quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Moraes diz que impedir saída de Flávio do país era medida “lógica e natural”


Flávio Bolsonaro deixa a Superintendência da Polícia Federal em Brasília após visitar o pai. Foto: Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a proibição de o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixar o Brasil era uma consequência “lógica e natural” do cancelamento e da entrega de seus passaportes. O magistrado citou risco concreto de evasão do território nacional.

Moraes assinou a decisão na segunda-feira (26), após acolher pedido da Polícia Federal para determinar o cancelamento dos documentos e a entrega dos passaportes do senador. As restrições integram uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz.

Flávio Bolsonaro criticou a ordem no mesmo dia e declarou que não deixaria o país um dia depois de perder as eleições presidenciais. Ele não entregou os passaportes dentro do prazo de 24 horas fixado na noite de domingo (25) e deixou o Brasil; a Polícia Federal apura as circunstâncias da saída.

No despacho, Moraes avaliou que as medidas cautelares eram necessárias para a fase atual da investigação. “As medidas cautelares revelam-se necessárias e adequadas, bem como proporcionais em sentido estrito”, escreveu o ministro.

Lula prepara pronunciamento na TV sobre quarto mandato

 Presidente pretende falar sobre eleições e planos para o novo governo antes do feriado de Finados, após “descansar” a voz

     Lula - Crédito: REUTERS/Adriano Machado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende fazer um pronunciamento em rede nacional de televisão nos próximos dias para tratar do resultado das eleições e dos planos para seu quarto mandato. As informações são da coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo.

A data da manifestação ainda não foi definida, mas a intenção é que o discurso ocorra antes do feriado de Finados, na segunda-feira (2). Lula pretende abordar os compromissos que deseja cumprir durante o novo mandato.

Lula se recupera após campanha eleitoral

O presidente está descansando a voz, afetada pelo esforço da reta final da campanha eleitoral e pelos discursos feitos depois da confirmação de sua vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no domingo (25).

Flávio Bolsonaro se autoproclama presidente dos “Estados Unidos do Brazil”



O senador Flávio Bolsonaro (PL) se autoproclamou nesta quarta-feira presidente eleito do “Estados Unidos do Brazil”, apesar de ter perdido a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma declaração divulgada nos Estados Unidos, ele alegou sem apresentar provas que houve “fraude eleitoral” no processo brasileiro.

Flávio afirmou dirigir-se “ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. O texto substituiu uma entrevista coletiva que ele concederia na manhã de quinta-feira, em Miami.

O candidato derrotado recebeu mais de 59 milhões de votos no último domingo. Depois do resultado, deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos, onde divulgou a manifestação.

Na declaração, o senador agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente argentino, Javier Milei. Flávio disse que os dois colaboraram com a operação que permitiu sua saída do país incógnito.
Versão antiga do Brasão de Armas do Brasil. Foto: Divulgação

Câmara de SP instala comissão para analisar impeachment de Ricardo Nunes

 Prefeito é acusado de descumprir decisão da Justiça Eleitoral sobre a frota de ônibus e de mobilizar servidores municipais em favor de Flávio Bolsonaro

     Crédito: Reprodução/TV Globo | Prefeitura SP

 A Câmara Municipal de São Paulo formou, nesta quarta-feira (28), uma comissão especial de sete vereadores para examinar o pedido de impeachment do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A iniciativa, apresentada pela bancada do PSol, aponta supostas irregularidades na atuação da prefeitura durante o segundo turno das eleições presidenciais, incluindo o descumprimento de uma determinação judicial sobre o transporte público e denúncias de utilização de servidores municipais na campanha de Flávio Bolsonaro.

Segundo informações publicadas pelo jornalista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, a comissão realizará sua primeira reunião na quinta-feira (29) e terá até dez dias para elaborar um parecer sobre a admissibilidade da denúncia. O colegiado reúne cinco parlamentares alinhados à administração municipal e dois oposicionistas, composição que favorece a possibilidade de arquivamento do processo.

