quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Moraes intima diretor de hospital onde Bolsonaro estava internado

A defesa tem pedido ao Judiciário que transfira o ex-mandatário para a prisão domiciliar, o que foi negado pelo STF

Jair Bolsonaro em sua casa em Brasília onde cumpre prisão domiciliar - 03/09/2025 (Foto: REUTERS/Diego Herculano)

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes assinou um mandado de intimação para que o Diretor do Hospital DF Star/DF, Allisson Barcelos Borges, preste esclarecimento sobre o estado de saúde de Jair Bolsonaro (PL).

Nessa quarta (7), Bolsonaro passou por exames no hospital DF Star, em Brasília (DF), após ter sofrido uma queda. O acidente ocorreu seis dias após receber alta. O ex-mandatário foi internado após passar por procedimentos médicos para tratar uma hérnia e um quadro de soluços.

Atualmente, o político da extrema-direita está em uma cela da Polícia Federal e sofreu a queda na cela, durante a madrugada desta terça-feira (6). Moraes deve verificar a possibilidade de que os exames sejam feitos no sistema penitenciário.

Advogados também reclamaram da cela da PF. A corporação informou que não é possível "reduzir significativamente", com "medidas simples ou pontuais", o ruído no sistema de ar-condicionado do local em que o político da extrema-direita está preso.

A defesa do ex-mandatário, condenado a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista, tem pedido ao Judiciário que Bolsonaro cumpra prisão domiciliar. Ele foi acusado de cinco crimes - golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio tombado.

Fonte: Brasil 247

Relator apresenta PL da Anistia após Lula vetar redução de pena dos golpistas


        Senador Esperidião Amin (PP-SC). Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Após o veto do presidente Lula ao PL (Projeto de Lei) da Dosimetria, o senador Esperidião Amin (PP-SC) protocolou um novo projeto, o da Anistia, nesta quinta (8). O senador, que foi o relator do projeto vetado, justificou a proposta como uma forma de “pacificar o país”.

A medida visa anistiar todos os condenados pelo ataque golpista de 8 de janeiro de 2023, inclusive aqueles envolvidos no vandalismo daquele dia. Segundo Amin, o veto de Lula é “incoerente” e a anistia é necessária para resolver as tensões políticas.

O novo projeto de anistia propõe a liberação de todos os que participaram ou apoiaram as manifestações de 8 de janeiro, independentemente do tipo de envolvimento, seja por doações, apoio logístico ou até mesmo publicações em mídias sociais.

Uma das questões centrais do projeto é a anulação das punições digitais, um ponto de atrito entre o bolsonarismo e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso incluiria o desbloqueio de contas e perfis suspensos durante as investigações.

O presidente Lula durante assinatura do veto ao PL da Dosimetria nesta quinta (8). Foto: Ricardo Stuckert/PR
O texto também prevê a revogação de “quaisquer medidas de restrição de direitos”, como liminares ou sentenças que limitam a liberdade de expressão, especialmente em redes sociais. Isso representaria uma ampla revogação de penalidades impostas a indivíduos que participaram dos atos, garantindo que não sejam mais afetados por ações judiciais que restrinjam sua liberdade online.

Em sua justificativa, o senador Amin afirmou que o PL da Anistia busca corrigir o que considera “injustiças desmedidas” nos julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro. Ele defende que a anistia não deve ser vista como impunidade, mas como um instrumento de “reconciliação nacional” para superar divisões e ressentimentos.

Amin argumenta que, ao contrário do que foi sugerido pelo governo, a decisão de anistiar não fere a democracia, mas serve para pacificar a nação.

A oposição ao veto de Lula ganhou força após as críticas aos julgamentos e às medidas de restrição que afetaram aqueles envolvidos nas manifestações.

Fonte: DCM

Prefeitura de Apucarana reforça segurança de dados e continuidade dos serviços com gerador próprio de energia

Com custo de R$137 mil, sistema que inclui dois no-breaks entrou em operação em novembro e já evitou falhas em pelo menos três quedas de energia elétrica


Desde novembro do ano passado, o prédio central da Prefeitura de Apucarana conta com um gerador de energia a diesel de alta eficiência. Adquirido com recursos municipais, o equipamento supre uma necessidade de décadas garantindo energia por até sete horas em caso de interrupção temporária no fornecimento pela Companhia de Energia Elétrica do Paraná (Copel).

O prefeito Rodolfo Mota explica que o investimento faz parte da política de modernização do serviço público municipal e, na prática, garante a continuidade do fornecimento de energia ao Data Center (que opera o sistema, rede de computadores e internet), bem como a todos os departamentos que funcionam no prédio central. Ele relata que durante as últimas duas décadas, as quedas de energia trouxeram prejuízos diretos ao trabalho dos servidores municipais e ao atendimento da população.

