sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Lucro das estatais sobe 22% e alcança R$ 136 bilhões até setembro de 2025

Resultado positivo até o terceiro trimestre reflete aumento do faturamento e forte expansão dos investimentos públicos

Presidente Lula, ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e presidente da Petrobras, Magda Chambriard (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O desempenho das empresas estatais federais voltou a apresentar números robustos em 2025. Até o fim do terceiro trimestre, essas companhias registraram crescimento expressivo tanto no lucro quanto nos investimentos, consolidando uma trajetória de resultados positivos observada nos últimos anos. De acordo com dados divulgados pela Agência Gov, com informações do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o faturamento das estatais federais somou R$ 1,017 trilhão nos primeiros nove meses de 2025. O valor representa uma alta de 6,3% em relação ao mesmo período de 2024. No mesmo intervalo, o lucro líquido alcançou R$ 136,3 bilhões, avanço de 22,5% na comparação anual.

O crescimento dos investimentos também se manteve consistente. No acumulado até setembro, as estatais aplicaram R$ 86,4 bilhões, montante 34,3% superior ao registrado nos três primeiros trimestres de 2024. O resultado dá continuidade a um ciclo de expansão iniciado em 2022, período em que os investimentos dessas empresas já haviam aumentado 87% em termos nominais até 2024.

Os números constam do Boletim Trimestral da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest/MGI), que passou a ser publicado regularmente para os três primeiros trimestres do ano. O levantamento considera informações de 39 das 44 estatais federais existentes, ficando de fora cinco companhias cujos dados do terceiro trimestre ainda não haviam sido homologados no Sistema de Informações das Estatais (Siest) até a conclusão do relatório.

Entre as 27 estatais não dependentes do Tesouro Nacional, 24 já haviam divulgado seus balanços contábeis até setembro. Destas, 21 apresentaram lucro e três registraram prejuízo. Como reflexo do desempenho positivo, as estatais distribuíram, no acumulado do terceiro trimestre, R$ 65,1 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio. Desse total, R$ 33 bilhões foram destinados à União e R$ 32,1 bilhões aos demais acionistas.

O boletim também detalha a estrutura do setor estatal federal. Atualmente, o governo mantém 44 empresas sob controle direto, sendo 27 não dependentes e 17 dependentes de recursos do Tesouro para custear suas operações. Entre as não dependentes estão Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco do Nordeste, Dataprev, Correios e Serpro, entre outras.

Já as estatais dependentes incluem principalmente empresas da área de saúde e pesquisa, como a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), o Hospital das Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e a Embrapa. Juntas, essas instituições concentram mais de 70% da subvenção repassada pelo Tesouro às empresas dependentes.

Além de consolidar os resultados trimestrais, o novo formato do boletim permite uma visão agregada mais frequente sobre o desempenho das estatais, complementando o Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais, publicado anualmente. Também foi disponibilizada uma planilha com dados desagregados por empresa, ampliando a transparência e o acesso às informações sobre o setor público empresarial.

Fonte: Brasil 247

Desemprego cai a 5,1%, melhor resultado desde 2012

Taxa anual de desocupação recua para 5,6% em 2025, com recordes de ocupação, renda média e carteira assinada, segundo dados oficiais

      Desemprego cai a 5,1%, melhor resultado desde 2012 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, alcançando o menor nível de toda a série histórica iniciada em 2012. O resultado indica que cerca de 5,5 milhões de pessoas estavam em busca de trabalho nos últimos três meses do ano, enquanto a população ocupada atingiu 103 milhões de pessoas, também um recorde histórico. Com esse desempenho no fim do ano, a taxa média anual de desemprego recuou de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025, o menor patamar desde o início da série. As informações constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo IBGE.

A redução do desemprego ao longo de 2025 foi acompanhada por uma melhora consistente na qualidade do mercado de trabalho. Segundo a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, “importante registrar que a queda da desocupação não foi provocada por aumento da subutilização da força de trabalho ou do desalento, reduzindo a pressão por trabalho. A trajetória de queda da taxa de desocupação em 2025 foi sustentada pela expansão da ocupação, principalmente nas atividades de serviços”.

O avanço da ocupação levou o total de pessoas trabalhando no país ao maior nível da série histórica, superando os 101,3 milhões registrados em 2024 e ficando bem acima dos 89,3 milhões observados em 2012. Outro indicador que reforça a melhora estrutural do mercado de trabalho foi o nível de ocupação — proporção de pessoas ocupadas em relação à população em idade de trabalhar — que chegou a 59,1% em 2025, também o maior valor já registrado.

A taxa anual de subutilização da força de trabalho recuou para 14,5% em 2025, o menor percentual da série. O contingente de pessoas subutilizadas caiu de 18,7 milhões em 2024 para cerca de 16,6 milhões no ano passado. Apesar da redução, o número ainda permanece acima do mínimo histórico registrado em 2014, antes dos impactos mais severos da crise econômica e da pandemia de Covid-19, período em que a subutilização chegou a ultrapassar 32 milhões de pessoas.

O crescimento do emprego foi acompanhado por ganhos expressivos de renda. O rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas foi estimado em R$ 3.560 em 2025, alta de 5,7% em relação ao ano anterior. Já a massa de rendimento real habitual atingiu R$ 361,7 bilhões, o maior valor da série histórica, com expansão de 7,5% na comparação anual. Para Adriana Beringuy, os resultados refletem mudanças importantes na estrutura do emprego. “Setorialmente, as atividades que mais expandiram a ocupação foram as de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, como também o grupamento formado pela Administração pública, defesa, educação, saúde humana, seguridade social e serviços sociais”, afirmou.

