sábado, 25 de julho de 2026

Com tapete azul, Tarcísio recebe Milei em São Paulo e concede honraria ao impopular presidente argentino

Encontro antecede convenção nacional do PL e representa reunião da extrema-direita em meio a forte desgaste social de Milei na Argentina

Tarcísio de Freitas e Javier Milei
Crédito: Reprodução/X/@Estadao

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), recebeu na manhã deste sábado (25) o presidente da Argentina, Javier Milei, no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista, para a entrega da Medalha de Ordem do Ipiranga, a maior honraria concedida pelo estado.

O evento, realizado no Salão dos Pratos do palácio, foi precedido por uma reunião a portas fechadas na ala residencial entre Tarcísio de Freitas e o mandatário argentino. A imprensa foi convidada para acompanhar a cerimônia oficial, mas acabou barrada na entrada do hall nobre — localizado nos fundos do palácio —, podendo apenas registrar a chegada das autoridades. Para a recepção, foi estendido um tapete azul, em alusão à chamada “onda azul”, expressão utilizada por Milei para se referir à eleição de políticos de direita na América do Sul.

Após a agenda na sede do governo paulista, Tarcísio e Milei seguem para a convenção nacional do PL, realizada no Estádio do Pacaembu, na Zona Oeste de São Paulo. O ato político vai selar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Também participam das agendas o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o próprio Flávio Bolsonaro, entre outras lideranças políticas.

A viagem de Javier Milei ao Brasil representa um gesto explícito de apoio à extrema-direita brasileira e tende a aprofundar as tensões diplomáticas com o governo do presidente Lula (PT). Além do impacto nas relações internacionais, a visita ocorre em um momento em que o presidente argentino enfrenta forte impopularidade em seu próprio país, decorrente da destruição social e econômica provocada por suas políticas ultraliberais.


Rejeição e colapso social na Argentina

Pesquisas divulgadas em 2026 indicam que a desaprovação de Javier Milei já supera os 60% em alguns levantamentos nacionais. A imagem positiva do líder argentino, que chegou ao poder prometendo combater a chamada “casta política”, caiu para aproximadamente um terço do eleitorado. O desgaste reflete a insatisfação popular diante da perda acelerada do poder de compra, do aumento do desemprego, da precarização do trabalho e do surgimento de denúncias envolvendo integrantes do seu governo.

O cenário evidencia a distância entre a propaganda oficial e a realidade enfrentada pela maioria da população argentina. Embora o governo comemore a desaceleração da inflação mensal — que recuou para 1,9% em junho —, o custo acumulado das medidas econômicas permanece extremamente elevado. Apenas no primeiro semestre de 2026, a inflação acumulada na Argentina atingiu 16,8%, alcançando o patamar de 33,5% no acumulado de 12 meses.

A redução no ritmo de alta dos preços foi obtida por meio de uma política de forte contração econômica, com impacto direto sobre salários, aposentadorias, serviços públicos, consumo e nível de emprego. Em vez de uma recuperação distribuída entre a sociedade, os resultados têm favorecido setores com baixa geração de postos de trabalho, enquanto áreas cruciais como construção civil, comércio e pequenas empresas enfrentam graves dificuldades.

A estratégia de estabilização promovida pelo governo Milei apoia-se em um ajuste fiscal radical. Os cortes atingiram aposentadorias, universidades, investimentos públicos, programas sociais e repasses financeiros às províncias, comprometendo a prestação de serviços essenciais e aprofundando a desigualdade social.

Como consequência, o desemprego oficial chegou a 7,5%, acompanhado pelo aumento da informalidade e pelo endividamento das famílias para pagar despesas básicas. Mesmo diante de estatísticas oficiais que apontam redução da pobreza, milhões de argentinos continuam sem perceber qualquer melhora concreta em suas condições de vida.

O consumo de alimentos básicos permanece sob forte pressão, os salários perderam valor real e a população passou a recorrer com maior frequência ao crédito para custear itens essenciais de sobrevivência. Análises críticas publicadas em 2026 apontaram que 91% das famílias argentinas tinham algum tipo de dívida e que o salário mínimo havia sofrido uma severa perda de valor real durante a gestão Milei. O resultado é uma economia que apresenta indicadores financeiros celebrados pelo mercado, mas que produz insegurança, empobrecimento e instabilidade para amplos setores da sociedade.

Fonte: Brasil 247

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