“Além da perda de dados e até de maquinas físicas e virtuais, a falta de energia provocava a paralisação imediata dos trabalhos, especialmente dos departamentos que dependem de acesso ao sistema. Na outra ponta, a maior prejudicada acabava sendo a população pois, mesmo que a falta de energia fosse apenas na área central (onde está a prefeitura), os servidores da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), unidades de saúde e escolas, por exemplo, ficavam impossibilitadas de acessar o sistema, que está alojado no Data Center no prédio da prefeitura. Isso agora faz parte do passado”, comemorou o prefeito Rodolfo Mota.

O superintendente municipal do Departamento de Tecnologia da Informação (DTI), Osmar Caniato, afirma que a instalação do gerador próprio representa o fim de uma vulnerabilidade histórica da Prefeitura. “Por décadas convivemos com o risco constante de quedas de energia, que derrubavam o sistema, causando interrupção da internet, perda de dados e até de máquinas físicas e virtuais gerados por desligamentos bruscos. Cada oscilação era como tirar os servidores da tomada”, relata.

Caniato enaltece o investimento feito pela atual gestão. “Essa era uma luta antiga do setor de tecnologia, discutida há mais de 20 anos. Hoje temos segurança operacional, continuidade dos sistemas e proteção real das informações do Município. É uma conquista estratégica viabilizada pelo prefeito Rodolfo Mota, que evita prejuízos, garante estabilidade e assegura que serviços essenciais não parem”, afirma.

Além da segurança operacional, o superintendente do DTI conta que o investimento foi marcado pela responsabilidade no uso dos recursos públicos. “Mesmo sendo um equipamento estratégico, o custo ficou muito abaixo do que vinha sendo orçado em tentativas anteriores. Conseguimos adquirir o gerador e os no-breaks por cerca de R$ 137 mil, quando estimativas anteriores ultrapassavam R$ 200 mil. Foi uma compra direta com o fabricante, sem intermediários, o que garantiu economia e qualidade”, conclui.

Desde que entrou em operação, no início de novembro, o gerador já foi acionado pelo menos três vezes, evitando quedas do sistema e possíveis perdas de dados. “Em todas essas situações, os serviços continuaram funcionando normalmente, sem qualquer impacto para os servidores ou para a população”, afirma o engenheiro eletricista Nilton Fornaciari Júnior, diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento, Pesquisa e Planejamento (Idepplan).

Ele explica que o equipamento adquirido pela prefeitura é o mesmo utilizado por grandes corporações, em especial provedoras de internet. “O sistema foi projetado com foco em segurança, redundância e qualidade da energia. Hoje o Data Center da Prefeitura opera dentro do padrão utilizado em estruturas críticas. A energia da Copel passa pelo sistema do gerador e alimenta dois no-breaks independentes, garantindo redundância total. Em caso de oscilação ou queda, os no-breaks seguram a carga sem qualquer interrupção e, em cerca de um minuto, o gerador a diesel entra automaticamente em operação, mantendo todos os sistemas ativos”, detalha o engenheiro elétrico. Segundo Fornaciari, isso garante não apenas continuidade, mas qualidade da energia, preservando servidores, sistemas e a integridade dos dados. “Hoje, mesmo com até sete horas sem energia externa, a Prefeitura segue operando normalmente, sem prejuízo para os serviços públicos”, conclui, ressaltando que o equipamento foi instalado por eletricistas da própria prefeitura.

Fonte: Prefeitura de Apucarana

Operação Ruído Zero reduz barulho excessivo e amplia a tranquilidade nos bairros

Ação da SEGTRAN e da GCM, com apoio da Polícia Militar do Paraná, retirou mais de 80 veículos irregulares das ruas e reforçou o sossego público, especialmente no período noturno


A Prefeitura de Apucarana, por meio da Secretaria Municipal de Segurança e Trânsito (SEGTRAN), agentes municipais de trânsito e da Guarda Civil Municipal (GCM), divulgou nesta quinta-feira (08/01) o balanço da Operação Ruído Zero, ação que contribuiu para reduzir o barulho excessivo e ampliar a tranquilidade nos bairros, especialmente no período noturno. Realizada entre novembro e dezembro, a operação teve como foco coibir irregularidades no trânsito e práticas que comprometem o sossego público.

Ao longo de sete edições, a Operação Ruído Zero resultou na remoção de 62 motocicletas, 19 bicicletas motorizadas e um automóvel, além da aplicação de multas. Entre as irregularidades mais recorrentes estavam escapamentos adulterados, ausência de retrovisores, placas dobradas ou encobertas e alterações que elevam o nível de ruído dos veículos. As abordagens foram concentradas principalmente em bairros da cidade e em horários noturnos, com o objetivo de conter os chamados “rolezinhos” e manobras conhecidas como “grau”.