A coordenadora acrescentou ainda que “além desses impulsos setoriais, a valorização do salário-mínimo influenciou o ganho de rendimento nos segmentos de atividades mais elementares e menos formalizadas. Dessa forma, independente da forma de inserção na ocupação, o crescimento do rendimento foi difundido para a população ocupada como um todo”.

Outro destaque de 2025 foi o avanço do emprego formal. O número de trabalhadores do setor privado com carteira assinada cresceu 2,8% em relação a 2024 e chegou a 38,9 milhões de pessoas, o maior contingente já registrado, com acréscimo de cerca de 1 milhão de empregados em um ano. Em sentido oposto, o total de empregados sem carteira assinada recuou levemente, passando de 13,9 milhões para 13,8 milhões. O número de trabalhadores domésticos também diminuiu, atingindo 5,7 milhões de pessoas.

A informalidade seguiu em trajetória de queda, com a taxa passando de 39,0% em 2024 para 38,1% em 2025. Ainda assim, o índice permanece elevado. Segundo Adriana Beringuy, “a taxa de informalidade seguiu em queda em 2025. Seu valor relevante (38,1%), contudo, reflete característica estrutural do mercado de trabalho brasileiro. A composição e dinâmica da população ocupada ainda é bastante dependente da informalidade”.

Na análise trimestral, considerando o período de outubro a dezembro de 2025, a taxa de desocupação de 5,1% representou queda tanto em relação ao trimestre imediatamente anterior quanto na comparação com o mesmo período de 2024. O resultado foi o menor da série histórica para trimestres móveis comparáveis desde 2012. O contingente da força de trabalho ficou estimado em 108,5 milhões de pessoas, mantendo estabilidade nas comparações.

O desempenho setorial no fim do ano mostrou recuperação do comércio, que havia registrado queda no terceiro trimestre. “Após queda de ocupação registrada no 3º trimestre, o comércio apresentou recuperação no fim do ano, expandindo seu contingente de trabalhadores em diversos segmentos, com destaque para o comércio de vestuário e calçados”, explicou Adriana Beringuy.

A PNAD Contínua é a principal pesquisa sobre a força de trabalho no país e abrange cerca de 211 mil domicílios em aproximadamente 3.500 municípios. A próxima divulgação, referente ao trimestre encerrado em janeiro, está prevista para fevereiro, mantendo o acompanhamento regular da evolução do mercado de trabalho brasileiro.

Fonte: Brasil 247

Dívida pública bruta do Brasil recua para 78,7% do PIB em dezembro de 2025

Dados do Banco Central mostram melhora fiscal no fim do ano, com superávit primário acima do esperado pelo mercado

      Moedas de reais - 15/10/2010 (Foto: REUTERS/Bruno Domingos)

A dívida pública bruta do Brasil encerrou o mês de dezembro em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), registrando uma leve queda em relação a novembro, quando o indicador estava em 79%. O dado revela um recuo na proporção da dívida em comparação ao mês anterior e reflete o desempenho fiscal do setor público no fechamento do ano. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (30) pelo Banco Central.

De acordo com o levantamento, o setor público consolidado apresentou em dezembro um superávit primário de R$ 6,251 bilhões. O resultado superou as projeções do mercado financeiro, já que economistas ouvidos em pesquisa da Reuters estimavam um saldo positivo de R$ 3 bilhões no período.

A dívida pública bruta é um dos principais indicadores acompanhados por analistas para avaliar a sustentabilidade fiscal do país, pois engloba os débitos do governo federal, dos governos estaduais e municipais e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A redução, ainda que modesta, indica uma combinação de resultado primário positivo e dinâmica favorável entre crescimento econômico, inflação e custos da dívida no mês.

Fonte: Brasil 247

"Preto é praga da humanidade": e-mail racista expõe indicado de Raquel Lyra

Mensagens de 2012 atribuídas a Yuri Coriolano revelam conteúdo racista e misógino após nomeação para a EPTI

      Yuri Coriolano (Foto: Divulgação)

E-mails trocados em 2012, no contexto do Dia Internacional da Mulher, revelam declarações de teor racista e misógino atribuídas ao advogado Yuri Coriolano, recém-nomeado para a presidência da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), órgão responsável pela regulação do transporte intermunicipal no estado. As mensagens vieram a público após a nomeação feita pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), neste mês de janeiro, e trazem afirmações explícitas de cunho discriminatório, informa o portal Vero Notícias.

As mensagens, obtidas pelo veículo, teriam sido enviadas por Coriolano a colegas de faculdade há mais de uma década. Entre os trechos mais graves identificados nos e-mails está a afirmação literal: “preto é a praga da humanidade”. O conteúdo também inclui expressões misóginas, segundo a apuração do portal, reforçando o caráter ofensivo e discriminatório das comunicações.

Yuri Coriolano foi nomeado para o comando da EPTI em 21 de janeiro. O órgão estatal é responsável pela regulação e fiscalização do transporte intermunicipal em Pernambuco, função estratégica para a mobilidade no estado. A revelação das mensagens gerou questionamentos sobre a adequação do advogado ao cargo, diante do histórico exposto.

