Desembarque de Flávio Bolsonaro nos EUA, onde entrou com passaporte italiano. Foto: Reprodução
A cidadania italiana do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cria um obstáculo jurídico para uma eventual concessão de asilo político pelos Estados Unidos. Decisões recentes da área migratória americana estabeleceram que cidadãos da União Europeia são presumivelmente inelegíveis ao benefício porque podem viver legalmente, por tempo indeterminado, em países do bloco.
Em decisão divulgada em 9 de outubro, a Junta de Apelações de Imigração dos EUA afirmou que “cidadãos da União Europeia são, presumivelmente, inelegíveis para a concessão de asilo nos EUA, uma vez que têm o direito de residir legalmente, por tempo indeterminado, em qualquer Estado-membro da União Europeia”.
O entendimento envolveu uma estudante com passaportes do Gabão e da França. Ela entrou nos Estados Unidos como estudante em 2016 e pediu asilo dois anos depois, alegando risco de perseguição por sua ligação familiar com opositores de Ali Bongo, presidente gabonês entre 2009 e 2023.
As autoridades americanas negaram o pedido porque não identificaram “um temor fundamentado de perseguição na França”, considerada um país seguro. A decisão também apontou que a estudante poderia morar com segurança em outro país da União Europeia.
Denúncia vinda da Itália
O deputado italiano Angelo Bonelli, da Aliança dos Verdes e da Esquerda (AVS), apresentou nesta quarta-feira (28) um pedido formal de esclarecimentos ao governo de Giorgia Meloni sobre a concessão da cidadania italiana a Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro.
O parlamentar suspeita de tratamento privilegiado na tramitação dos documentos e questiona a rapidez do processo, concluído para Flávio e Eduardo em 2023, enquanto outros requerentes aguardam anos na fila. Flávio utilizou o passaporte italiano para entrar na Argentina antes de seguir para os Estados Unidos, onde apresentou seu passaporte diplomático brasileiro, já cancelado pela Polícia Federal. “O passaporte italiano não pode ser utilizado para fugir da Justiça”, declarou Bonelli, que cobrou uma investigação sobre possíveis irregularidades na concessão da cidadania.