O prefeito Rodolfo Mota destacou a importância da iniciativa como parte do compromisso da administração municipal com a qualidade de vida da população. “Essa operação não é apenas uma ação de fiscalização, mas um gesto de respeito aos cidadãos que buscam sossego, especialmente idosos, crianças, autistas e pessoas acamadas. O barulho excessivo causado por veículos irregulares perturba o bem-estar coletivo e não vamos tolerar isso”, reiterou.

O secretário municipal de Segurança e Trânsito, Vilson Laurentino da Silva, destacou que a Operação Ruído Zero foi planejada com base em dados técnicos e nas demandas apresentadas pela população. “Nosso foco é garantir tranquilidade nos bairros e segurança no trânsito, com ações organizadas, presença nos horários mais sensíveis e fiscalização rigorosa de veículos que desrespeitam a lei. É uma resposta direta às reclamações que recebemos e um compromisso permanente da gestão”, afirmou.

Segundo o comandante da Guarda Civil Municipal, Fábio de Souza, a operação foi estruturada a partir de inúmeras reclamações recebidas pelos canais oficiais da Prefeitura e da GCM. “A população manifestava grande incômodo com o ruído de escapamentos adulterados, especialmente durante a madrugada. É uma ação em respeito àqueles que andam de acordo com a lei”, afirmou, destacando o apoio da Polícia Militar.

O diretor operacional de Trânsito do Município, Felipe Augusto Rosa, ressaltou que muitos dos veículos apreendidos apresentavam características típicas de uso em manobras perigosas, conhecidas popularmente como “grau”. “Registramos situações de motos sem retrovisores, com placas dobradas ou cobertas com fita isolante, tudo para dificultar a identificação. Também verificamos rabeta ralada, característica desse tipo de prática, além de alterações de potência”, citou.

De acordo com o agente de trânsito, os critérios técnicos da fiscalização se baseiam na Resolução nº 418/2009 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que estabelece limites máximos de emissão de ruído por veículos. “Quando constatadas irregularidades, o condutor é autuado com multa no valor de R$ 195,85 por conduzir veículo com silenciador defeituoso, deficiente ou inoperante. Havendo outras pendências administrativas, como falta de licenciamento ou documentação irregular, o veículo é removido ao pátio”, esclareceu.

Felipe reforçou que a operação teve aprovação da população e terá continuidade em 2026. “Recebemos muitos elogios, com relatos de redução drástica dos ‘rolezinhos’ neste fim de ano. Há casos de condutores que passaram a trocar escapamentos irregulares e até recolocar retrovisores para evitar autuações. Esse é exatamente o efeito que buscamos: conscientização aliada à fiscalização rigorosa”, concluiu.

Fonte: Prefeitura de Apucarana


Regional de Saúde começa liberar lotes de novo método contraceptivo

Mulheres de Apucarana e Arapongas terão acesso a implantes subdermicos a partir de fevereiro

Carlos Eduardo Arruda “Cadu”, Paulo Vital, Sabrina Kuniczki e Guilherme de Paula 

A 16ª Regional de Saúde de Apucarana fez nesta quinta-feira (8) a entrega dos primeiros lotes de implantes subdermicos (contraceptivos) para os municípios de Apucarana e Arapongas. Por enquanto, o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) enviou para as regionais o implante subdermico somente para os municípios com população superior a 50 mil habitantes.

Os secretários municipais de saúde Guilherme de Paula (Apucarana) e Carlos Eduardo Arruda “Cadu” (Arapongas), receberam – respectivamente – 453 doses e 420 doses. O novo método é implantado, de forma subcutânea, no braço da mulher e tem duração de três anos e com comprovada eficiência contraceptiva.

O diretor da 16ª Regional de Saúde, Paulo Vital, fez a entrega dos primeiros lotes aos secretários de Apucarana e Arapongas. Ambos anunciaram que seus médicos e enfermeiros já passaram por capacitação específica. Os dois municípios anunciaram que devem iniciar os implantes subdermicos em mulheres a partir de fevereiro.

“Os demais municípios serão contemplados numa segunda etapa”, anuncia o Vital. Conforme revela ele, o Paraná registrou um crescimento de quase 120% no número de implantes anticoncepcionais de etonogestrel, o Implanon NXT, entre 2024 e 2025. “A crescente adesão ao novo contraceptivo mostra o esforço do Estado e municípios em ampliar o acesso a tecnologias de ponta para o planejamento reprodutivo”, assinala Vital.

Conforme ressalta o secretário de estado da saúde, Beto Preto, a rede pública de saúde do Paraná oferta um implante contraceptivo mais eficaz, moderno e seguro que os anticoncepcionais orais. “Investir em planejamento reprodutivo é investir em saúde, dignidade e futuro”, frisa Beto Preto.

O implante de etonogestrel é um método reversível e de alta eficácia, que se soma a outras opções já disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Ele atua no organismo por até três anos, sem necessidade de intervenções durante esse período.