De acordo com a legislação brasileira, manifestações de cunho racista se enquadram como crime inafiançável e imprescritível. A divulgação dos e-mails reacendeu o debate público sobre critérios de nomeação para cargos de direção na administração estadual e sobre a necessidade de apuração rigorosa de condutas incompatíveis com o exercício de funções públicas.

Fonte: Brasil 247 com informações do portal Vero Notícias

Polícia apreende celular de suspeitos pela morte de Orelha que voltaram ao Brasil

 

Orelha, cão comunitário agredido por adolescentes em SC. Foto: reprodução
A Polícia Civil de Santa Catarina apreendeu, nesta quinta-feira (29), celulares e roupas de dois adolescentes investigados pela morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis. Os jovens desembarcaram no Aeroporto Internacional da capital após uma viagem escolar aos Estados Unidos e foram abordados por agentes logo na chegada, em cumprimento a mandados de busca e apreensão.

As ordens judiciais foram executadas por equipes da Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle) e da Delegacia de Proteção Animal (DPA). A medida ocorreu depois que as polícias Civil e Federal identificaram a antecipação do voo de retorno dos adolescentes ao Brasil, o que levou à ação imediata no terminal aéreo.

Procurada, a defesa informou que a volta dos jovens foi articulada com a polícia e confirmou que os aparelhos telefônicos e outros pertences foram entregues às autoridades em uma sala restrita do aeroporto. Os adolescentes também foram intimados a prestar depoimento. Segundo os advogados, “é fundamental reforçar que os adolescentes vêm colaborando com todas as etapas solicitadas”.

Os celulares apreendidos serão encaminhados à Polícia Científica para extração de dados. O material se soma a equipamentos recolhidos em diligências realizadas na última segunda-feira (26), quando mandados de busca foram cumpridos nas residências dos investigados. A polícia também solicitou a emissão de laudo de corpo de delito do animal, que morreu após graves agressões.

O cão Orelha. Foto: Reprodução
Orelha, de 10 anos, era um cão comunitário da região da Praia Brava e foi encontrado agonizando neste mês. As investigações apontam ao menos quatro adolescentes suspeitos de agredir o animal com violência, concentrando golpes na cabeça, com a intenção de causar sua morte. As autoridades apuram ainda se o mesmo grupo tentou afogar outro cão comunitário na mesma praia, no início de janeiro.

Além do inquérito que apura a morte do animal, há uma investigação paralela sobre o crime de coação. Três familiares dos adolescentes foram indiciados por supostamente intimidar testemunhas do caso. Na quarta-feira (28), a Justiça concedeu liminar determinando que plataformas digitais removam postagens que identifiquem os investigados, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A defesa afirma que os trabalhos técnicos vão esclarecer os fatos e comprovar a “inocência dos dois jovens”. “Os representantes legais reiteram a necessidade de que o debate público seja pautado por responsabilidade e respeito aos direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), evitando julgamentos precipitados”, acrescentaram.

Fonte: DCM

VÍDEO: Cadela “caramelo” é esfaqueada em praia de SP após morte do cão Orelha

 

Cadela comunitária é socorrida. Foto: Reprodução
Uma cadela comunitária foi esfaqueada e precisou ser internada em uma clínica veterinária após ser encontrada ferida na praia do bairro Canto do Forte, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Segundo a prefeitura, o autor da agressão ainda não foi identificado, e o caso ocorreu na manhã de quinta-feira (29).

De acordo com a administração municipal, agentes da Guarda Costeira estranharam a ausência do animal, que costumava circular pela área, e iniciaram buscas. A cadela foi localizada embaixo de um contêiner usado para armazenar equipamentos, com múltiplos ferimentos de faca e bastante ensanguentada. Ela recebeu os primeiros socorros e passou por cirurgia no mesmo dia.

A prefeitura informou que imagens das câmeras de monitoramento da orla estão sendo analisadas pelo Centro Integrado de Comando e Operações Especiais. O caso foi registrado em boletim de ocorrência da Guarda Civil Municipal e deve ser encaminhado à Polícia Civil e ao Ministério Público para apuração.

Fonte: DCM

VÍDEO: As sequelas da advogada de “Débora do Batom” após ser atingida por raio em ato de Nikolas


A advogada Tanieli Telles, que atua na defesa da bolsonarista conhecida como “Débora do Batom”. Foto: Reprodução

A advogada Tanieli Telles, que atua na defesa da bolsonarista conhecida como “Débora do Batom”, foi uma das pessoas atingidas por um raio durante um ato de apoio a Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, e afirmou estar com sequelas após o episódio. Segundo ela, houve imobilidade facial parcial, além de lentidão no pensamento e na fala.

O raio caiu no último domingo (25), durante um evento organizado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), ao fim de uma mobilização bolsonarista na capital federal.

Além de defender Débora Santos, responsável pela pichação da frase “perdeu, Mané” na estátua “A Justiça” durante os atos golpistas em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023, Tanieli também atua na defesa de outros extremistas envolvidos na tentativa de golpe de Estado.

Sequelas

Em entrevista ao Estadão, posteriormente divulgada em suas redes sociais, a advogada descreveu o instante em que sofreu o choque elétrico enquanto interagia com apoiadores do ex-presidente.

