domingo, 4 de janeiro de 2026

Dança de Maduro teria irritado Trump e precipitado ação na Venezuela, diz New York Times


     Maduro dança no Palácio Miraflores

Uma dança aparentemente inofensiva pode ter sido o estopim para a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ordenar a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e autorizar ataques militares contra a Venezuela.

Segundo fontes ouvidas pelo New York Times, Trump já demonstrava irritação com a postura de Maduro diante do agravamento das tensões entre Caracas e Washington. O episódio decisivo, porém, teria ocorrido no mês passado, quando o presidente venezuelano apareceu na televisão dançando ao som de um remix de um discurso seu, com a frase “Sem guerra, sim à paz”.

No vídeo, que se espalhou rapidamente pelas redes sociais, Maduro dança enquanto sua própria voz é reproduzida em inglês, repetindo “No crazy war” (“Sem guerra insana”). Para Trump e seus assessores, a cena soou como provocação direta, poucos dias depois de os Estados Unidos terem realizado um ataque a um porto venezuelano que, segundo Washington, estaria ligado ao narcotráfico.

A dança não era um episódio isolado. Maduro já havia aparecido em outras ocasiões públicas ao som da mesma música, inclusive um mês antes, com versos celebrando “vitória” e exaltando a paz. Ainda assim, integrantes do governo norte-americano avaliaram que a repetição dessas apresentações indicava uma tentativa de testar os limites dos Estados Unidos.

Poucos dias depois, a Casa Branca decidiu agir. No sábado, uma força militar de elite dos EUA realizou uma operação noturna em Caracas, destruiu instalações militares e deteve Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados para Nova York, onde enfrentam acusações como conspiração para narcoterrorismo, crimes com armas e tráfico internacional de cocaína.

Já sob custódia, Maduro teria desejado “Feliz Ano Novo” a agentes antidrogas e posado com os polegares levantados antes de ser transferido para o Metropolitan Detention Center, no Brooklyn, onde ele e a esposa permanecem detidos.




Após a operação, Trump afirmou que os Estados Unidos pretendem assumir a administração da Venezuela enquanto Maduro estiver fora do poder. Em entrevista coletiva em Mar-a-Lago, declarou que Washington governaria o país até que fosse possível promover uma transição considerada segura e adequada.

O presidente não mencionou o episódio da dança, mas destacou repetidamente o setor petrolífero venezuelano. Disse que grandes empresas norte-americanas seriam incentivadas a investir bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura de petróleo e gerar receitas.

Autoridades dos EUA afirmaram ainda que já existe um nome definido para ocupar interinamente um posto-chave no governo venezuelano. A vice-presidente Delcy Rodríguez, responsável pela política petrolífera do país, seria a opção preferida para cooperar com a nova administração.

Fonte: DCM

Venezuelanos dizem que sequestro de Maduro pelos EUA não muda nada: “Show”


      Fronteira entre o Brasil e Venezuela. Foto: Reprodução/O Globo

A cidade de Pacaraima, no Estado de Roraima, registrou intenso movimento neste final de semana após a reabertura da fronteira com a Venezuela, motivada por ataques dos Estados Unidos ao país vizinho. A ação provocou preocupação entre autoridades brasileiras e moradores da região desde sábado (03), com o aumento do tráfego de pessoas na região.

Venezuelanos que atravessaram a fronteira, como Antonio Cardenas, afirmam que a intervenção americana não trouxe liberdade para o povo. Para eles, a operação serviu apenas como um “show” político contra o governo de Nicolás Maduro, sem melhorar a situação interna.

O fluxo de refugiados tem aumentado na região, com famílias cruzando em busca de segurança e suprimentos básicos. Essa movimentação pressiona os serviços públicos e os abrigos temporários no estado, que já enfrentam grande demanda.

O clima entre os venezuelanos permanece de incerteza e medo. Muitos temem um vácuo de poder caso mudanças abruptas na liderança venezuelana se concretizem, o que pode agravar ainda mais a crise humanitária.

Presidente da Venezuela Nicolás Maduro, que foi capturado durante operação militar norte-americana em Caracas. Foto: Reprodução

Autoridades brasileiras acompanham de perto a situação, avaliando os impactos sobre a estabilidade regional e o aumento do fluxo migratório. Medidas de acolhimento e segurança estão sendo reforçadas para atender à população que chega.

Organizações humanitárias alertam para a vulnerabilidade dos venezuelanos. A falta de acesso a alimentos, medicamentos e abrigo adequado torna a travessia e a permanência no Brasil extremamente delicadas.

Para Cardenas e outros refugiados, a expectativa de liberdade prometida com os ataques dos EUA não se concretizou. A população continua sofrendo com a escassez e a insegurança, sem sinais de melhora imediata.

O episódio evidencia os desafios humanitários e políticos na fronteira entre Brasil e Venezuela. Enquanto a comunidade internacional observa os desdobramentos, os impactos diretos sobre os refugiados permanecem urgentes.

Fonte: DCM

Perfil de Maduro faz apelo nas redes: “nós os queremos de volta”

“Já se passou um dia do seu sequestro”, acrescentou a publicação

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro - 01/12/2025 (Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria)

Um post no perfil de Nicolás Maduro no Instagram foi publicado para reforçar que este domingo (4) é o primeiro dia do sequestro feito por forças dos Estados Unidos. Ele foi transportado para os Estados Unidos, onde, mesmo sem provas, o presidente Donald Trump acusa o venezuelano de envolvimento com o tráfico de drogas

“Nós os queremos de volta”, afirmou a postagem no perfil de Maduro, sequestrado. “Já se passou um dia do seu sequestro”, acrescentou a publicação

Mais de 150 aeronaves de combate decolaram de cerca de 20 bases localizadas no Hemisfério Ocidental, informou o general Dan Caine. Em agosto de 2025, os EUA aumentaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Nicolás Maduro.

Também no segundo semestre do ano passado, o governo Trump ordenou ataques contra barcos nas regiões do Caribe e do Oceano Pacífico, em áreas próximas do continente sul-americano. Os ataques resultaram em mais de 100 mortes, registradas em mais de 20 ataques.

Mas o interesse estratégico dos EUA está nas reservas de petróleo da Venezuela, que tem mais de 300 bilhões de barris de petróleo. O número representa aproximadamente 17% das reservas globais.

Fonte: Brasil 247

Venezuelanos fazem fila para comprar e estocar comida

A jovem Sofia Salazar contou como reagiu ao saber do ataque e como está o clima entre seus familiares e amigos

Ataque dos EUA contra a Venezuela e o povo do país sul-americano em fila para conseguir alimentos (Foto: Reuters)

Venezuelanos fazem fila em supermercados para comprar produtos e estocar depois dos ataques de forças dos Estados Unidos contra o território do país sul-americano. A jovem Sofia Salazar contou como reagiu ao saber do ataque e como está o clima entre seus familiares e amigos

“As pessoas estão saindo para comprar alimentos porque não sabemos se vai faltar, não sabemos o que pode acontecer nos próximos dias. A gente já saiu para comprar alimentação e coisas de higiene", afirmou a venezuelana, segundo o Portal G1

"Fomos acordados com uma ligação de um familiar e informados que a Venezuela estava sendo atacada na capital. Porém, o estado em que moramos é distante, então por aqui ainda está tranquilo”.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

Saiba por quais supostos crimes Maduro será julgado nos EUA


        Suposta imagem de Maduro capturado pelos EUA. Foto: reprodução

O governo dos Estados Unidos acusa o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de liderar uma “conspiração narcoterrorista” internacional, segundo indiciamento apresentado no Tribunal do Distrito Sul de Nova York. O documento, acessado pelo UOL, reúne quatro acusações formais relacionadas ao tráfico de drogas, uso de armamento pesado e associação com grupos criminosos.

Além de Maduro, o processo inclui outros cinco nomes, entre eles a primeira-dama Cilia Flores, o filho do presidente, Nicolás Maduro Guerra, conhecido como “Nicolasito”, o ministro do Interior Diosdado Cabello, o ex-ministro Ramón Rodríguez Chacín e Héctor Guerrero Flores, o “Niño Guerrero”, apontado pelos EUA como líder do grupo Tren de Aragua.

De acordo com o indiciamento, os acusados teriam usado a Venezuela como plataforma para o envio de grandes quantidades de cocaína aos Estados Unidos. A ação afirma que, por mais de duas décadas, integrantes do alto escalão venezuelano teriam corrompido instituições públicas para facilitar o tráfico internacional de drogas.

Donald Trump faz pronuciamento na Flórida para falar sobre o sequestro de Maduro Imagem: Jim Watson/AFP

As acusações formais incluem conspiração narcoterrorista, conspiração para importação de cocaína, posse e uso de metralhadoras e dispositivos destrutivos, além de conspiração para a posse desses armamentos. O documento cita suposta cooperação com organizações como as FARC e o Tren de Aragua, mas não apresenta provas materiais ou indícios detalhados dos crimes alegados.

O indiciamento prevê que, em caso de condenação, os réus deverão entregar aos Estados Unidos bens e propriedades ligados direta ou indiretamente às atividades descritas. A procuradora-geral norte-americana afirmou que os acusados enfrentarão a Justiça em tribunais dos EUA, sem informar prazos para o julgamento.

Autoridades venezuelanas reagiram classificando a operação norte-americana como um “ataque covarde”. O chanceler Yván Gil Pinto acusou os EUA de violarem a soberania do país e afirmou que a Venezuela pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU. Em pronunciamento, a vice-presidente Delcy Rodríguez exigiu a libertação imediata de Maduro e reafirmou que ele segue sendo o presidente legítimo do país.

