terça-feira, 30 de junho de 2026

Governo lança Plano Safra com R$ 525 bi para fortalecer a agricultura empresarial

Nova edição amplia os recursos para custeio, comercialização e investimentos na produção agropecuária

Lançamento do Plano Safra 2024/2025 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O governo federal lança nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027, que destinará R$ 525,1 bilhões para financiar a agricultura empresarial brasileira. O montante representa um acréscimo de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior e será direcionado a linhas de crédito para custeio, comercialização e investimentos voltados a médios e grandes produtores rurais.

A cerimônia de lançamento será realizada no Palácio do Planalto, em Brasília, com a presença do presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, e do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. A iniciativa tem como slogan "Crédito que fortalece o campo. Campo que alimenta o mundo" e busca ampliar a produção agropecuária, estimular investimentos e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro.

Do total anunciado, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização da produção agropecuária. Os recursos financiarão despesas como aquisição de insumos, condução das lavouras, manutenção dos rebanhos e comercialização da produção.

Outros R$ 140,2 bilhões serão reservados para investimentos em modernização da produção, ampliação da capacidade de armazenagem, irrigação, inovação tecnológica, renovação de máquinas e equipamentos, recuperação de áreas produtivas e aumento da eficiência das propriedades rurais.

◎ Redução dos juros para estimular investimentos

Entre as principais novidades da edição 2026/2027 está a redução das taxas máximas de juros em linhas consideradas estratégicas para a agricultura empresarial. A medida ocorre em um cenário de queda da taxa Selic e busca reduzir o custo financeiro do crédito rural, oferecendo maior previsibilidade aos produtores para planejar a safra e realizar investimentos.

O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) contará com R$ 72,6 bilhões em recursos. A taxa máxima de juros para essa modalidade será de 9% ao ano, abaixo da praticada no ciclo anterior.

O governo avalia que o crédito mais acessível fortalecerá um segmento considerado estratégico para a produção de alimentos, geração de empregos e dinamização das economias regionais.

◎ Incentivos para produção sustentável

O novo Plano Safra também amplia os estímulos à adoção de práticas sustentáveis e à regularização ambiental das propriedades rurais.

Produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado poderão obter redução de até 0,5 ponto percentual na taxa de juros de custeio. Outro desconto de até 0,5 ponto percentual será concedido àqueles que comprovarem a adoção de práticas agropecuárias sustentáveis ou certificações reconhecidas.

Ao todo, o benefício poderá reduzir em até 1 ponto percentual a taxa de juros aplicada às operações de custeio.

Segundo o governo, a medida busca incentivar modelos de produção que conciliem aumento da produtividade, responsabilidade ambiental e melhoria das condições de financiamento.

◎ Gestão de riscos ganha reforço

A política de gestão de riscos também foi fortalecida nesta edição do Plano Safra.

O governo ampliou o incentivo à contratação do Proagro e do seguro rural, estabelecendo que a possibilidade de renegociação das operações de custeio agrícola ficará vinculada à existência dessas coberturas.

A proposta busca ampliar o uso de mecanismos de proteção contra perdas decorrentes de eventos climáticos ou outros fatores que afetem a produção, reduzindo a necessidade de medidas emergenciais após prejuízos nas lavouras.

◎ Recursos para modernização e energia renovável

Os investimentos previstos contemplam projetos voltados à modernização tecnológica das propriedades rurais.

Entre as prioridades está a expansão do InvestAgro, programa que amplia o apoio à geração e distribuição de energia renovável nas propriedades, incluindo sistemas de energia solar, biomassa, energia eólica, cogeração e armazenamento de energia elétrica.

A expectativa é que esses investimentos contribuam para reduzir custos operacionais, aumentar a segurança energética e elevar a produtividade do setor.

◎ Armazenagem e logística

O Plano Safra também amplia o financiamento destinado à construção, reforma e modernização de armazéns e câmaras frias.

Segundo o governo, a medida pretende reduzir perdas na produção, melhorar a logística e ampliar a capacidade de conservação e comercialização dos produtos agrícolas.

Com maior capacidade de armazenagem, produtores, cooperativas e agroindústrias poderão administrar melhor o momento da venda da produção, agregando valor e aumentando sua competitividade.

◎ Ampliação da oferta de crédito

Além da redução dos juros, o governo afirma que o Plano Safra 2026/2027 reforça a combinação entre diferentes fontes de financiamento, reunindo recursos controlados, equalizados, não equalizados e provenientes do mercado financeiro.

A estratégia pretende ampliar a oferta de crédito rural, atender diferentes perfis de produtores e assegurar recursos para custeio, comercialização e investimentos em toda a cadeia da agricultura empresarial.

Com orçamento recorde, redução das taxas de financiamento, incentivo à sustentabilidade, fortalecimento da gestão de riscos e estímulo à modernização da produção, o Plano Safra 2026/2027 busca ampliar a capacidade produtiva do agronegócio brasileiro e fortalecer a competitividade do setor nos mercados interno e externo.

Fonte: Brasil 247

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