sexta-feira, 24 de julho de 2026

Planalto monitora vista de Milei ao Brasil e prepara reação em caso de ataques a Lula


Presidente argentno participará de convenção do PL no sábado e receberá homenagem de Tarcísio de Freitas

           Presidente da Argentina, Javier Milei 07/07/2024 REUTERS/Anderson Coelho

A visita do presidente da Argentina, Javier Milei, a São Paulo para participar da Convenção Nacional do PL será acompanhada de perto pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, embora a avaliação inicial no Palácio do Planalto e no Itamaraty seja a de não reagir publicamente apenas à presença do argentino no evento bolsonarista.

Segundo a coluna de Janaína Figueiredo, do UOL, publicada nesta sexta-feira (24), integrantes do governo brasileiro consideram que o apoio de Milei à família Bolsonaro já não provoca surpresa em Brasília. O ponto de atenção, no entanto, está no conteúdo de eventuais declarações do presidente argentino durante a agenda no Brasil.

A linha definida pelo governo Lula é evitar uma resposta automática à participação de Milei na convenção que deve oficializar Flávio Bolsonaro como candidato do PL à Presidência. Uma fonte oficial resumiu a posição com a frase: “o governo não vai bater palma pra maluco dançar, sempre que possível”.

Na prática, Planalto e Itamaraty devem permanecer em silêncio caso Milei apenas reforce sua proximidade política com o bolsonarismo. A reação será considerada se o presidente argentino ultrapassar o que o governo brasileiro classifica como “linhas vermelhas”: ataques diretos a Lula ou ao sistema eleitoral brasileiro.

A presença de Milei no ato do PL ocorre em meio a um histórico de distanciamento em relação ao presidente brasileiro. Desde que assumiu a Presidência da Argentina, em dezembro de 2023, ele evitou encontros com Lula. Um episódio citado como simbólico ocorreu em julho de 2024, quando Milei deixou de participar da cúpula de presidentes do Mercosul, no Paraguai, e viajou a Santa Catarina para prestigiar um evento da direita internacional organizado por Eduardo Bolsonaro.

À época, a decisão foi criticada por fontes do governo Lula. Hoje, porém, a avaliação em Brasília é de que a aliança política entre Milei e a família Bolsonaro se tornou previsível. Por isso, o governo não pretende transformar a visita em crise diplomática, a menos que o argentino use o palanque do PL para atacar instituições brasileiras ou o presidente da República.

Caso haja resposta, a coluna aponta que o governo brasileiro poderia adotar uma reação dura. Entre os temas que circulam em conversas com fontes oficiais estão escândalos envolvendo integrantes próximos ao presidente argentino e denúncias que atingiram o próprio Milei.

Um dos casos citados é o de Manuel Adorni, descrito na coluna como ex-chefe de gabinete que renunciou no começo do mês e passou a ser investigado pela Justiça argentina por suposto enriquecimento ilícito. Outro ponto sensível é o episódio da criptomoeda Libra, promovida por Milei em fevereiro deste ano em sua conta na rede X.

Após a publicação feita pelo presidente argentino, o valor da Libra disparou 1.300%. Em seguida, em uma operação conhecida no mercado como “rug pull”, ou “puxada de tapete”, um pequeno grupo de carteiras virtuais retirou os recursos de uma só vez, derrubando o preço da criptomoeda para menos de US$ 1, depois de ter se aproximado de US$ 5.

Segundo estimativas citadas pela coluna, mais de 44 mil investidores foram prejudicados, com perdas acumuladas de US$ 250 milhões. Horas depois, Milei apagou a publicação e afirmou que “não estava por dentro dos detalhes do projeto”.

Outro flanco observado por Brasília é o debate sobre o custo social das medidas econômicas aplicadas pelo governo argentino. Enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro tem usado Milei como referência política e econômica, integrantes do governo Lula avaliam que o ajuste promovido na Argentina ampliou dificuldades sociais, especialmente entre os mais pobres.

A Casa Rosada rejeita essa leitura e apresenta dados oficiais segundo os quais a pobreza caiu de mais de 50% no primeiro semestre de 2024 para menos de 30% no último semestre de 2025. Universidades privadas argentinas, entre elas a Universidade Católica Argentina, questionam a metodologia usada pelo governo e afirmam que o ajuste fiscal aprofundou a crise social no país.

A leitura política no Planalto é que um eventual confronto com Milei poderia até favorecer Lula, caso o presidente argentino adote tom considerado ofensivo durante sua passagem por São Paulo. A avaliação é comparada, por fontes oficiais, ao embate recente com o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que teria sido capitalizado politicamente pelo governo brasileiro.

A Convenção Nacional do PL está marcada para sábado (25), em São Paulo. A visita de Milei também deve incluir encontro com o governador paulista, Tarcísio de Freitas, antes da agenda partidária. Para o governo Lula, o evento será observado menos pela presença do argentino e mais pelo limite que ele escolherá dar ao próprio discurso em território brasileiro.

Fonte: Brasil 247 com informações do UOL

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