O secretário de saúde de Apucarana, Dr. Guilherme de Paula, diz que o uso no novo método tem critérios a serem seguidos e, de início, será distribuído obedecendo algumas prioridades. “Existem protocolos que devem ser observados, mas posso garantir que o novo método contraceptivo é muito eficiente e gratuito, sendo autorizado para mulheres de 14 a 49 anos”, informa Guilherme de Paula, frisando que, trata-se de um avanço muito significativo.

A chefe da seção de Atenção Primária e coordenadora da área materno infantil da 16ª RS, Sabrina Kuniczki, explica que, além de Apucarana e Arapongas, os demais municípios também serão atendidos na sequência. “Trata-se de um direito de saúde sexual e reprodutiva, que contempla ainda o planejamento familiar. Nós iremos capacitar, gradativamente, os médicos e enfermeiros dos demais municípios da nossa área, para a inserção do subdermico `Implanon´ nas mulheres que manifestarem interesse”, anuncia a enfermeira obstétrica Sabrina Kuniczki.

Fonte: Assessoria

Estudo revela em que idade começa a velhice


       Mãos de idosa. Foto: Reprodução

Um estudo da Universidade de Stanford, publicado na revista Nature Medicine, aponta que a velhice, do ponto de vista biológico, começa aos 78 anos. A pesquisa, liderada por Tony Wyss-Coray, analisou os componentes celulares de milhares de pessoas e identificou os momentos específicos em que o “relógio biológico” acelera, levando o corpo a sinais visíveis de envelhecimento.

O estudo revelou três fases distintas no desenvolvimento biológico ao longo da vida: a idade adulta (34-60 anos), a maturidade tardia (60-78 anos) e a fase final do envelhecimento, iniciada aos 78 anos. Os cientistas observaram que as mudanças no corpo não acontecem de maneira uniforme, mas sim em momentos críticos com variações abruptas nos níveis de proteínas plasmáticas.

O primeiro declínio no corpo ocorre aos 34 anos, marcando o fim da juventude biológica e o início da vida adulta. Essa primeira fase é caracterizada por uma gradual deterioração das funções corporais, embora o envelhecimento avançado só comece a se manifestar de forma mais acentuada após os 78 anos.

O estudo relaciona o envelhecimento a uma capacidade reduzida de reparo do DNA, o que provoca uma série de mudanças físicas, como o enfraquecimento do sistema esquelético, a interrupção dos padrões de sono, a diminuição da audição e da visão, além da perda de massa muscular e o aparecimento de rugas e manchas na pele. O metabolismo também diminui, e o cérebro começa a apresentar dificuldades de memória, refletindo uma diminuição geral na produção de proteínas e alterações no ambiente molecular do corpo.

Fonte: DCM

Atos antidemocráticos de 8 de janeiro: STF avança na responsabilização dos envolvidos

O relator dos casos, ministro Alexandre de Moraes, apresentou um balanço dos processos


O ministro Alexandre de Moraes informou, nesta quinta-feira (8), que 1.399 pessoas foram responsabilizadas criminalmente pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. As ações resultaram na invasão e depredação das sedes da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Esses números incluem o ex-presidente da República Jair Bolsonaro e 28 ex-integrantes de seu governo, condenados por planejar uma tentativa de golpe de Estado para evitar a posse de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República, e também cinco ex-integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal, responsabilizados por omissão no exercício de suas funções, por permitirem o acesso dos manifestantes à praça dos Três Poderes e o vandalismo nos prédios.

Sanções impostas

A grande maioria, 979 pessoas (68,9%), foi responsabilizada por delitos de menor gravidade e tiveram penas de até um ano de detenção (415) ou foram beneficiadas por Acordos de Não Persecução Penal (ANPPs).

Para os que cometeram crimes de maior gravidade, 254 (18,1%) tiveram penas fixadas entre 12 e 14 anos de prisão, e 119 (8,5%) entre 16 e 18 anos. Apenas 14 réus, todos integrantes dos quatro núcleos identificados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como responsáveis pelo planejamento e execução das ações principais de suporte à tentativa de golpe de Estado, tiveram penas superiores a 18 anos de prisão. A maior, 27 anos e seis meses de prisão, foi para o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Acordos

Os ANPPs foram oferecidos aos réus que respondiam unicamente pelos delitos de incitação ao crime e associação criminosa, considerados de menor gravidade. Eles estavam acampados em frente aos quartéis, mas não há provas de que tenham participado da tentativa de golpe de Estado, de obstrução dos Poderes da República e nem de dano ao patrimônio público.

Condições

Para serem beneficiados, os réus confessaram os crimes e devem cumprir condições como a prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas, a não cometer delitos semelhantes nem serem processados por outros crimes ou contravenções penais, além do pagamento de multa.