O pedido foi protocolado pelos vereadores Amanda Paschoal, Celso Giannazi e Silvia da Bancada Feminista, todos do PSol. A denúncia sustenta que a gestão municipal teria desrespeitado a ordem da Justiça Eleitoral para disponibilizar integralmente a frota operacional de ônibus no domingo (25), quando os eleitores compareceram às urnas para decidir a eleição presidencial.

Flávio Bolsonaro entrou com passaporte cancelado nos EUA


               Desembarque de Flávio Bolsonaro nos EUA. Foto: Ricardo Arduengo/AFP

Registros da alfândega dos Estados Unidos apontam que o senador Flávio Bolsonaro (PL) entrou no país na manhã desta quarta (28) com um passaporte diplomático brasileiro, segundo a coluna de Igor Gadelha no Metrópoles. O documento foi cancelado por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O sistema americano também registrou o número do passaporte pessoal brasileiro de Flávio. Ele deixou a Argentina com seu documento italiano antes de seguir para os Estados Unidos.

A família chegou aos EUA por volta das 10h30 em um avião particular. O governo americano classificou o local de desembarque como “indisponível” em seus registros.

O avião pousou no Opa-locka Executive Airport, em Miami. O aeroporto fica no condado de Miami-Dade, na Flórida.

Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução/Metrópoles


Esposa e filhas usaram passaportes brasileiros

Fernanda Bolsonaro, esposa do senador, e as duas filhas adolescentes do casal entraram nos Estados Unidos com passaportes brasileiros comuns. Os registros americanos citados no caso incluem os documentos usados pela família.

Flávio deixou o Brasil depois de uma decisão do STF que determinou a entrega de seus passaportes. O relato sustenta que ele não apresentou o documento italiano às autoridades brasileiras antes da viagem.

Dilma é absolvida pela CVM no caso da refinaria de Pasadena, da Petrobras


     Dilma Rousseff. Foto: Divulgação

O colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) absolveu por unanimidade, nesta terça-feira (27), a ex-presidente Dilma Rousseff e os demais integrantes do Conselho de Administração da Petrobras da acusação de descumprir o dever de diligência na compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Em 2006, Dilma era ministra da Casa Civil e presidia o conselho da estatal. A operação passou a ser questionada por possíveis prejuízos e pela ausência de cláusulas importantes no resumo executivo entregue aos conselheiros antes da decisão.

Nunes Marques dá 10 dias para PGR avaliar pedido de revisão da condenação de Bolsonaro

 Defesa do ex-presidente questiona a atuação de Alexandre de Moraes na investigação da trama golpista e aponta supostas violações de garantias processuais

Ministro Kassio Nunes Marques, do STF, determinou prazo de dez dias para manifestação da PGR sobre pedido da defesa de Jair Bolsonaro - Crédito: ABr | Reuters

 O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste, no prazo de dez dias, sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por envolvimento na trama golpista. A iniciativa representa uma nova tentativa dos advogados de contestar a condenação.

Segundo informações divulgadas pelo UOL nesta quarta-feira (28), o pedido foi protocolado em 25 de setembro e questiona a condução das investigações pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. A defesa sustenta que procedimentos relacionados à tentativa de golpe de Estado foram instaurados por iniciativa do próprio magistrado, sem provocação prévia dos órgãos responsáveis pela persecução penal.

Os advogados também recorrem a declarações feitas por Moraes a respeito das investigações envolvendo o Banco Master. A estratégia consiste em estabelecer uma comparação entre as garantias processuais defendidas pelo ministro naquele episódio e os procedimentos adotados no julgamento de Bolsonaro.

Câmara articula mudança no sistema eleitoral para o voto distrital misto

 Lideranças do centrão e Hugo Motta definem calendário de transição a partir de 2030 e criam grupo para regrar redes sociais

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REPUBLICANOS – PB) - Crédito: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados


 Uma articulação entre a presidência da Câmara dos Deputados e cúpulas de partidos do centrão quer alterar o modelo de escolha dos parlamentares no Brasil, definindo um período de transição que adota o “distritão” em 2030 e consolida o sistema distrital misto a partir do pleito de 2034. A intenção do grupo é aprovar a proposta ainda neste ano, antes da renovação das cadeiras no Congresso Nacional.

