quinta-feira, 11 de junho de 2026

Flávio Bolsonaro se afunda no caso Dark Horse e não consegue furar bolha bolsonarista

Senador busca avançar entre mulheres, jovens e idosos, segmentos em que Lula lidera, para tentar reduzir distância eleitoral

       Flávio Bolsonaro (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta sair da bolha bolsonarista para reagir nas pesquisas e ampliar seu alcance entre mulheres, jovens e idosos, segmentos nos quais o presidente Lula aparece em vantagem. A avaliação de aliados é que o senador precisa conquistar eleitores independentes para conter o desgaste recente e reduzir a distância em relação ao petista.

As informações são do jornal O Globo. Segundo a reportagem, a pré-campanha de Flávio considera que a transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro já ocorreu em grande medida, o que torna mais urgente a busca por apoio fora do núcleo mais fiel do bolsonarismo

A estratégia ganhou força após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest, que mostrou Lula à frente de Flávio tanto no cenário geral quanto em recortes considerados decisivos pela campanha. O levantamento apontou ainda que 36% dos entrevistados admitem a possibilidade de mudar de candidato até outubro, dado visto por aliados do senador como sinal de que ainda há espaço para crescimento.

Nos bastidores, integrantes da pré-campanha avaliam que o caso “Dark Horse” agravou as dificuldades de Flávio para dialogar com setores independentes do eleitorado. O episódio envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro é tratado por auxiliares como um fator de desgaste que fortaleceu Lula justamente entre grupos considerados estratégicos.

O principal obstáculo está entre as mulheres. De acordo com a Quaest, Lula tem 41% das intenções de voto nesse segmento, contra 24% de Flávio. Outros 13% dizem ainda não saber em quem votar. A diferença de 17 pontos preocupa a campanha, especialmente porque as mulheres representam 52% do eleitorado brasileiro.

Para tentar reduzir essa distância, Flávio tem feito acenos ao eleitorado feminino. O tema aparece inclusive nas discussões sobre a composição da chapa presidencial. O senador já afirmou que gostaria de ter uma mulher como vice e reforçou esse discurso durante o evento Brasil de Ideias Mulher, promovido pelo Grupo Voto em São Paulo.

No encontro, Flávio defendeu maior presença feminina em cargos de comando e afirmou ser favorável a “mais mulheres no governo e mais mulheres no Supremo Tribunal Federal”. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques também ganhou destaque no evento, ao discursar sobre independência financeira feminina e ser apresentada por aliados como exemplo de liderança conservadora.

O esforço ocorre, porém, em um momento em que Michelle Bolsonaro ainda não está plenamente engajada na campanha presidencial. Considerada uma das figuras mais populares do campo conservador entre mulheres, a ex-primeira-dama disse nesta semana que pretende apoiar Flávio, mas “no momento certo”, afirmando que sua prioridade continua sendo a recuperação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar da desvantagem apontada pela pesquisa, aliados do senador afirmam que o cenário ainda está longe de estar consolidado. A deputada federal Greyce Elias (PL-MG) diz que diferentes levantamentos têm mostrado cenários distintos ao longo do ano e que a disputa permanece aberta.

Reservadamente, parlamentares do PL dizem ver espaço para crescimento entre mulheres conservadoras. Esses interlocutores avaliam que debates sobre identidade de gênero e o uso de expressões como “pessoas que gestam” em documentos oficiais poderiam afastar parte desse eleitorado da esquerda e abrir margem para o senador.

Nos bastidores, porém, aliados admitem que a direita tem explorado pouco episódios envolvendo falas de Lula que poderiam gerar desgaste nesse campo. Um exemplo citado é a declaração do presidente ao comentar uma pesquisa sobre aumento da violência contra mulheres após jogos de futebol, quando disse que, se “o cara é corinthiano, tudo bem”.

A faixa etária também está no centro da estratégia. Entre os jovens, Lula aparece com 36% das intenções de voto, contra 30% de Flávio. Outros 11% se declaram indecisos. Integrantes da pré-campanha veem esse grupo como um dos mais voláteis da disputa e, por isso, com potencial de crescimento.

Flávio tem intensificado a produção de conteúdo para redes sociais e apostado em vídeos e formatos digitais voltados também ao público mais novo. Nesse segmento, porém, a disputa inclui Renan Santos, do Missão, que adota um discurso antissistema e aparece com 4% entre eleitores de 16 a 34 anos.

Na eleição de 2024, jovens dessa faixa etária somavam 51.077.225 eleitores, o equivalente a 32,76% do eleitorado. O peso desse grupo explica a aposta crescente da campanha em comunicação digital.

Entre os idosos, o quadro também acende alerta. Segundo a Quaest, Lula tem 41% das intenções de voto entre eleitores com 60 anos ou mais, contra 29% de Flávio. Outros 9% ainda não escolheram candidato. Em 2024, esse grupo representava cerca de 21% do eleitorado.

O desempenho entre idosos ajuda a explicar a cautela da pré-campanha ao tratar de temas como Previdência. A preocupação aumentou após declarações do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, sobre a necessidade de discutir mudanças na área. Interlocutores do parlamentar afirmam que suas falas foram mal interpretadas e depois esclarecidas.

Aliados reconhecem que temas ligados à aposentadoria têm forte impacto sobre eleitores mais velhos. Integrantes da campanha dizem que o plano de governo já está em fase avançada de elaboração e deve incluir propostas para a área, mas o conteúdo vem sendo mantido sob sigilo para evitar desgastes antecipados.

O desafio de Flávio será equilibrar pautas que mobilizam a base mais fiel da direita com temas capazes de dialogar com públicos mais amplos. Essa tensão ficou evidente quando o senador voltou a defender, na Bahia Farm Show, medidas como a redução da maioridade penal e a castração química para condenados por crimes sexuais, em aceno ao eleitorado que prioriza segurança pública.

A tentativa de ampliar a candidatura para além da bolha bolsonarista dependerá da capacidade de Flávio de conquistar eleitores independentes sem perder apoio entre os setores mais fiéis da direita. O desempenho entre mulheres, jovens e idosos deve ser um dos principais indicadores dessa estratégia nos próximos meses.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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