Eles também estão proibidos de participar de redes sociais abertas até o cumprimento total das condições estabelecidas no acordo. Além disso, terão que fazer um curso de 12h sobre Democracia, Estado de Direito e Golpe de Estado.

Indenização

A indenização por danos morais coletivos — o custo da destruição nos prédios públicos — é de no mínimo R$ 30 milhões. Esse valor será quitado de forma solidária por todos os condenados por crimes graves, independentemente do tamanho da pena.

Hotsite

O STF mantém um hotsite dedicado a preservar a memória dos ataques ocorridos na Praça dos Três Poderes, em 2023. A página reúne fotos, áudios e textos que reconstituem os eventos daquele domingo. Acesse e confira o conteúdo.

Fonte: STF

EUA dominam o poder bélico mundial, mas dois países desafiam sua supremacia

O presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado de militares americanos. Foto: Getty Images

A crescente tensão geopolítica, especialmente após os ataques dos Estados Unidos à Venezuela, levantou questionamentos sobre o real poder militar americano e se outras potências, como a China e a Rússia, seriam capazes de desafiar esse domínio.

Segundo dados do Global Fire Power, em 2025, o país continua a ser a maior potência bélica do mundo, seguidos pela Rússia e China. No entanto, em áreas específicas, os dois países têm se mostrado capazes de competir, especialmente no que se refere ao poderio convencional, como armamentos e aeronaves.

A Rússia e a China têm investido em um planejamento estratégico focado no desenvolvimento de armamentos modernos, enquanto os EUA, apesar de seus elevados gastos, não apresentam uma produção tão eficiente.

Ambos os países asiáticos têm se destacado na inovação tecnológica, com a China, por exemplo, avançando na produção de aeronaves de 6ª geração, que fazem frente às de 5ª geração dos EUA, como o F-35. Esses avanços são vistos como uma ameaça crescente ao domínio aéreo americano.

Míssil nuclear russo na Praça Vermelha, em Moscou, Rússia. Foto: Mikhail Svetlov/Getty Images
A China também tem se destacado em áreas como cibersegurança, desenvolvendo sistemas de monitoramento e câmeras extremamente avançadas. O país asiático investe também em tecnologias críticas que impactam diretamente na soberania nacional.

A Rússia segue um caminho mais pragmático, com um foco em armas desenvolvidas de forma mais eficiente para combate, mas sem a sofisticação das tecnologias ocidentais.

Apesar dessas potências estarem cada vez mais próximas dos EUA em termos de capacidade militar, especialistas alertam que o risco de um confronto direto entre essas potências continua baixo. As tensões militares podem continuar, mas as potências se concentrarão em manter e expandir suas áreas de influência.

A Rússia e a China focam mais em suas regiões de interesse, enquanto os EUA continuarão a se concentrar na América Latina, sob a justificativa do combate ao narcotráfico.

Fonte: DCM

Bolsonaristas reagem e prometem derrubar veto de Lula ao PL da Dosimetria


O presidente Lula durante assinatura do veto ao PL da Dosimetria nesta quinta (8). Foto: Ricardo Stuckert/PR

A oposição reagiu ao veto integral do presidente Lula ao “PL da Dosimetria”, anunciado nesta quinta (8), e prometeu que vai tentar derrubar a decisão. O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade), relator do projeto, afirmou que o petista “desconsidera a construção coletiva do Congresso”.

Para o parlamentar, o veto recria tensões que já haviam sido superadas e envia um “sinal perigoso” de que o Brasil não busca paz institucional, mas sim confronto constante. Paulinho da Força também disse ter compromisso em derrubar o veto e que vai “contribuir para a pacificação institucional do Brasil, com firmeza, responsabilidade e compromisso com a democracia”.

O deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara, foi outro opositor do veto. Em suas redes sociais, ele afirmou que o presidente sabe que a sua decisão será derrubada na primeira sessão do Congresso. O bolsonarista acusou o governo de agir com “ódio” contra os “patriotas, a direita e os conservadores”, interpretando o veto como um ataque direto a esses grupos.

O deputado Onyx Lorenzoni (PL-RS) classificou o veto como uma decisão “calculada” e “cruel”. Segundo ele, a atitude de Lula demonstrava um ato de “vingança” e um desrespeito às instituições democráticas.

Bolsonaristas durante o ataque de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, descreveu o veto como “vingança”. “O que se assiste não é Justiça, é vingança, não é democracia, é exceção permanente”, escreveu o ex-vereador.

O veto de Lula se deu ao projeto aprovado pelo Congresso que reduziria as penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O projeto foi aprovado em dezembro e o anúncio foi feito pelo presidente durante uma cerimônia no Palácio do Planalto em memória à data.

Lula, em seu discurso, disse que o veto é uma defesa da democracia e do Estado de Direito, mencionando o julgamento dos golpistas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como “a prova mais contundente do vigor da democracia brasileira”.

