sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Mendonça pediu a Fachin que afastasse Moraes imediatamente, diz Natuza Nery


Os ministros do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça e Alexandre de Moraes. Foto: Antonio Augusto/STF

O ministro André Mendonça teria procurado o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e pedido que ele afastasse imediatamente Alexandre de Moraes, submetendo depois a decisão ao plenário da Corte. A informação foi revelada pela jornalista Natuza Nery, da GloboNews, na noite desta quinta-feira (3), como uma apuração feita minutos antes de a Central GloboNews entrar no ar.

Segundo Natuza, Mendonça procurou Fachin “revoltado” após tomar conhecimento da medida adotada por Moraes contra ele. O pedido seria para que o presidente do Supremo afastasse Moraes ad referendum — isto é, adotasse a medida de forma cautelar e a submetesse posteriormente à confirmação do plenário. Até o momento, não há informação pública de que Fachin tenha acolhido a solicitação.

A reação ocorreu depois que Moraes pediu ao presidente da Corte a abertura de investigação contra Mendonça. O ministro atribuiu ao colega possíveis atos de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade e afirmou que ele teria perdido a imparcialidade na condução de investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS.

Vorcaro enviou R$ 500 mil à alfaiataria que fez terno de Mendonça; entenda


       André Mendonça e Daniel Vorcaro. Foto: reprodução

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, fez um pagamento de R$ 500 mil à mesma alfaiataria em São Paulo onde, oito meses antes, seu advogado Ciro Rocha Soares esteve com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de acordo com novas revelações da newsletter Noites Húngaras, de Paulo Motoryn. Na ocasião, o advogado enviou ao banqueiro uma foto com o magistrado e um áudio afirmando estar “trabalhando por você”.

A despesa aparece em uma fatura do cartão de crédito de Vorcaro obtida pela newsletter Noites Húngaras. O pagamento foi realizado em 24 de outubro de 2025 e consta na fatura do mês seguinte como uma cobrança de exatamente R$ 500.000,00 na “Alegrete Alfaiataria”.

Alegrete é a razão social da Alfaiataria Vasco Vasconcellos, estabelecimento que já havia aparecido em mensagens relacionadas à aproximação entre Vorcaro e Mendonça.

Fachin dá 5 dias para Moraes, Mendonça, Gonet e chefe da PF explicarem crise do Master


          Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal. Foto: Alejandro Zambrana/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, deu cinco dias úteis para Alexandre de Moraes, André Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentarem informações sobre a crise aberta pelo caso Banco Master. Segundo a decisão divulgada pelo G1, Fachin quer reunir elementos antes de uma eventual apreciação colegiada do episódio.

Entre os pontos mais sensíveis, Fachin pede esclarecimentos sobre “indícios de que credenciais de acesso institucional tenham sido utilizadas para avaliar documento estritamente particular” e sobre a possibilidade de informações protegidas por sigilo judicial terem sido reveladas a uma pessoa investigada. O despacho, nos trechos divulgados, não identifica de forma suficiente quem teria utilizado essas credenciais nem qual seria o documento particular, razão pela qual esses elementos permanecem como questões a serem esclarecidas.

Lula e Fachin se encontram hoje em meio à crise no STF

 Presidente exige integridade na investigação do Banco Master; encontro ocorre após Fachin cobrar explicações de ministros, PGR e Polícia Federal

      Lula e Edson Fachin - Crédito: Ricardo Stuckert | Gustavo Moreno/STF

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontra nesta sexta-feira (4) com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, em meio ao agravamento da crise interna na Corte e às dúvidas sobre a condução das investigações relacionadas ao Banco Master.

Segundo o jornal O Globo, os dois participarão, às 10h, no Palácio do Planalto, da cerimônia de sanção do projeto que cria o Fundo Especial da Justiça Federal (Fejufe) e o Fundo Especial do Superior Tribunal de Justiça (FESTJ). O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também confirmou presença.

O encontro ocorre um dia depois de Lula cobrar publicamente uma reação de Fachin e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente defendeu a adoção de medidas capazes de preservar a credibilidade das apurações sobre o Banco Master.

“Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”, afirmou Lula.

Milhões cobrados por Flávio Bolsonaro a Vorcaro foram enviados a aliados de Eduardo Bolsonaro, aponta delator

 Segundo relato de Antônio Carlos Freixo Júnior, recursos destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro partiram de Daniel Vorcaro e chegaram a fundo no Texas administrado por advogado ligado a Eduardo; PF investiga as operações

Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Mario Frias e, ao fundo, o ator Jim Caviezel interpretando Jair Bolsonaro no filme Dark Horse
Crédito: Divulgação I Reprodução

 Dezenas de milhões de dólares que teriam sido solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, foram enviados a uma estrutura financeira nos Estados Unidos administrada por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. As informações constam da delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, operador financeiro de Vorcaro, segundo o blog de Fausto Macedo.

De acordo com o relato do delator, Flávio Bolsonaro teria solicitado US$ 24 milhões a Vorcaro para o financiamento da produção. Conversas e documentos entregues às autoridades indicariam que pelo menos US$ 10,6 milhões foram efetivamente pagos por meio do fundo Havengate, sediado no Texas.

Freixo Júnior afirmou que os recursos transferidos ao fundo americano tiveram origem em Vorcaro e que sua participação teria consistido em executar as operações determinadas pelo banqueiro. O delator declarou não saber qual foi a utilização final do dinheiro depois que os valores chegaram aos Estados Unidos.