“Eu senti uma dor muito forte no meu ombro direito e voei para longe. Achei que era um tiro”, afirmou. Nos dias seguintes, segundo Tanieli, surgiram sintomas como formigamento nos braços e no rosto, fraqueza e a sensação de língua queimada.

A advogada relatou dificuldades para se comunicar verbalmente e afirmou que pretende passar por avaliação neurológica em curto prazo. De acordo com seu relato, há lentidão no raciocínio e na fala desde o acidente.

“Eu estou com um certo atraso para falar. Normalmente, estou ligada no 220 volts. Então, às vezes vou falar alguma coisa, eu fico parando, pensando… É como se fosse uma dificuldade cognitiva mesmo, né?”, disse.

Tempestade e circunstâncias do acidente

O episódio ocorreu durante uma tempestade, quando bolsonaristas aguardavam o encerramento de uma marcha que saiu do interior de Minas Gerais em direção a Brasília. O ponto de concentração ficava nas proximidades do Memorial JK, na região central da cidade, onde o mau tempo interferiu na mobilização.

Tanieli relatou que as pessoas se aglomeraram para se proteger do frio, muitas com os pés em poças d’água, no momento em que o raio atingiu o local. A advogada atribuiu o acidente a forças naturais e afirmou estar disposta a assumir riscos pela causa que defende.

“Assumimos todo e qualquer risco quando entendemos o nosso propósito, quando entendemos que o preço pela liberdade é maior que a nossa própria vida!”, escreveu.




O número total de pessoas atingidas pela descarga elétrica ultrapassou 80. Pelo menos 14 tiveram quadros mais graves e precisaram de atendimento médico intensivo, e algumas seguem internadas.

“Deste total, três pacientes seguem internados e estáveis, um paciente foi transferido para a UTI do Hospital Santa Marta e um paciente recebeu alta a pedido para a rede privada. Os demais pacientes já receberam alta hospitalar”, informou a rede pública de Saúde do Distrito Federal, em nota.

Fonte: DCM

PF encontra planilhas de emendas com ex-assessora de Arthur Lira

Documentos apreendidos indicam controle do orçamento secreto e são analisados pela Polícia Federal

      Mariângela Fialek (Foto: Pablo Valadares/Câmara)

A Polícia Federal apreendeu dezenas de planilhas com informações sobre emendas parlamentares de deputados federais durante a Operação Transparência, realizada em dezembro de 2025. O material foi encontrado em um endereço ligado à advogada Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, que atuou como braço-direito do deputado federal Arthur Lira (PP-AL) no período em que ele presidiu a Câmara dos Deputados, informa Fábio Serapião, no UOL.

Segundo a investigação, Mariângela Fialek ganhou projeção em Brasília por sua atuação direta na gestão do chamado orçamento secreto entre 2021 e 2022, período em que Arthur Lira esteve à frente da Câmara. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos tanto na residência da advogada quanto em seu antigo gabinete na Presidência da Casa, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino.

Além de documentos físicos, os investigadores localizaram um computador antigo que armazenava a maior parte das planilhas. Os arquivos permanecem sob análise da Polícia Federal desde a apreensão. Um dos principais focos da apuração é verificar se os dados correspondem ao registro das emendas de relator, mecanismo que ficou conhecido como orçamento secreto.

A PF apura se os documentos detalham a distribuição das emendas entre parlamentares e se revelam a lógica de divisão dos recursos, possivelmente orientada por interesses políticos de Arthur Lira e de outras lideranças do Congresso. A suspeita central é que Mariângela Fialek tenha exercido papel estratégico na organização dessas verbas.

No pedido de autorização para as buscas, a Polícia Federal afirmou: "Estamos falando em uma atuação longeva na organização desses recursos, que remonta à época da pandemia e coincide com o mandato de Arthur Lira na presidência da Câmara dos Deputados". A investigação aponta que Tuca teria sido responsável pelo “controle e organização do chamado orçamento secreto na sua primeira modalidade, qual seja, através da chamada emenda de relator”.

O orçamento secreto foi proibido pelo STF em 2022, mas, até então, foi responsável pelo empenho de cerca de R$ 45 bilhões entre 2020 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Desse montante, aproximadamente R$ 20 bilhões foram executados sem transparência, sem a identificação dos parlamentares responsáveis pelas indicações.

A ausência de informações públicas sobre a autoria das emendas dificultava, por exemplo, a atuação de órgãos de controle em casos de suspeita de corrupção. Também não era possível mensurar quanto cada deputado destinava por meio desse tipo de emenda, o que ampliava as críticas ao modelo.

A Operação Transparência também investiga se Mariângela Fialek teria continuado a atuar na gestão de recursos semelhantes ao orçamento secreto durante a presidência da Câmara sob comando do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). Nesse contexto, a PF analisa o uso das chamadas emendas de comissão, consideradas uma nova versão do mecanismo após a proibição das RP9.

As apurações tiveram início a partir de depoimentos do senador Cleitinho (Republicanos-MG) e dos deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Glauber Braga (PSOL-RJ), José Rocha (União Brasil-BA), Fernando Marangoni (União Brasil-SP) e Dr. Francisco (PT-PI). Os parlamentares relataram suspeitas de desvios envolvendo emendas de comissão.

Procurada pelo UOL, a defesa de Mariângela Fialek não respondeu aos contatos da reportagem. A assessoria de Arthur Lira optou por não se manifestar. Da mesma forma, a equipe de Hugo Motta não comentou o caso.

Criado em 2019, por meio de projeto aprovado no Congresso Nacional, o orçamento secreto concentrou poder no Legislativo ao permitir a distribuição de recursos federais sem transparência. Mesmo após a decisão do STF, o Congresso manteve outros tipos de emendas com baixo nível de publicidade, o que tem provocado novos atritos entre o Judiciário e o Legislativo, especialmente com o ministro Flávio Dino, e ampliado investigações sobre possíveis irregularidades no uso dessas verbas públicas.

Fonte: Brasil 247 com informações do UOL

Quem é o jovem morto no Paraná após ser linchado por acusação falsa de homicídio

O rapaz foi vítima de um linchamento cometido por pessoas que acreditavam estar fazendo justiça com as próprias mãos.

       Reprodução (Foto: Reprodução)

Um jovem de 23 anos morreu após ser brutalmente espancado em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, depois de ser acusado injustamente de um homicídio que não cometeu. Deivison Andrade de Lima ficou internado por oito dias, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos. O caso é investigado pela Polícia Civil do Paraná. As informações foram divulgadas no Metrópoles.

Deivison foi agredido no dia 18 de janeiro, dois dias após o corpo de Kelly Cristina Ferreira de Quadros ser encontrado em uma área de mata da cidade. Moradores passaram a apontá-lo, de forma equivocada, como suspeito do crime. Segundo a Polícia Civil, após a apuração dos fatos, ficou comprovado que o jovem não teve qualquer participação no homicídio

De acordo com a investigação, o rapaz foi vítima de um linchamento cometido por pessoas que acreditavam estar fazendo justiça com as próprias mãos. Gravemente ferido, ele foi socorrido e levado inicialmente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), sendo posteriormente internado. A morte foi confirmada na última segunda-feira (26).

A mãe de Deivison relatou que conseguiu falar com o filho ainda consciente na noite em que ele deu entrada na unidade de saúde. Segundo ela, o jovem contou que foi abordado por três homens, colocado à força dentro de um carro e levado para um local isolado.

“Ele disse que apanhou porque confundiram ele com a pessoa que matou essa moça. Meu filho era inocente. Eu só quero justiça”, afirmou a mãe, em depoimento emocionado.

Ainda conforme o relato, os agressores teriam ameaçado fazer com Deivison o mesmo que, segundo eles, havia sido feito com Kelly. Mesmo negando repetidamente qualquer envolvimento no crime, o jovem foi violentamente espancado.

A Polícia Civil do Paraná confirmou que Deivison não era investigado pelo homicídio de Kelly Cristina Ferreira de Quadros e que as agressões ocorreram a partir de uma falsa acusação. Agora, os esforços da investigação estão concentrados na identificação e responsabilização dos autores do linchamento.

O caso reacende o alerta das autoridades sobre os riscos de acusações infundadas e da prática de linchamentos, que além de ilegais, podem resultar na morte de pessoas inocentes. A polícia reforça que denúncias devem ser feitas pelos canais oficiais e que cabe exclusivamente ao Estado investigar crimes e aplicar a lei.

Até o momento, não há informações sobre prisões relacionadas ao linchamento. A Polícia Civil segue colhendo depoimentos e analisando provas para esclarecer completamente o crime e levar os responsáveis à Justiça.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

Nos bastidores, Gilmar Mendes e Nunes Marques defendem prisão domiciliar para Bolsonaro

Ministros do STF citam problemas de saúde e articulam mudança de regime para o ex-presidente. Gilmar Mendes reforça que decisão final cabe a Moraes

O ex-presidente Jair Bolsonaro em sua casa em Brasília-DF, onde cumpre prisão domiciliar, enquanto aguarda a execução penal pela condenação por golpe de Estado - 29/09/2025 (Foto: REUTERS/Diego Herculano)

Nos bastidores do Judiciário e do meio político, ganhou força uma articulação para que Jair Bolsonaro seja transferido do regime fechado para a prisão domiciliar. O movimento reúne interlocutores próximos ao ex-presidente, integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e autoridades com influência institucional, sob o argumento de que o estado de saúde de Bolsonaro exige cuidados específicos durante o cumprimento da pena. As informações são da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, participam diretamente das conversas que buscam sensibilizar a Corte para a adoção da prisão domiciliar.

O ministro Gilmar Mendes teve papel relevante ao intermediar o diálogo entre Michelle Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que condenou o ex-presidente por articular uma tentativa de golpe de Estado. Gilmar teria ajudado a viabilizar a reunião ocorrida no gabinete de Moraes no último dia 15 e, em conversas reservadas, manifestou apoio à prisão domiciliar em razão dos problemas de saúde de Bolsonaro, sempre ressaltando que a decisão final cabe ao relator.

Outro ministro que teria se posicionado favoravelmente à mudança de regime é Kassio Nunes Marques, indicado ao STF pelo próprio Bolsonaro. Assim como Gilmar Mendes, Nunes Marques integra a Segunda Turma da Corte e não participou do julgamento que resultou na condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão. Ambos já teriam comunicado a Alexandre de Moraes sua avaliação favorável à prisão domiciliar.

