A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de Jaqueline Santos Ludovico
Jaqueline Santos Ludovico (Foto: Reprodução)
A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de Jaqueline Santos Ludovico, condenada por homofobia em um episódio ocorrido em uma padaria no Centro da capital, ao concluir que ela deixou o Brasil para viver na Espanha, em uma suposta fuga “em definitivo do país”. Apesar da repercussão do caso de injúria por orientação sexual, o mandado de prisão expedido tem como base outro processo criminal: um atropelamento ocorrido em 2024, na Zona Oeste da capital paulista.
A informação foi divulgada pelo jornalista Ulisses Campbell, no O Globo.
A decisão é assinada pela juíza Giovanna Christina Colares, da Vara Regional das Garantias da 1ª Região Administrativa Judiciária (RAJ – Capital). No despacho, a magistrada acolheu pedido da vítima do atropelamento e parecer favorável do Ministério Público, afirmando haver “fundados indícios” de que Jaqueline deixou o país com o objetivo de residir na Espanha, o que comprometeria a aplicação da lei penal e a instrução do processo.
Segundo a juíza, a investigada descumpriu medidas cautelares impostas após a revogação de sua prisão domiciliar, entre elas a obrigação de comparecer mensalmente em juízo e a proibição de se ausentar da comarca por mais de oito dias sem autorização judicial. Uma certidão da Polícia Federal aponta que Jaqueline saiu do Brasil em 9 de outubro de 2025 e não havia registro de retorno até 5 de janeiro de 2026.
Para a magistrada, o conjunto de elementos demonstra não apenas desrespeito às determinações judiciais, mas também a necessidade da prisão preventiva para “assegurar a conveniência da instrução criminal” e garantir eventual aplicação da pena. Com isso, o mandado de prisão foi expedido com urgência, e Jaqueline passou a ser considerada foragida.
O caso que motivou a ordem de prisão ocorreu em junho de 2024, no bairro da Barra Funda. Câmeras de segurança registraram o momento em que um veículo em alta velocidade atinge um pedestre que sinalizava a travessia na faixa. A motorista fugiu do local sem prestar socorro e, conforme a polícia, apresentava sinais de embriaguez. Horas depois, ela retornou acompanhada da irmã e foi presa em flagrante. Posteriormente, a prisão foi convertida em domiciliar e, mais tarde, revogada, com imposição de medidas cautelares.
Embora o mandado atual esteja relacionado ao atropelamento, Jaqueline já foi condenada em primeira e segunda instâncias por injúria em razão da sexualidade, além de ameaça e lesões corporais, em um episódio ocorrido em fevereiro de 2024, em uma padaria no bairro de Santa Cecília, região central de São Paulo. A discussão teria começado por causa de uma vaga de estacionamento e terminou em agressões dentro do estabelecimento.
O caso foi gravado pelas vítimas, Rafael Gonzaga e Adrian Grasson Filho. No vídeo, uma das agressoras afirma que “os valores estão sendo invertidos” e diz: “Eu sou de família tradicional e tenho educação, diferente dessa p****”. Em outro momento, Jaqueline aparece partindo para cima do casal, que sofreu agressões físicas e verbais.
Ainda segundo as imagens, a mulher utilizou termos homofóbicos, como “veados”, e arremessou um cone contra as vítimas. Em meio às agressões, ela diz: “Sou mais mulher do que você. Eu sou mais macho que você” e, na sequência, “Tirei sangue seu, foi pouco”.
Em nota, a defesa das vítimas classificou o episódio como um “odioso episódio de homofobia”. À época, o advogado do casal afirmou: “Espera-se que o presente caso, que ganhou atenção midiática, sirva de lição pedagógica a todos os homotransfóbicos ainda existentes: LTGBTfobia é crime e não tem qualquer lugar na sociedade democrática brasileira”.
Além dos processos em São Paulo, Jaqueline também responde à Justiça de Santa Catarina, onde se tornou ré por fraude eletrônica. A investigação apura um prejuízo estimado em cerca de R$ 200 mil a uma empresa do setor automotivo, supostamente causado por transferências via PIX após contatos fraudulentos envolvendo falsa cobrança cartorial.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo