quarta-feira, 1 de julho de 2026

PF investiga escritura suspeita ligada a R$ 470 mil de aliado de Sóstenes Cavalcanti

Investigação da PF aponta possível fraude em escritura após apreensão de dinheiro e mira aliados de deputado do PL em operação no DF

        Sóstenes Cavalcante -                               Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Polícia Federal (PF) investiga escritura suspeita ligada a R$ 470 mil de aliado de Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) após operação que identificou indícios de irregularidades na formalização de compra e venda de imóvel. O caso envolve suspeita de uso de documento cartorial para justificar dinheiro apreendido em espécie. As informações foram publicadas nesta quarta-feira (1) pelo Portal G1.

A investigação da PF aponta possível fraude em escritura após apreensão de dinheiro e mira aliados de deputado do PL em operação no DF, que tiveram acesso a trechos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e a relatórios da investigação.
Os dados indicam que a operação Galho Fraco II aprofunda apurações sobre movimentações financeiras e patrimoniais ligadas ao parlamentar.

A Polícia Federal apura se aliados do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) produziram uma escritura pública de compra e venda de imóvel com o objetivo de justificar a origem de R$ 470 mil apreendidos em espécie durante operação anterior. O documento teria surgido após a apreensão do dinheiro, o que levantou suspeitas entre os investigadores.

Segundo decisão do ministro Flávio Dino, relator do caso, as apurações indicam que parte de cerca de R$ 15 milhões movimentados por empresas pode ter origem em recursos públicos associados ao parlamentar.

A investigação começou após operação realizada em dezembro do ano passado, quando agentes encontraram R$ 470 mil em um flat utilizado por Sóstenes em Brasília. O material estava dentro de sacolas e embalagens com valores fracionados, segundo os registros da PF.

Na ocasião, o deputado afirmou que o dinheiro vinha da venda de um imóvel em Minas Gerais. Ele disse ainda que não havia depositado o valor por questões de rotina de trabalho.

A PF, no entanto, identificou que a escritura do imóvel só foi registrada oficialmente após a apreensão do dinheiro. O documento foi lavrado em 30 de dezembro de 2025, 11 dias depois do cumprimento de mandados de busca e apreensão. A data registrada na escritura aponta pagamento em 24 de novembro do mesmo ano.

Em trecho da decisão, a PF destacou a inconsistência temporal do registro cartorial:
“A própria análise policial ressaltou, contudo, que a comunicação é datada de 30/12/2025, precisamente a mesma data em que a escritura foi formalizada em cartório. Esse aspecto cronológico assume especial relevo investigativo. Isso porque a escritura pública foi lavrada em 30/12/2025, isto é, após o cumprimento das medidas cautelares de 19/12/2025”.

Os investigadores também apontam que o registro cartorial teria servido para dar aparência formal a uma transação que teria ocorrido antes da apreensão do dinheiro.
“Em outras palavras, os interessados somente levaram a registro cartorário, após a apreensão do numerário, uma narrativa documental destinada a conferir lastro formal a uma alegada transação pretérita (feita anteriormente)”.

Outro ponto levantado pela PF envolve a ausência de movimentação bancária compatível com o valor declarado na escritura. O Relatório de Inteligência Financeira não encontrou saques próximos à data da suposta compra, embora o pagamento tenha ocorrido, segundo o documento, em dinheiro vivo.

O caso integra a terceira fase da Operação Rent a Car, chamada Galho Fraco II, que investiga suposto esquema de desvio de recursos de cotas parlamentares. A operação atingiu advogados e empresários ligados ao entorno político do deputado.

A PF já havia identificado, em fases anteriores, suspeitas de uso de empresas para justificar despesas públicas. Entre elas, contratos de locação de veículos usados como possível instrumento para mascarar movimentações financeiras.

Em dezembro, durante ação anterior, a Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 470 mil em um flat em Brasília. Parte do dinheiro estava em pacotes organizados e escondidos em um armário.

Segundo o relatório policial, o montante incluía “R$ 468.700 em cédulas de R$ 100, bem como a existência de quatro pacotes ‘embrulhados’, contendo etiquetas indicativas de R$ 100.000 cada, com menção ao mês de março de 2025 e aos bancos SICREDI e Banco do Brasil”.

Em depoimento à imprensa, Sóstenes afirmou que o dinheiro teria origem em venda de imóvel e negou irregularidades. Ele também declarou que sofre perseguição política.

A PF abriu nova linha de investigação após a apreensão e passou a rastrear movimentações financeiras dos envolvidos. Os investigadores não encontraram registros de saques compatíveis com a data indicada na escritura, o que reforçou as suspeitas sobre a origem dos recursos.

O crime de peculato, citado na investigação como hipótese jurídica, ocorre quando servidor público desvia ou se apropria de recursos aos quais tem acesso em razão do cargo.

A operação Galho Fraco II também cumpriu mandados contra aliados do parlamentar. Em um dos endereços, agentes localizaram dinheiro em espécie escondido em um objeto decorativo em formato de livro falso, segundo registros da PF.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

Nenhum comentário:

Postar um comentário