O temor de um agravamento do quadro clínico do ex-presidente também aparece como fator central na articulação. Um interlocutor de Bolsonaro, ouvido em caráter reservado, resumiu a preocupação ao afirmar: “Se o Bolsonaro morrer na cadeia, o Supremo fica mais no sal ainda”. A declaração faz referência ao possível desgaste institucional da Corte, em um contexto já marcado por críticas a decisões recentes de outros ministros.

Entre aliados do ex-presidente, integrantes do STF e autoridades do governo do Distrito Federal, há ainda o receio de que se repita um episódio semelhante ao de Cleriston Pereira da Cunha, preso preventivamente pelos atos golpistas de 8 de janeiro e que morreu após sofrer um “mal súbito” durante o banho de sol na Penitenciária da Papuda, em novembro de 2023. O caso foi explorado politicamente por apoiadores de Bolsonaro para sustentar acusações de “excessos” atribuídos a Alexandre de Moraes.

Nesse contexto, avaliações médicas passaram a ocupar papel estratégico. Conforme já havia informado o blog, uma equipe formada por três peritos médicos da Polícia Federal visitou Bolsonaro na semana passada no 19º Batalhão da Polícia Militar, localizado no complexo da Papuda, conhecido como “Papudinha”. O objetivo foi a elaboração de um novo laudo médico, ainda não concluído, que aliados do ex-presidente veem como elemento-chave para reforçar o pedido de prisão domiciliar.

A transferência de Bolsonaro para a Papudinha ocorreu por determinação de Alexandre de Moraes, que ordenou a submissão imediata do ex-presidente a uma junta médica da Polícia Federal para avaliar seu quadro clínico e as condições necessárias ao cumprimento da pena. A visita dos peritos durou cerca de duas horas, período em que foram realizados exames e questionamentos sobre o estado de saúde do detento.

Por decisão do relator, a unidade passou a oferecer atendimento médico integral, em regime de plantão 24 horas por dia, medida que, segundo informações oficiais, está sendo cumprida. Embora esteja localizada dentro da área da Papuda, a Papudinha não é administrada pela Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, ficando sob responsabilidade direta da Polícia Militar, o que diferencia sua estrutura e gestão em relação ao sistema prisional comum.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

Sorteio define os confrontos dos playoffs da Champions League

Benfica x Real Madrid é destaque em fase decisiva que reúne gigantes do futebol europeu antes das oitavas

            Sorteio define os confrontos dos playoffs da Champions League (Foto: Reuters)

O sorteio realizado nesta sexta-feira (30), em Nyon, na Suíça, definiu todos os confrontos dos playoffs da Uefa Champions League, fase que reúne as equipes classificadas entre a 9ª e a 24ª posição da etapa inicial do torneio continental. O chaveamento revelou duelos de peso e cruzamentos tradicionais do futebol europeu, com destaque para o embate entre Benfica e Real Madrid, um dos mais aguardados desta etapa.

Ao todo, 16 clubes disputam oito vagas nas oitavas de final da competição, em confrontos eliminatórios com jogos de ida e volta. As equipes que tiveram melhor desempenho na fase de liga terão a vantagem de decidir a classificação em casa, fator considerado decisivo em partidas de alto nível técnico e equilíbrio.

Os confrontos definidos no sorteio dos playoffs da Champions League são:

  • Borussia Dortmund x Atalanta
  • Olympiacos x Bayer Leverkusen
  • Galatasaray x Juventus
  • Club Brugge x Atlético de Madrid
  • Monaco x PSG
  • Qarabag x Newcastle
  • Benfica x Real Madrid
  • Bodo/Glimt x Inter de Milão. 

Em todos os duelos, os clubes listados à direita fazem o segundo jogo como mandantes.

As partidas de ida dos playoffs serão disputadas nos dias 17 e 18 de fevereiro. Já os jogos de volta estão marcados para a semana seguinte, nos dias 24 e 25 de fevereiro, quando serão conhecidos os últimos classificados para as oitavas de final do torneio.

Antes dessa fase eliminatória, oito equipes já asseguraram vaga direta nas oitavas ao terminarem nas primeiras posições da fase de liga. São elas Arsenal, Bayern de Munique, Liverpool, Tottenham, Barcelona, Chelsea, Sporting e Manchester City.

A temporada da Champions League terá seu desfecho no dia 30 de maio, com a final marcada para Budapeste, capital da Hungria, onde será definido o campeão europeu da edição.

Fonte: Brasil 247

STF rejeita ação contra renovação automática da CNH

Ministro Flávio Dino apontou falta de legitimidade da entidade autora da ação

       Trânsito em São Paulo (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil)

Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou uma ação que contestava a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas que não tenham cometido infrações de trânsito nos 12 meses anteriores ao vencimento do documento. A decisão foi tomada pelo ministro Flávio Dino, que determinou o arquivamento do processo sem análise do mérito. A informação foi divulgada pelo próprio Supremo Tribunal Federal ao relatar o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7924, proposta contra um dispositivo da Medida Provisória (MP) 1.327, de 9 de dezembro de 2025.

◎ Ação questionava regra de medida provisória

A ação foi apresentada pela Associação Brasileira de Psicologia do Tráfego (Abrapsit) e tinha como alvo o trecho da MP que dispensa a realização de exames médicos e psicológicos na renovação da CNH de condutores cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), desde que não tenham recebido multas no período de um ano antes da renovação.