Com a formalização do veto, o projeto retornará ao Congresso, onde deputados e senadores terão que decidir se mantêm ou derrubam a decisão de Lula. Para que o veto seja revertido, serão necessários pelo menos 257 votos favoráveis na Câmara e 41 no Senado.

Fonte: DCM

"Ato premeditado", diz Fachin sobre intentona golpista do 8 de janeiro

Presidente do STF diz que Corte deve evitar que o tempo banalize ataques à democracia

          Edson Fachin (Foto: Gustavo Moreno/STF)

Na abertura da exposição 8 de janeiro: Mãos da Reconstrução, realizada no Espaço do Servidor do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, afirmou que os ataques golpistas às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, não foram fruto de improviso ou descontrole momentâneo. Segundo ele, os episódios representaram uma ofensiva planejada contra a ordem democrática. As informações são do G1.

⊛ Discurso de Fachin marca abertura de exposição

Durante o evento, Fachin classificou os ataques como resultado de uma ação deliberada. “Foi um ato premeditado, pautado pela negação do diálogo”, afirmou. Em seguida, destacou a responsabilidade institucional do Supremo diante da gravidade dos acontecimentos. “O dever da Corte é evitar que o tempo promova uma anestesia do mal feito”, acrescentou.

A exposição integra uma série de iniciativas do STF voltadas à preservação da memória dos ataques e à reafirmação dos valores democráticos, reunindo registros do processo de reconstrução após a depredação das sedes dos Poderes.

⊛ Supremo retoma julgamentos após recesso

Com o fim do recesso do Judiciário, o Supremo retoma o julgamento das ações penais relacionadas às invasões e à destruição do patrimônio público. Ao todo, a Corte abriu 1.734 processos referentes aos atos de 8 de janeiro, com base em denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR).

As acusações incluem crimes como organização criminosa, golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e dano ao patrimônio. Parte expressiva desses processos ainda segue em tramitação.

⊛ Condenações, acordos e reparação de danos

Atualmente, 346 ações penais estão em fase final de julgamento no STF. Além disso, há 98 denúncias em etapa de defesa prévia, a maioria relacionada aos financiadores das ações ilegais. Com a retomada dos trabalhos, esses casos podem avançar e resultar em novos processos.

Até agora, o Supremo já proferiu 810 condenações por participação nos atos golpistas. Paralelamente, autorizou 564 acordos de não persecução penal, firmados entre o Ministério Público e os investigados. Esses acordos preveem a reparação dos danos e o cumprimento de medidas restritivas, evitando a prisão. Segundo dados da Corte, mais de R$ 3 milhões já foram destinados ao ressarcimento dos prejuízos causados.

⊛ Trama golpista segue sob análise da Corte

Além dos réus acusados de participação direta nos ataques, o Supremo também julga ações penais relacionadas à chamada trama golpista, que envolve a organização criminosa voltada à ruptura democrática. De acordo com a PGR, essas ações têm ligação direta com os eventos de 8 de janeiro.

No ano passado, quatro ações deste núcleo foram julgadas, resultando em 29 condenações e duas absolvições. O processo referente ao núcleo considerado crucial já foi encerrado, levando sete réus ao cumprimento de pena, entre eles Jair Bolsonaro (PL). Outras três ações penais ainda devem avançar para a fase de recursos no tribunal.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

Morta hoje, Heloisa de Carvalho foi vítima e algoz de seu pai Olavo


      Heloisa de Carvalho, que sempre denunciou a extrema direita na família

Morreu na noite de quarta (7) a ativista Heloisa de Carvalho Martin Arribas, que foi filiada ao PT e ao PSOL. Filha primogênita do guru bolsonarista Olavo de Caralho, ela denunciou o próprio pai desde 2017.

De acordo com o Boletim de Ocorrência, divulgado pela Revista Fórum, seu corpo foi encontrado por um amigo que entrou em contato com a Polícia Civil. Os agentes chegaram em sua residência em torno das 22h52 e ficaram no local até às duas da madrugada.

Foi após uma carta aberta publicada em setembro de 2017, rompendo relações com Olavo, que Heloisa de Carvalho concedeu uma entrevista exclusiva ao Diário do Centro do Mundo, o DCM, falando sobre como ocorreu a mudança do guru para os Estados Unidos. Heloisa contou, com documentos e informações checadas, como o empresário Guilherme Almeida bancou Olavo nos Estados Unidos.

Guilherme é filho de Cecílio do Rêgo Almeida, fundador da construtora CR Almeida. Morto em 2008, Cecílio deixou um império avaliado em 5 bilhões de reais.

O pai nunca perdoou as filha pelas entrevistas com denúncias e ordenou que seus seguidores a atacassem em todas as frentes. Excluiu Heloisa do testamento após sua morte, em 24 de janeiro de 2022. A filha primogênita, de esquerda, defendia até o fim de sua vida que o pai teria morrido por complicações de covid, uma vez que ele era negacionista da vacinação na pandemia.

