O presidente atual do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, autor da nota em resposta ao relatório feito pelos Estados Unidos. Fonte: Antonio Augusto/STF
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, repudiou neste sábado (25) o insulto feito pelo presidente da Argentina, Javier Milei, contra Alexandre de Moraes durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Fachin classificou a declaração como desrespeitosa e incompatível com a civilidade exigida nas relações entre países.
“Tomei conhecimento da declaração do presidente da Argentina sobre ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do país, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil”, afirmou Fachin.
O presidente do STF também ressaltou a independência da Corte diante de pressões estrangeiras. “Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, completou.

A nota foi divulgada depois de Milei chamar Moraes de “lixo careca” no palco da convenção do PL, realizada em São Paulo. O argentino atacou o ministro por não ter autorizado uma visita a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar e está temporariamente proibido de receber visitantes.
A restrição foi imposta por Moraes depois que o ministro concluiu que Jair Bolsonaro participou da elaboração de uma carta de apoio eleitoral a Flávio posteriormente divulgada nas redes sociais. Além da suspensão das visitas por 30 dias, a decisão proibiu encontros com finalidade político-eleitoral até o encerramento das eleições de 2026.
No discurso, Milei afirmou que Jair Bolsonaro está “injustamente encarcerado”, acusou os responsáveis por sua prisão de agir por vingança e comparou o caso às visitas recebidas por Lula durante o período em que o presidente esteve preso. O argentino também chamou Lula de “presidiário” e “ladrão”, pediu votos para Flávio Bolsonaro e afirmou que o candidato do PL poderá impedir o avanço do que chamou de “socialismo” no Brasil.
Fonte: DCM
