quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Casa Branca demonstra incômodo após Flávio Bolsonaro se declarar presidente eleito do Brasil

 Governo Trump considera inadequada a declaração do senador, que alterou carta após se apresentar como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil’

Donald Trump e Flávio Bolsonaro -  Crédito: Donald Trump/ REUTERS/Evan Vucci / Flávio Bolsonaro/ Reprodução/Ag. Senado/IA

 A tentativa de Flávio Bolsonaro (PL) de se apresentar como o verdadeiro presidente eleito do Brasil provocou desconforto nos bastidores do governo dos Estados Unidos. A declaração, incluída em uma carta divulgada pelo senador após sua chegada ao território norte-americano, foi considerada inadequada por integrantes da administração de Donald Trump, apesar da autorização concedida para sua entrada no país.

Segundo informações da jornalista Patrícia Vasconcellos, em sua coluna no SBT News, publicada nesta quinta-feira (29), a Casa Branca não deseja que Flávio reivindique a condição de presidente brasileiro. O episódio ampliou as preocupações de Washington sobre os impactos políticos da presença da família Bolsonaro nos Estados Unidos e seus possíveis reflexos nas relações diplomáticas com o Brasil.

O impasse começou após o cancelamento de uma entrevista coletiva que seria concedida pelo senador. Em seguida, sua equipe distribuiu à imprensa brasileira e internacional uma declaração de três páginas, disponibilizada em diferentes idiomas.

Na primeira versão do documento, Flávio afirmava dirigir-se à população brasileira e à comunidade internacional como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Poucos minutos depois, uma nova versão foi encaminhada aos jornalistas, substituindo a expressão por “o líder do Brasil”.

A mudança ocorreu em meio a questionamentos sobre a legitimidade da reivindicação feita pelo parlamentar, que disputou a Presidência pelo PL. Não há confirmação de que a alteração tenha sido motivada por divergências internas entre seus aliados.


⊚ Governo Trump demonstra resistência à declaração de Flávio

De acordo com a reportagem, um integrante da administração norte-americana manifestou, em conversa reservada, que o governo dos Estados Unidos não gostaria que Flávio Bolsonaro se apresentasse como presidente de fato do Brasil.

O posicionamento revela uma preocupação da Casa Branca em administrar a presença do senador e de seus familiares no país sem comprometer a condução das relações bilaterais com o governo brasileiro.

Embora tenha autorizado a entrada de Flávio em território norte-americano, a administração Trump não demonstrou disposição de reconhecer a reivindicação política apresentada na primeira versão da carta.

A situação também expõe os limites do apoio político oferecido à família Bolsonaro. O acolhimento do senador nos Estados Unidos não representa, necessariamente, respaldo às suas declarações sobre o resultado da eleição presidencial brasileira.

⊚ Trump evita apoiar reivindicação de Flávio Bolsonaro

Questionado diretamente sobre a declaração do senador, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evitou reconhecer qualquer pretensão de Flávio à Presidência do Brasil.

“Bem, não vou comentar isso, mas sei que demos autorização para que ele entrasse no país, então vamos ver. Mas não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo. Achei que eles foram tratados de maneira muito injusta. E, como você sabe, não tomei partido na eleição, mas, quando vejo algo inadequado, eu me manifesto. Achei que ele e sua família foram tratados de maneira muito injusta”, afirmou Trump.

A resposta do presidente norte-americano combinou críticas ao tratamento dispensado à família Bolsonaro com uma sinalização de que não pretende se envolver diretamente na controvérsia.

Trump ressaltou que seu governo permitiu a entrada do senador nos Estados Unidos, mas não endossou a afirmação de que Flávio seria o verdadeiro vencedor da eleição brasileira.

A postura ocorre em um momento no qual a administração norte-americana precisa conciliar suas relações com integrantes da família Bolsonaro e a manutenção dos canais diplomáticos com o Brasil.

⊚ Flávio promete mobilizar oposição a partir dos Estados Unidos

Na carta divulgada na quarta-feira (28), Flávio Bolsonaro também afirmou que “não abandonou os brasileiros” e indicou que pretende manter uma atuação política ativa durante sua permanência nos Estados Unidos.

O senador anunciou a intenção de se dirigir regularmente à população brasileira nos próximos dias e apresentar uma estratégia de mobilização da oposição.

Segundo o documento, a iniciativa buscará organizar o “imenso apoio popular que eles têm”, em referência à base política ligada à família Bolsonaro.

A declaração sugere que Flávio pretende utilizar sua permanência em território norte-americano para manter protagonismo político e articular seus apoiadores no Brasil, mesmo após a disputa presidencial.

Entretanto, os detalhes dessa estratégia ainda não foram apresentados publicamente.

⊚ Cancelamento de coletiva amplia dúvidas sobre próximos passos

A expectativa era de que Flávio Bolsonaro esclarecesse seus planos políticos e sua permanência nos Estados Unidos durante uma entrevista coletiva inicialmente programada para quinta-feira, em Miami.

O encontro com jornalistas brasileiros e estrangeiros chegou a ser anunciado, mas foi cancelado na tarde de quarta-feira, antes de sua realização.

Pouco depois, a equipe do senador encaminhou a carta que provocou o desconforto na Casa Branca. A sequência dos acontecimentos deixou sem esclarecimento questões sobre a duração de sua estadia nos Estados Unidos e a forma como pretende conduzir sua atuação política a partir do exterior.

Fonte: Brasil 247 com informações do SBT News

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