◎ Falta de legitimidade levou ao arquivamento

Ao analisar o pedido, o ministro Flávio Dino concluiu que a entidade autora não atende aos requisitos exigidos para propor ações de controle concentrado de constitucionalidade no STF. Segundo o relator, a associação não possui abrangência nacional nem representa uma categoria homogênea, condições indispensáveis para esse tipo de ação.

O ministro explicou que a qualificação como entidade de classe pressupõe a representação de um grupo profissional uniforme, o que não se verifica no caso da Abrapsit. De acordo com a decisão, a associação reúne entidades e instituições de naturezas distintas, como conselho de fiscalização profissional, gestora de plano de saúde, clínica médica e associações civis com finalidades diversas.

◎ Critérios para ações no Supremo

Flávio Dino também destacou que a simples distribuição geográfica de associados pelo país não comprova atuação nacional. Conforme a jurisprudência do STF, é necessária a demonstração de atividade concreta e efetiva da entidade em pelo menos nove estados da federação, requisito que, segundo o relator, não foi atendido.

Diante desse entendimento, a ADI 7924 foi rejeitada por falta de legitimidade da parte autora, encerrando o processo sem que o Supremo analisasse a constitucionalidade da norma questionada.

Fonte: Brasil 247

Lula passa por cirurgia de catarata hoje em Brasília

Procedimento simples é realizado nesta sexta-feira e segue histórico de intervenção semelhante feita pelo presidente em 2020

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva 28/01/2026 REUTERS/Aris Martinez (Foto: REUTERS/Aris Martinez)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passa por uma cirurgia de catarata no olho esquerdo nesta sexta-feira (30), em Brasília. O procedimento é considerado de baixa complexidade e rápida recuperação, de acordo com informações divulgadas ao longo da semana. A expectativa é de que o presidente retome suas atividades normalmente nos próximos dias, informa o G1.

Na quinta-feira (29), Lula esteve no hospital para a realização dos exames pré-operatórios e, após essa etapa, seguiu com compromissos oficiais na Residência Oficial da Granja do Torto.

A cirurgia no olho esquerdo repete um procedimento semelhante realizado em 2020, quando Lula passou por uma intervenção para correção de catarata no olho direito. Em ambos os casos, trata-se de um tratamento amplamente difundido na medicina e adotado em milhões de pacientes todos os anos.

A catarata é caracterizada pela opacificação do cristalino, estrutura natural do olho responsável pelo foco das imagens. A condição provoca perda progressiva da visão e, quando indicada, é tratada por meio da substituição do cristalino por uma lente artificial, técnica considerada segura e eficaz.

Segundo as informações divulgadas, não há previsão de afastamento prolongado das funções presidenciais. A liberação médica para o retorno ao trabalho deve ocorrer nos próximos dias, conforme a evolução do pós-operatório.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

Caso Master: Toffoli retira sigilo de depoimentos de Vorcaro, de diretor do BC e de ex-presidente do BRB

Sigilo foi derrubado a pedido do Banco Central, mas inquérito segue fechado

     Dias Toffoli (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu retirar o sigilo de depoimentos prestados à Polícia Federal por personagens centrais da investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A medida alcança os relatos do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e de Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central (BC).

Segundo Toffoli, a liberação se restringe exclusivamente aos depoimentos, enquanto o inquérito sobre o caso Master permanece sob segredo de Justiça até que a Procuradoria-Geral da República se manifeste. A decisão, segundo a Folha de São Paulo, atendeu a um pedido do Banco Central.

⊛ Decisão do STF atende pedido do Banco Central

Os depoimentos foram colhidos no fim de dezembro pela delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo, antes da acareação entre os empresários, determinada pelo próprio ministro no âmbito da investigação. O objetivo é esclarecer operações financeiras e negociações que envolveram o Banco Master e o BRB.

Toffoli ressaltou, em sua decisão, que a retirada do sigilo não implica a abertura integral do inquérito, limitando-se às declarações já prestadas pelos investigados e autoridades ouvidas pela Polícia Federal.

⊛ Alerta do Banco Central sobre risco bilionário

Durante seu depoimento, Ailton de Aquino chamou a atenção para o impacto financeiro potencial das operações envolvendo o Banco Master. Segundo o diretor de Fiscalização do Banco Central, a reserva de recursos que o BRB teria de constituir para cobrir eventuais perdas poderia se aproximar de R$ 5 bilhões.

A avaliação do diretor do BC foi apresentada no contexto da análise dos riscos decorrentes da relação entre as duas instituições financeiras, tema central da investigação conduzida pela Polícia Federal.

⊛ Relato de Vorcaro sobre venda do Master ao BRB

Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que manteve mais de uma conversa com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a venda do Banco Master ao BRB. No depoimento, o banqueiro também admitiu que a instituição enfrentava problemas de caixa.

Segundo Vorcaro, o modelo de negócios do Banco Master tinha como base o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo mantido com recursos do próprio sistema financeiro para proteger depositantes em caso de quebra de instituições.