Olavo, por outras vias, destruiu a saúde psicológica de sua própria filha.

Em uma reviravolta na disputa entre os herdeiros, os irmãos de Heloisa, muitos deles bolsonaristas, se uniram à irmã excluída da herança na disputa contra a madrasta Roxane e seus filhos nos Estados Unidos.

Muitas denúncias contra o bolsonarismo

Heloisa não só se colocou contra o pai, mas também foi a primeira a descobrir a localização de Fabricio Queiroz, o ex-faz-tudo de Bolsonaro, em Atibaia e tentou avisar a imprensa antes da chegada da polícia.

Graças às suas denúncias, ela brigou publicamente com Fred Wassef, que foi advogado da família Bolsonaro. Heloisa de Carvalho também denunciou a teia de seguidores de Olavo que criaram o gabinete das sombras no governo Bolsonaro durante a pandemia, entre muitas outras denúncias

Heloisa e Olavo de Carvalho
Heloisa e Olavo de Carvalho

O adeus

Heloisa e eu mantínhamos contato próximo como jornalista e fonte. No último domingo (4), ela me pediu ajuda para criar uma vaquinha para tratamento dentário. Sempre me deixou claro que nunca enriqueceu com as denúncias seríssimas que fez contra seu pai. Nunca foi totalmente abraçada pela esquerda e sempre foi odiada pela extrema direita.

Helô foi uma heroína que ajudou a desmontar o principal ideólogo da extrema direita. Que a luta dela inspire muitos outros a se revoltarem contra essas ideias nefastas que matam as pessoas e que mataram as pessoas nos piores anos de Bolsonaro no poder.

Que Helô encontre a sua paz, depois de muito sofrer. Obrigado por tudo o que você me fez, minha amiga.

Fonte: DCM

Ex-ministro Celso de Mello envia mensagem ao STF em memória do 8/1

 

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello. Foto: Nelson Jr/STF
O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello enviou uma mensagem ao presidente da Corte, Edson Fachin, em agradecimento pelo convite para participar das atividades relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. No documento, o ex-magistrado afirmou que não poderia comparecer devido a razões médicas.

Celso de Mello destacou a importância de lembrar o ataque às instituições da República ocorrido naquele domingo de 2023, apontando que o esquecimento é o maior aliado da barbárie. Segundo ele, a memória democrática não deve ser um exercício retórico ou um culto ao passado, mas sim uma ferramenta essencial para a proteção do futuro. “

A memória democrática não é exercício retórico nem culto ao passado: é instrumento de defesa do futuro”, afirmou. O ministro aposentado também advertiu sobre os perigos de relativizar os ataques ao Estado de Direito.

“Quando se apagam os vestígios da violência institucional, quando se relativiza o ataque aos símbolos do Estado de Direito, abre-se espaço para que a intolerância se reorganize, se legitime e volte a agir”, prosseguiu.

Bolsonaristas durante o ataque golpista de 8 de janeiro de 2023. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ele reforçou que a preservação da memória constitucional não é uma opção, mas um “imperativo cívico”, sendo fundamental para que a sociedade evite a repetição de eventos traumáticos como os do 8 de janeiro. Para Celso, a preservação da memória histórica é a única maneira de garantir que a violência institucional não se repita.

Celso de Mello se aposentou do STF em outubro de 2020, após cumprir 31 anos de serviço na Suprema Corte. Sua mensagem ao STF reflete seu compromisso com a defesa das instituições democráticas e sua preocupação com os rumos da democracia no Brasil.

Leia a carta na íntegra:

Eminente Senhor Presidente do STF, Ministro EDSON FACHIN,

Muito agradeço o honroso convite formulado por Vossa Excelência para as atividades de rememoração do episódio da invasão do prédio da Suprema Corte do Brasil!

Trata-se de importante manifestação do espírito democrático dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, tão bem e legitimamente representados por Vossa Excelência, de repulsa ao vergonhoso (e criminoso) episódio, com que mentes autoritárias, guiadas por grupo criminoso instalado na Presidência da República e nos mais altos escalões das Forças Armadas, pretenderam conspurcar a sacralidade de nossa Constituição e do regime
democrático que nos rege a todos neste País!

É preciso sempre recordar o assalto às instituições da República, para que episódios como o da invasão do edifício-sede do STF jamais voltem a ocorrer!

Essa afirmação, que provém de mentes responsáveis e preocupadas com o respeito e a subsistência do princípio democrático, traduz, com notável densidade cívica, uma advertência histórica que as Repúblicas não podem se permitir esquecer.

É preciso, sim, recordar sempre o assalto às instituições da República, porque o esquecimento é o primeiro aliado da barbárie. A memória democrática não é exercício retórico nem culto ao passado: é instrumento
de defesa do futuro.

