dos impostos, o lucro reportado caiu 3,6%, para R$ 1,132 bilhão.

O lucro ajustado por ação alcançou R$ 0,43, ante R$ 0,40 um ano antes. A redução das despesas com Imposto de Renda e Contribuição Social contribuiu para o avanço do resultado ajustado. A companhia associou o movimento à maior deliberação de juros sobre capital próprio, que passou de R$ 300 milhões para R$ 400 milhões.

O Conselho de Administração aprovou em 17 de junho a distribuição de R$ 400 milhões em juros sobre capital próprio. Para todo o ano, a TIM projeta entregar entre R$ 5,3 bilhões e R$ 5,5 bilhões em remuneração aos acionistas.

A empresa realizará a conferência sobre os resultados nesta terça-feira (28), às 11h, no horário de Brasília.

Fonte: Brasil 247

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