quinta-feira, 11 de junho de 2026

Flávio Bolsonaro acumula más notícias em pesquisa Quaest

Levantamento mostra desgaste do senador em meio ao caso Master e debate sobre tarifas, enquanto Lula registra melhora em indicadores de aprovação

           Flávio Bolsonaro (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)

A mais recente pesquisa Genial/Quaest trouxe sinais positivos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ampliou os desafios políticos enfrentados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. A análise foi publicada pela jornalista Miriam Leitão, em reportagem de O Globo, com base nos dados do levantamento divulgado nesta semana.

Segundo a pesquisa, o principal revés para Flávio Bolsonaro não está apenas na distância em relação a Lula nas intenções de voto, mas na avaliação negativa de sua atuação em temas recentes que ganharam repercussão nacional. Entre eles estão o chamado caso Master, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, e sua posição em relação às tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

O levantamento indica que parte significativa dos entrevistados considera que as tarifas norte-americanas prejudicam o Brasil. De acordo com os dados, 55% afirmam que as medidas podem impactar negativamente suas vidas, enquanto 47% concordam com a avaliação de Lula de que Flávio Bolsonaro teria atuado em favor da adoção de novas tarifas contra produtos brasileiros.

O tema ganhou relevância após manifestações públicas de integrantes da família Bolsonaro em apoio às medidas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em ocasiões anteriores, o deputado federal Eduardo Bolsonaro chegou a agradecer a Trump pelas ações e afirmou que os brasileiros compreenderiam o que chamou de “remédio amargo, mas necessário”.

Durante entrevista concedida à jornalista Miriam Leitão, o embaixador Maurício Lyrio, que participou das negociações brasileiras relacionadas às tarifas e da defesa do país em investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos, criticou a decisão americana.

“É injusto que o Brasil seja penalizado com as tarifas. O Brasil em 16 anos acumulou déficits de US$ 450 bilhões. A filosofia da atual política comercial dos Estados Unidos é ‘já que eu tenho déficit com outros países, eu vou pôr tarifas para reequilibrar o comércio’. Só que o Brasil tem déficit. Penalizar o Brasil é um erro”, afirmou.

Lyrio também destacou a redução da participação norte-americana no comércio exterior brasileiro ao longo das últimas décadas. Segundo ele, a fatia dos Estados Unidos nas transações comerciais do Brasil já representou cerca de 25% do total, mas caiu para menos de 10% no ano passado.

⊛ Debate sobre facções criminosas divide opiniões
Outro tema analisado pela pesquisa envolve a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O assunto dividiu a opinião pública.

Os números apontam que 47% dos entrevistados acreditam que Flávio Bolsonaro teve influência sobre a medida. Além disso, 53% avaliam que a decisão pode trazer prejuízos para bancos e empresas brasileiras. Mesmo entre eleitores identificados com o campo bolsonarista, há divergências: 29% consideram que os Estados Unidos não deveriam ter adotado essa classificação.

A pesquisa também mediu a percepção sobre quem representa melhor os interesses nacionais. Nesse quesito, Lula aparece à frente, com 47% das respostas, enquanto Flávio Bolsonaro registra 37%.

⊛ Economia apresenta sinais de melhora para o governo
Embora a percepção sobre a economia ainda seja predominantemente negativa, o levantamento mostra uma melhora gradual em alguns indicadores favoráveis ao governo federal.

O percentual de entrevistados que afirmam que a economia piorou nos últimos 12 meses caiu de 50%, em abril, para 44% agora. Também houve redução no número de pessoas que dizem ter visto mais notícias negativas do que positivas sobre a situação econômica do país.

Entre as políticas públicas avaliadas, o programa Novo Desenrola recebeu aprovação expressiva. Metade dos entrevistados considera a iniciativa uma boa ideia, enquanto apenas 25% a classificam de forma negativa.

Os dados também indicam melhora na situação financeira de parte da população. O percentual de pessoas que afirmam ter muitas dívidas recuou de 28% para 23%, enquanto aqueles que dizem não possuir dívidas aumentaram de 27% para 30%.

Entre os brasileiros com renda de até dois salários mínimos, a redução foi ainda mais significativa: a parcela que declara enfrentar elevado endividamento caiu de 32% para 23%.

Outro ponto destacado pela pesquisa foi a ampliação da percepção dos efeitos da política de isenção do Imposto de Renda. Nesse mesmo segmento de renda, o percentual de pessoas que afirmam já sentir os benefícios da medida passou de 17% em abril para 32% atualmente.

⊛ Lula lidera em diferentes segmentos do eleitorado
Na disputa presidencial simulada pela Quaest, Lula aparece em vantagem sobre Flávio Bolsonaro em diversos segmentos do eleitorado. O presidente lidera tanto entre homens quanto entre mulheres, com diferença mais expressiva no eleitorado feminino.

Segundo o levantamento, Lula vence em todas as faixas etárias pesquisadas e apresenta melhor desempenho entre eleitores com menor escolaridade. Entre aqueles que possuem apenas ensino fundamental, a vantagem chega a 23 pontos percentuais.

Já entre eleitores independentes, a simulação de segundo turno mostra avanço do atual presidente em relação à pesquisa anterior, com crescimento de oito pontos.

⊛ Caso Master agrava desgaste de Flávio Bolsonaro
O episódio que mais afetou a imagem do senador, de acordo com a pesquisa, foi o caso Master. O levantamento aponta que 65% dos entrevistados consideram que Flávio Bolsonaro errou ao solicitar financiamento a Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Além disso, 60% afirmam que as conversas entre o senador e o banqueiro despertam suspeitas. Outros 58% acreditam que Flávio pode estar ocultando algum tipo de envolvimento ilegal relacionado ao caso, enquanto 62% consideram que ele tinha conhecimento de acusações envolvendo corrupção atribuídas ao empresário.

Os resultados reforçam um cenário de desgaste para o senador e indicam que temas recentes da agenda política e econômica passaram a influenciar de forma significativa a percepção dos eleitores sobre sua atuação pública.

Fonte: Brasil 247

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