O acerto ocorreu em reunião realizada nesta quarta-feira (28), conduzida pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), com presidentes e líderes do MDB, PP, União Brasil, PSD, Republicanos, PSDB, Cidadania, Podemos e PSB. Com a concordância entre os blocos de centro, o passo seguinte será dialogar com as bancadas de esquerda (PT, PCdoB, PV, Rede e Psol) e de direita (PL e Novo).

“Caminharemos para fazer ainda este ano uma discussão e possível votação na Câmara dos Deputados sobre a mudança do nosso sistema eleitoral, caminhando para o sistema distrital misto”, declarou Hugo em entrevista após o encontro. “Vamos, claro, conversar com todos os partidos representados na Casa”, disse.


A proposta pretende reformar a legislação por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A movimentação de bastidores ganhou tração após as eleições recentes, quando a expansão da bancada do PL reduziu a influência do centrão no Parlamento. Com a mudança, os articuladores pretendem neutralizar o efeito dos “puxadores de votos” — nomes altamente votados que estendem vagas aos correligionários no atual sistema proporcional.

Prefeito bolsonarista defende filha atacada por ser petista: “Eu vou te pegar”


                   O prefeito bolsonarista Juliano Ferro (PL) e a filha. Foto: Reprodução

O prefeito bolsonarista de Ivinhema (MS), Juliano Ferro (PL), reagiu à hostilização da própria filha por um apoiador de Jair Bolsonaro. A jovem apoia o PT, enquanto o pai é filiado ao partido do ex-presidente.

Em vídeo, Ferro detonou o homem que ofendeu a filha e afirmou que vai encontrá-lo:

“Eu vou te achar, seu filha da puta. Tá vendo aqui minha filha aqui? Eu vou te achar, você entendeu? Eu vou achar você. Vem cá, não é porque ela é PT não, seu arrombado do caralho, que você pega filha de homem e vai te dar satisfação”, afirmou.

O prefeito também cobrou respeito à posição política da jovem e destacou a divergência entre os dois dentro da família. “Eu sou Bolsonaro, ela é PT. Respeita”, afirmou.

Ferro disse que o ataque à filha motivou sua reação e questionou por que o autor das ofensas não teria se dirigido a ele. “Por que que não vem pegar o pai?”, declarou.

Na gravação, o prefeito afirma que pessoas responsáveis por proteger a jovem deveriam agir. “Onde eu deposito minha filha, defende”, disse, sem detalhar a quem dirigia a cobrança.

Ferro também afirmou que defenderia os seus familiares, mesmo diante de diferenças partidárias. Ferro é prefeito de Ivinhema, município de Mato Grosso do Sul, e integra o PL, legenda pela qual Bolsonaro disputou a Presidência da República em 2022.

VÍDEO: Prefeito bolsonarista se desculpa após chamar nordestinos de burros: “Errar é humano”


Walter Schlatter e montagem transforma o contorno do mapa da Região Nordeste em um burro. Foto: Reprodução

O prefeito de Chapadão do Sul (MS), Walter Schlatter (PP), pediu desculpas nesta terça-feira (27) após compartilhar uma montagem que transformava o mapa da Região Nordeste em um burro. Ele enviou a imagem a um grupo de mensagens com prefeitos de Mato Grosso do Sul depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Schlatter afirmou que reconhece o erro e pediu perdão aos nordestinos e às demais pessoas que se sentiram ofendidas. “Errar é humano. Reconhecer o erro é nobre, é humildade. Eu sei que vocês não têm a obrigação de me perdoar, mas eu tenho a obrigação de reconhecer o erro e pedir desculpas”, disse.

O prefeito apagou a montagem após a repercussão. A imagem associava o contorno geográfico dos nove estados nordestinos à figura de um burro, em uma publicação feita após a divulgação do resultado eleitoral.