⊛ Explicação do ex-presidente do BRB à Polícia Federal

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, declarou aos investigadores que a operação ocorria durante um processo de substituição de ativos do Banco Master. Ele afirmou que precisava ganhar tempo para conduzir essa transição, em seu papel de “zelar pelo BRB”. A declaração foi dada em resposta a um questionamento da PF sobre uma anotação encontrada na agenda da ex-diretora de Controle e Riscos do BRB, Luana Andrade Ribeiro. Segundo a PF, a anotação indicava que Costa teria determinado a compra de carteiras para evitar a quebra do Banco Master.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

PF encontra envolvimento de políticos na investigação do Banco Master

Apurações da operação Compliance Zero apontam referências a autoridades e devem abrir nova frente no STF

       PF encontra envolvimento de políticos na investigação do Banco Master (Foto: Divulgação )

As investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre o Banco Master avançaram e chegaram a elementos que indicam a possível existência de vínculos entre o esquema sob apuração e políticos com foro por prerrogativa de função. Diante disso, eventuais desdobramentos envolvendo essas autoridades deverão tramitar no Supremo Tribunal Federal, enquanto parte do inquérito pode seguir na primeira instância, informa a Folha de São Paulo.

Segundo investigadores, provas reunidas na primeira fase da operação Compliance Zero, que teve como alvo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, incluem referências a lideranças partidárias e autoridades de alto escalão. De acordo com esses relatos, houve “vários achados” com menções a figuras do meio político, identificados após a quebra de sigilos, apreensão de documentos e acesso ao telefone celular de Vorcaro durante sua prisão.

Na avaliação da Polícia Federal, essas referências não estariam diretamente ligadas ao núcleo central do inquérito que apura a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado pelo Banco Master e a tentativa de venda da instituição ao BRB (Banco de Brasília). Esse conjunto de fraudes fundamentou a decisão da Justiça Federal do Distrito Federal que autorizou a deflagração da primeira fase da operação, em 18 de novembro do ano passado, data em que o Master também foi liquidado.

Daniel Vorcaro tornou-se uma figura conhecida em Brasília por articular uma extensa rede de relações políticas e promover encontros frequentes em uma mansão na capital federal. Desde que o ex-banqueiro passou a ser investigado, essas conexões têm provocado desconforto entre autoridades e gerado receio em setores da classe política quanto à exposição de vínculos pessoais e financeiros mantidos com ele.

Investigadores avaliam que o alcance dessas relações é amplo e, nos bastidores, chegou a ser comparado ao potencial de impacto da operação Lava Jato, que atingiu diversos partidos e desencadeou tentativas de conter o avanço das apurações. Agora, a PF pretende aprofundar a análise dos indícios para verificar se houve participação direta de autoridades no esquema atribuído a Vorcaro.

Esses novos elementos se somam às informações coletadas na segunda fase da Compliance Zero, deflagrada em janeiro, que investigou o uso de fundos de investimento administrados pela gestora Reag para o desvio de recursos captados pelo Master por meio da venda de CDBs (Certificados de Depósito Bancário). Essa etapa da operação já ocorreu sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal, por determinação do ministro Dias Toffoli, após a defesa de Vorcaro alegar a existência de referência ao deputado João Bacelar (PL-BA), que possui foro especial.

Embora o nome de Bacelar tenha sido citado, investigadores ressaltam que ele não é o foco das apurações neste momento. O material reunido menciona outros políticos, incluindo parlamentares do Congresso Nacional, cujas situações ainda estão sob análise.

Em depoimento prestado à Polícia Federal no fim de dezembro, Daniel Vorcaro buscou minimizar o peso de suas relações com autoridades. “Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo”, afirmou.

De acordo com investigadores, existe a possibilidade de desmembramento do caso. Mesmo que o inquérito sobre o negócio entre o BRB e o Master seja remetido à Justiça de primeiro grau, as apurações que envolvem políticos com foro especial permaneceriam sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal.

Nas últimas semanas, ministros do STF iniciaram discussões internas para transferir parte do processo à primeira instância, numa tentativa de reduzir a pressão sobre a Corte. O movimento ganhou força após a divulgação de informações sobre conexões de integrantes do tribunal com negócios ligados ao Banco Master, sendo visto por interlocutores como uma saída institucional para o ministro Dias Toffoli, relator do caso, que tem sido alvo de questionamentos pelo elevado grau de sigilo mantido sobre o inquérito.

O debate se intensificou depois de vir a público a relação comercial de dois irmãos de Toffoli com um fundo controlado pelo cunhado de Vorcaro, no resort Tayayá, no Paraná. Diante do desgaste e da pressão da opinião pública, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, chegou a declarar ao portal G1 que havia “uma tendência, pelo que se verifica até agora”, de que o caso deixasse o tribunal.

A identificação de indícios envolvendo políticos, no entanto, deve levar a uma reconfiguração da estratégia. A perspectiva atual é que uma parte das investigações siga para a instância inferior, enquanto outra permaneça no STF, abrindo uma nova frente de apuração relacionada às autoridades citadas.

A investigação que pode ser enviada ao primeiro grau, focada na fabricação de carteiras fraudulentas pelo Banco Master, encontra-se em estágio avançado e, segundo agentes envolvidos, deve ser concluída em breve. A Polícia Federal prepara um relatório final no qual pretende detalhar os indícios de crimes atribuídos aos principais suspeitos.

Entre pessoas próximas ao caso, persiste a preocupação de que as investigações envolvendo políticos não avancem no Supremo Tribunal Federal em razão de pressões sobre a Corte, o que mantém o tema no centro do debate institucional e público.
Fonte: Brasil 247