Quando se apagam os vestígios da violência institucional, quando se relativiza o ataque aos símbolos do Estado de Direito, abre-se espaço para que a intolerância se reorganize, se legitime e volte a agir.

A invasão do edifício-sede do Supremo Tribunal Federal — assim como dos demais Poderes da República — não foi um episódio trivial, nem simples excesso episódico de inconformismo político. Tratou-se de ato consciente de negação da ordem constitucional, de tentativa deliberada de submeter a Constituição à força bruta, substituindo o império da lei pelo império da violência. Onde a turba pretende impor sua vontade pelo vandalismo, nãohá política, há regressão civilizatória.

O que pode explicar o comportamento de pessoas retrógradas e despreparadas que se valem da violência política para impor, de modo ilegítimo e autoritário, a sua distorcida concepção de mundo? Esses agentes do obscurantismo, que se notabilizaram por seu perfil intolerante e visão hostil às instituições democráticas, beneficiaram-se, paradoxalmente, da tolerância, que constitui um dos signos configuradores do próprio regime democrático!

Torna-se importante não desconhecer, neste ponto, a conhecida advertência de Karl Popper, quando, ao examinar o tema da sociedade aberta (e democrática) em face de seus inimigos, responde à seguinte indagação: até que ponto a democracia, para autopreservar-se, deve tolerar os intolerantes?

Para Popper, “A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da própria tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada mesmo aos intolerantes, e se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante do assalto da intolerância, então, os tolerantes serão destruídos e a tolerância com eles. (…)!

É inquestionável que uma sociedade fundada em bases democráticas deve ser essencialmente tolerante e, por isso mesmo, cabe-lhe estimular o respeito harmonioso na formulação do dissenso, em respeito aos que divergem de nosso pensamento, de nossas opiniões e de nossas ideias!

Mas não deve nem pode viabilizar a “tolerância ilimitada”, pois esta, se admitida, levará à supressão da própria tolerância, à eliminação dos tolerantes e à aniquilação da própria ideia e sentido de democracia!

Neste momento de nosso processo político, revela-se essencial que a cidadania comprometida com o respeito à institucionalidade empenhe-se na defesa incondicional das instituições democráticas de nosso País e na proteção das liberdades fundamentais, para que não voltem a expor-se, como sucedeu em passado recente, a ataques covardes e criminosos dos hunos que as assediaram com o subalterno (e corrosivo) propósito de vulnerá-las e de vilipendiá-las em sua integridade!

A História ensina que as democracias raramente morrem de forma súbita. Elas adoecem lentamente, quando se tolera o intolerável, quando se normaliza o discurso de ódio, quando se aceita que a força possa substituir a razão.

Reitere-se, portanto, a advertência de Karl Popper: a tolerância ilimitada conduz, paradoxalmente, à destruição da própria tolerância. Por isso, recordar é resistir.

A memória desses ataques cumpre dupla função republicana. De um lado, honra a Constituição, reafirmando que seus símbolos — tribunais independentes, parlamentos livres, sedes do Executivo intocadas — não são meros edifícios, mas reflexos físicos da soberania popular e do pacto democrático.

De outro, educa as presentes e futuras gerações , deixando claro que não há espaço legítimo para a violência política, para o golpismo travestido de inconformismo, nem para a destruição como método de ação pública.

Recordar, portanto, não é reabrir feridas por ressentimento, mas mantê-las visíveis como advertência moral. É afirmar, com clareza pedagógica, que a República não se curva ao vandalismo, que o Estado de Direito não negocia com a força e que a democracia não se defende com silêncio cúmplice.

Há, nesse dever de memória, uma exigência ética inafastável: para que jamais volte a ocorrer, é preciso que se saiba — hoje, amanhã e sempre — o que ocorreu, por que ocorreu e por que não pode ser tolerado.

A democracia vive da palavra, da lei e da razão; quando se permite que a violência substitua esses fundamentos, o próprio sentido da República se dissolve.

Por isso, a lembrança desses episódios não é opcional: é imperativo cívico. Somente uma sociedade que preserva sua memória constitucional é capaz de impedir que a História — em sua face mais sombria — se repita.

Embora não podendo ter a honra de participar das atividades que o Supremo Tribunal Federal, por feliz iniciativa de Vossa Excelência, fará realizar no dia 08 de janeiro, relembrando o que ocorreu em 2023 (“um dia que viverá em eterna infâmia”, como bem acentuou a eminente Ministra Rosa Weber, então Presidente da Corte), quero agradecer o convite que me foi dirigido e, ao mesmo tempo, destacando minha impossibilidade de comparecer por razões estritas de ordem médica, registrar minha inteira e respeitosa adesão à programação especial de nossa Corte Suprema!

Com minha sempre cordial saudação, CELSO DE MELLO