Schlatter declarou que agiu sob “emoção” e “decepção” e disse estar chateado consigo mesmo. “Quem nunca errou que atire a primeira pedra. Como eu falei, estou reconhecendo [o erro]. Mais uma vez, desculpa”, afirmou.

Joice Hasselmann: “Ao fugir, Flávio Bolsonaro deu um tapa na cara dos bolsonaristas”

 Ex-deputada afirma que a saída do país foi planejada antes da eleição e pode abrir caminho para a reorganização da direita brasileira

                               Joice Hasselmann, ex-deputada federal - Crédito: Brasil 247

A jornalista e ex-deputada federal Joice Hasselmann afirmou, em entrevista à TV 247, que a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva representa uma ruptura na relação entre a família Bolsonaro e seus próprios eleitores. Segundo ela, a decisão do ex-candidato à Presidência, que teria sido preparada antes mesmo do segundo turno, demonstra desprezo pela militância que sustentou sua campanha e pode desencadear uma reorganização das forças políticas de direita no país.

“Flávio Bolsonaro deu um tapa na cara de todos os bolsonaristas. Flávio Bolsonaro bateu na cara do bolsonarista. Ele desprezou o voto do bolsonarista. Ele deu uma banana pros bolsonaristas”, declarou Joice, que foi líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados e conviveu com integrantes da família durante sua trajetória política.

A ex-parlamentar afirmou que já possuía informações sobre os preparativos para a saída de Flávio Bolsonaro cinco dias antes da votação. De acordo com seu relato, fontes ligadas ao mercado de fretamento de aeronaves particulares teriam informado sobre a contratação de um jatinho para transportar o então candidato aos Estados Unidos caso ele não vencesse a eleição.

“Eu tinha a informação de que ele já tinha fretado um jatinho para fugir caso perdesse as eleições”, disse. Joice explicou que decidiu divulgar o alerta antes do pleito com o objetivo de chamar a atenção das autoridades e permitir que fossem adotadas medidas para impedir sua saída.

“Eu fiz questão de gravar isso e trazer essa informação cinco dias antes do pleito, justamente para fazer com que isso chegasse aos ouvidos das autoridades”, afirmou.

Na avaliação da jornalista, a decisão de conceder um prazo de 24 horas para a entrega do passaporte de Flávio Bolsonaro comprometeu a possibilidade de impedir sua viagem. Ela defendeu que a Polícia Federal deveria ter sido acionada imediatamente para recolher os documentos, especialmente depois das informações que havia divulgado.

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Joice também afirmou que a saída do país não teria sido uma decisão tomada após a divulgação do resultado eleitoral. Segundo ela, o deslocamento já estava organizado e teria contado com a participação de Eduardo Bolsonaro e de integrantes do governo dos Estados Unidos. A ex-deputada mencionou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, como um dos participantes dessa articulação, mas não apresentou, durante a entrevista, documentos que comprovassem a alegação.

“Foi premeditado, sim, premeditado, estudado, tudo para dar certo, para que ele pudesse sair do Brasil”, declarou.Joice também afirmou que a saída do país não teria sido uma decisão tomada após a divulgação do resultado eleitoral. Segundo ela, o deslocamento já estava organizado e teria contado com a participação de Eduardo Bolsonaro e de integrantes do governo dos Estados Unidos. A ex-deputada mencionou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, como um dos participantes dessa articulação, mas não apresentou, durante a entrevista, documentos que comprovassem a alegação.

“Foi premeditado, sim, premeditado, estudado, tudo para dar certo, para que ele pudesse sair do Brasil”, declarou.

MPT recebe 530 denúncias de assédio eleitoral após vitória de Lula; boicotes são investigados

 Empresários e influenciadores incentivam demissões de eleitores do presidente reeleito e divulgam listas de estabelecimentos comerciais para retaliar apoiadores do petista

    Crédito: Reprodução - 

O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 530 denúncias de assédio eleitoral em menos de dois dias após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os registros envolvem práticas de discriminação política no ambiente profissional, incluindo ameaças de demissão, desligamentos de trabalhadores e campanhas de retaliação econômica contra pessoas e estabelecimentos comerciais identificados como apoiadores do petista.

De acordo com informações publicadas pelo jornal O Globo nesta quarta-feira (28), as denúncias foram contabilizadas entre as 23h59 de domingo e as 17h45 de terça-feira (27). O volume representa 21,4% das 2.467 ocorrências registradas pelo MPT ao longo de 2026, indicando que as práticas de intimidação política continuaram mesmo depois do encerramento da disputa presidencial.

O levantamento aponta que o órgão havia recebido 991 denúncias até o encerramento do primeiro turno. Durante o segundo turno, foram contabilizadas outras 946 ocorrências. Com os 530 novos registros após a votação, o total chegou a 2.467 denúncias relacionadas a possíveis práticas de assédio eleitoral.

Entre os episódios que motivaram a atuação do Ministério Público estão publicações de empresários, políticos e influenciadores de direita que defendem a demissão de trabalhadores em razão de suas preferências políticas. Também foram identificadas iniciativas para impedir contratações e estimular o isolamento econômico de eleitores de Lula.

Flávio Bolsonaro usou passaporte italiano para fugir do Brasil, aponta documento de voo

 Senador embarcou em jatinho na Argentina com a família, apesar de ordem do STF para entregar documentos brasileiros e estrangeiros

  Flávio Bolsonaro chega aos EUA após fuga do Brasil - Crédito: REUTERS/Eva Marie Uzcategui

O senador Flávio Bolsonaro (PL) utilizou um passaporte italiano para embarcar no jatinho particular que deixou a Argentina na madrugada desta quarta-feira (28) com destino aos Estados Unidos, após sua derrota nas eleições presidenciais. O documento de voo identifica o parlamentar entre os passageiros e registra o número do passaporte estrangeiro apresentado durante o embarque. O documento foi compartilhado nas redes sociais pelo jornalista argentino Pablo Duggan, que acompanhou a decolagem da aeronave durante a cobertura do canal argentino C5N.

O registro aponta que Flávio Nantes Bolsonaro embarcou no avião de matrícula LV-IQW utilizando um passaporte italiano, apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse seus documentos de viagem.

A decisão de Moraes havia sido proferida na segunda-feira (26), diante de indícios de que o senador pretendia deixar o Brasil. O ministro determinou a devolução do passaporte brasileiro e a entrega de qualquer documento estrangeiro equivalente que estivesse em poder do parlamentar. Segundo a reportagem, a ordem não foi cumprida antes da saída de Flávio do país.

Bolsonaristas criam campanha para “demitir petistas” e são denunciados ao MPT


Fachada do prédio do Ministério Público do Trabalho (MPT). Foto: Divulgação

O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu mais de 400 novas denúncias de assédio eleitoral nas cerca de 40 horas após a reeleição do presidente Lula (PT), em meio à circulação de mensagens bolsonaristas que pedem a demissão de trabalhadores que declararam voto no petista. O total nacional saltou de 1.937 registros, até o fim do domingo (25), para 2.364 na tarde desta terça-feira (27).

A Procuradoria-Geral do Trabalho informou que a maior parte das novas comunicações envolve postagens em redes sociais que incentivam dispensas ou afirmam que empregados já perderam o posto por causa de seu voto. A mobilização passou a usar a expressão “Demita um petista”.

Listas com nomes de pequenos comércios supostamente favoráveis à reeleição de Lula também circulam em aplicativos de mensagens, redes sociais e um site que organiza boicotes por estado. Empresários em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e cidades do interior paulista e mineiro relataram ameaças, mensagens hostis e medo de perder clientes.

No Paraná, o deputado estadual Requião Filho (PDT) denunciou ao MPT dois parlamentares que fizeram campanha por Flávio Bolsonaro (PL) e defenderam demissões por posição política. O órgão abriu procedimentos sobre parte dos casos.
Ilustração com homem de terno segurando carteira de trabalho e frase sobre demitir petista
Ilustração da campanha de bolsonaristas para perseguir petistas. Foto: Reprodução


MPT cobra retratação de Guilherme Kilter

O vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), deputado federal eleito, publicou conteúdos em defesa da dispensa de trabalhadores que votaram no PT. Em vídeo, afirmou: “Se você precisa fazer um corte de gastos ou uma reestruturação na sua empresa comece pelos petistas”.

Nesta terça-feira (27), o MPT recomendou que Kilter publique uma retratação no mesmo formato e canal das mensagens originais. O documento determina que ele esclareça que trabalhadores podem escolher livremente seus candidatos e que empregadores “não podem adotar qualquer medida de caráter retaliatório”. O vereador disse que ainda não havia sido informado sobre a recomendação.

TCU sugere alíquota de 11,3% para a cobrança da nova CBS em 2027

 Percentual calculado pelo tribunal busca neutralizar a carga sobre consumo no início da reforma tributária

TCU - Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

O Tribunal de Contas da União (TCU) sugeriu, nesta quarta-feira (28), a fixação em 11,3% para a alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços no exercício de 2027, medida que visa assegurar a manutenção da arrecadação federal de tributos sobre o consumo no novo sistema, informa a Folha de São Paulo.

O montante recomendado pelo órgão de controle externo toma como base o levantamento dos dados disponibilizados pela Receita Federal e passará pela avaliação dos ministros da corte ainda nesta quarta-feira. Na sequência da aprovação interna, o relatório segue para a apreciação do Senado Federal. O parlamento terá até a data limite de 15 de dezembro para ratificar ou alterar a marca. Se os senadores não se manifestarem no prazo regulamentar, a proposta elaborada pelo tribunal passa a vigorar automaticamente no ano subsequente.

O cronograma de implementação estabelece que a cobrança da nova tributação passe a vigorar em 1º de janeiro, promovendo o encerramento do Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Imposto sobre Operações Financeiras aplicado aos seguros, além de absorver a ampla maioria das receitas hoje obtidas por meio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Democratas criticam Trump e Rubio por ‘estender tapete vermelho’ para Flávio Bolsonaro

 Oposição norte-americana critica governo Trump por acolher senador brasileiro enquanto barra refugiados de conflitos e guerras

Marco Rubio e Flávio Bolsonaro - Crédito: Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro

A concessão de vistos de entrada nos Estados Unidos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a seus familiares pelo Departamento de Estado provocou forte reação de parlamentares e figuras do Partido Democrata na terça-feira (27), informa o Metrópoles. Integrantes da bancada oposicionista no Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos condenaram com veemência a postura da administração Donald Trump.

O colegiado questionou o contraste entre o acolhimento oferecido aos Bolsonaros e o rigor da política migratória norte-americana contra populações vulneráveis de regiões em crise internacional. “Não há asilo para pessoas que fogem da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, mas Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro. Aparentemente, fugir da violência não se qualifica. Negar os resultados das eleições, sim”, destacou a representação democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, em publicação na rede social X.

A contestação ganhou coro com outras lideranças progressistas dos EUA. O candidato democrata Isaiah Martin adotou um tom incisivo ao defender a expulsão do parlamentar brasileiro, a quem descreveu como “imigrante ilegal criminoso”, alertando que a sociedade norte-americana não deve custear viagens e esquemas de segurança para a família Bolsonaro.

“Vamos deportá-lo no primeiro dia. Aliás, deveríamos deixar o Brasil prendê-lo no meio da noite, de helicóptero!”, declarou Martin em suas plataformas digitais. Na mesma linha, o deputado Joaquin Castro usou a rede Threads para ironizar a tentativa de refúgio no território norte-americano: “perder uma eleição não é motivo para pedir asilo”.

Em fuga para os EUA, Flávio faz rota alternativa para evitar espaço aéreo do Brasil


                        Flávio Bolsonaro durante entrevista coletiva. Foto: Reprodução

O Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, que teria levado o senador Flávio Bolsonaro (PL) e sua família aos Estados Unidos, desviou do espaço aéreo brasileiro após decolar da Argentina. A aeronave seguiu por Paraguai, Bolívia e Peru antes de pousar em Guayaquil, no Equador, para reabastecer. Com informações da Mônica Bergamo, na Folha.

A rota evitou o sobrevoo do Brasil, onde a Força Aérea Brasileira (FAB) pode interceptar aeronaves consideradas suspeitas e determinar o pouso. Na etapa final da viagem, o jato deveria cruzar Panamá e Cuba antes de chegar a Miami.

O acompanhamento do voo pelo FlightRadar indicou que o avião não fez o trajeto mais direto a partir de Puerto Iguazú, cidade argentina na fronteira com o Brasil. A mudança de caminho aumentou a distância percorrida até a escala equatoriana.

A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que a aeronave partiu de Puerto Iguazú às 23h30 de terça-feira (27). O órgão argentino afirmou que Flávio, a mulher e as duas filhas entraram no país às 22h50.

Mapa da rota do Gulfstream G400 pela América do Sul
Mapa de voo indica trajeto pelo Paraguai, Bolívia, Peru e Equador. Foto: Reprodução

Decisão de Moraes proibiu Flávio de deixar o país

Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cancelou os passaportes emitidos em nome de Flávio Bolsonaro e proibiu o senador de deixar o Brasil. A medida se tornou pública um dia após a derrota dele para o presidente Lula (PT) na eleição presidencial.

Flávio é alvo de investigação no STF e recebeu intimação da Polícia Federal para entregar, em 24 horas, os passaportes comum e diplomático. A ordem também abrange eventuais documentos de viagem emitidos por outros países.

Santiago Caputo, braço direito de Milei, comandou operação de fuga de Flávio Bolsonaro

 Santiago Caputo esteve em Foz do Iguaçu e teria coordenado, nos bastidores, a operação que contou com apoio do Estado argentino

Santiago Caputo - Crédito: Reuters/Matias Baglietto

O principal estrategista político do presidente argentino Javier Milei, Santiago Caputo, teria participado pessoalmente da operação que permitiu ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família deixar o Brasil pela Argentina, em um voo com destino aos Estados Unidos e escala no Equador. Apesar de não ocupar um cargo formal na Casa Rosada, Caputo exerce grande influência sobre setores estratégicos do governo argentino e teria coordenado o deslocamento a partir da região da tríplice fronteira. As informações são do UOL.

Caputo viajou até Puerto Iguazú, na Argentina, onde se hospedou em um hotel, e depois se deslocou até Foz do Iguaçu, no Paraná. O senador e seus familiares permaneceram na cidade brasileira por mais de 24 horas antes de atravessar a fronteira para embarcar em um aeroporto argentino.

A apuração aponta que o assessor de Milei acompanhou a operação destinada a transportar a família Bolsonaro até os Estados Unidos. A movimentação teria contado com a participação de estruturas do Estado argentino, incluindo agentes de segurança aeroportuária e órgãos ligados à aviação civil.

Um dos principais indícios dessa participação foi a escolta realizada pela Polícia de Segurança Aeroportuária argentina (PSA). De acordo com o relato, uma van da empresa Dallas Tour transportou os familiares de Flávio Bolsonaro de Foz do Iguaçu até Puerto Iguazú. Depois de ingressar em território argentino, o veículo passou a ser acompanhado por integrantes da PSA.

Embora não exista confirmação de que Caputo estivesse dentro da van, as fontes consultadas pela coluna consideram essa possibilidade a mais provável. A presença de agentes de segurança argentinos no deslocamento também reforça as suspeitas de que a operação tenha recebido apoio de autoridades do governo Milei.

Demissão por motivo político é proibida e gera indenização no Brasil

 Legislação trabalhista impede punições a empregados por convicções ideológicas e prevê reparação em dobro ou reintegração ao cargo

Carteira de trabalho digital  - Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O direito à liberdade de manifestação e de escolha política no ambiente de trabalho voltou ao centro dos debates jurídicos após a Justiça do Trabalho intervir para vetar postagens de uma parlamentar que incentivavam a demissão de profissionais devido às suas posições eleitorais. Diante desse cenário, especialistas alertam que a dispensa motivada por ideologia configura ato discriminatório e ilegal, garantindo ao trabalhador dispensado de forma injusta o direito à indenização por danos morais e até a recondução ao antigo posto de trabalho, informa o jornal O Globo.

A proteção legal ao empregado baseia-se na Constituição Federal, que veda a privação de direitos por motivos de convicção política, além de ser respaldada pela Lei 9.029, de 1995, e pelas normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) ratificadas pelo país. Conforme destaca o advogado Carlos Cezar Júnior, especialista em Direito Trabalhista, Empresarial e do Consumidor, o entendimento consolidado nos tribunais assegura que o desligamento decorrente da preferência por determinado partido, candidato ou ideologia é estritamente proibido. “O que ela (a empresa) não pode é usar a demissão como punição por uma escolha política”, ressalta o jurista.

Existe, porém, uma delimitação clara entre a livre manifestação do pensamento e a conduta inadequada no ambiente corporativo. O advogado pontua que opinar, expressar apoio a candidaturas nas redes sociais ou utilizar identificação política em itens pessoais não constitui motivo para desligamento. Por outro lado, excessos que envolvam o ambiente corporativo exigem atenção.

“Votar em quem quiser, apoiar um candidato, usar adesivo no carro ou publicar a favor ou contra alguém nas redes não justifica demissão. A situação muda quando o empregado usa a política para ofender colegas, clientes, gestores, ameaça alguém, compartilha discurso de ódio, incita violência, faz campanha durante o expediente ou envolve o nome e o uniforme da empresa na militância”, afirma Carlos Cezar. Ele enfatiza que, em episódios dessa natureza, o ato punido deixa de ser a opinião e passa a ser o comportamento do funcionário: “nesses casos a empresa não está punindo o que a pessoa pensa, está punindo o que ela fez. Isso ao meu ver pode justificar advertência, demissão e, nos casos graves, justa causa”.

⦾ Produção e preservação de provas

Como os empregadores raramente formalizam a motivação ideológica na carta de demissão, a comprovação na Justiça costuma ser constituída por meio de indícios indiretos e elementos circunstanciais. O professor de Direito do Trabalho da Estácio Jamil Rangel esclarece que a confissão explícita da empresa não é necessária para a validação do processo. “A prova pode ser direta ou por meio de atos em processo como testemunhal, perícia de equipamento eletrônico. Não é indispensável que o empregador confesse expressamente que dispensou o trabalhador por sua opinião política”, salienta Rangel.

A juntada de conversas em aplicativos, e-mails, registros em áudio e relatos de testemunhas possui peso decisivo no julgamento. Tendo um conjunto probatório consistente, cabe ao juiz transferir para o empregador o ônus de provar que a dispensa ocorreu por justificativa técnica ou financeira legítima. Mudanças repentinas no tratamento de um funcionário bem avaliado após debates políticos, bem como dispensas simultâneas de trabalhadores com alinhamento ideológico semelhante, funcionam como fortes indícios de ilegalidade. A gravação de conversas efetuada pelo próprio trabalhador participante da interação é aceita de forma habitual como meio probatório pela Justiça.

⦾ Procedimentos imediatos após o desligamento

Diante da constatação de demissão abusiva, o funcionário deve adotar condutas estratégicas de preservação de seus direitos:

●    Registro minucioso: Anotar imediatamente datas, horários, locais, nomes dos envolvidos e as falas exatas proferidas no momento do desligamento ou em episódios anteriores.

●   Preservação de documentos: Salvar e guardar registros de mensagens e e-mails antes da perda do acesso às contas e plataformas corporativas.

●  Cuidados ao assinar a rescisão: Evitar assinar declarações inverídicas, pedidos voluntários de demissão ou acordos de desligamento sem respaldo na realidade.