Fonte: DCM com informações do UOL

Rubio: EUA colaborarão com governo se a Venezuela 'tomar as decisões certas'

Secretário de Estado dos EUA, por outro lado, ameaça com “diversas ferramentas de pressão” caso a Venezuela não se submeta a Washington

    O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio - 12/11/2025 (Foto: Mandel Ngan/Pool via REUTERS)


O governo dos Estados Unidos afirmou que está disposto a estabelecer algum nível de cooperação com as atuais autoridades da Venezuela, desde que o país adote o que Washington considera “as decisões certas”. A declaração foi feita neste domingo (4) pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ao comentar a postura dos EUA em relação ao cenário político venezuelano após uma recente operação conduzida por forças americanas. A informação foi divulgada originalmente pela agência AFP.

Em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS News, Rubio indicou que a política dos Estados Unidos em relação à Venezuela será guiada pelas ações concretas do governo que está no poder. “Vamos julgar tudo pelo que fizerem, e vamos ver o que fazem”, afirmou o secretário de Estado.

Segundo Rubio, a disposição para o diálogo não elimina a possibilidade de pressões adicionais. Ele deixou claro que Washington mantém mecanismos prontos para serem utilizados caso não haja mudanças consideradas satisfatórias. “Eu sei o seguinte: se não tomarem as decisões certas, os Estados Unidos manterão diversas ferramentas de pressão”, declarou.

As falas refletem a estratégia do governo norte-americano de condicionar qualquer aproximação diplomática a medidas políticas específicas por parte das lideranças venezuelanas, mantendo aberta a possibilidade tanto de negociação quanto de endurecimento, conforme a avaliação feita pela Casa Branca sobre os próximos passos do país sul-americano.

Fonte: Brasil 247

Ataque à Venezuela e sequestro de Maduro dividem apoiadores de Trump nos EUA

Planos de intervenção ampliam críticas internas ao foco externo do presidente dos Estados Unidos

        Trump anuncia a ocupação da Venezuela (Foto: Reuters)

Um setor expressivo da base política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem demonstrando crescente desconforto com o protagonismo da política externa em sua agenda. As críticas se intensificaram após o anúncio, feito no sábado (3), de que os Estados Unidos sequestraram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e passariam a “administrar” o país por tempo indefinido, medida que reacendeu temores de um envolvimento prolongado em território estrangeiro, relata o jornal The New York Times.

Para críticos dentro do movimento MAGA, a ação contradiz promessas centrais de Trump de priorizar problemas econômicos domésticos e encerrar o que ele próprio chamou, ao longo dos anos, de “guerras intermináveis”.

À medida que mais detalhes da operação vieram a público, aliados e ex-aliados passaram a alertar para o risco de um conflito sem prazo definido. A deputada Marjorie Taylor Greene, antes próxima de Trump e hoje uma de suas vozes críticas, escreveu nas redes sociais: “Isso é o que muitos no MAGA pensaram que votaram para acabar. Como estávamos enganados".

Embora tenha prometido reduzir a presença militar dos EUA no exterior, Trump não descartou o envio de tropas à Venezuela. Em conversa com repórteres, afirmou que os Estados Unidos “não têm medo de botas no chão”, acrescentando que a administração planejava manter presença militar no país “no que diz respeito ao petróleo”. Em outro momento, declarou: “Vamos reconstruir a infraestrutura petrolífera” e “vamos administrá-la adequadamente e garantir que o povo da Venezuela seja cuidado".

As declarações causaram surpresa até mesmo entre republicanos, que questionaram a compatibilidade entre esses planos e o discurso de não intervenção. Trump voltou a insistir: “Vamos administrar o país corretamente. Será administrado com muita prudência, com muita justiça. Vai gerar muito dinheiro". Para analistas, a fala remete ao princípio conhecido como “regra da loja de porcelanas”, popularizado pelo ex-secretário de Estado Colin Powell: quem quebra, assume a responsabilidade.

O estrategista republicano Matthew Bartlett, que atuou no Departamento de Estado durante o governo Trump, classificou a proposta como “simplesmente impressionante”, acrescentando: “Isso não é algo que o presidente tenha delineado, certamente durante a campanha e mesmo durante os últimos meses".

O impacto político da operação, segundo observadores, dependerá de sua duração e de seus desdobramentos. Dave Carney, estrategista republicano e dirigente do Preserve America, afirmou: “Esta é a parte difícil. Ninguém quer um atoleiro. Ninguém quer, sabe, caixões voltando para Dover com soldados americanos que estão sendo alvejados por, sabe, uma minoria rebelde na Venezuela". Para ele, “se continuar por três anos, será negativo”, mas uma presença de poucos meses poderia levar Trump a “ser celebrado”.

Parte do Partido Republicano também demonstrou apoio. O senador Mike Lee, de Utah, afirmou após conversar com o secretário de Estado Marco Rubio que a ação militar “foi implantada para proteger e defender aqueles que executavam o mandado de prisão” contra o líder venezuelano.

Setores tradicionalmente intervencionistas da política externa americana também reagiram favoravelmente. O senador Mitch McConnell, do Kentucky, declarou: “Sou grato ao pessoal dos EUA que cumpriu ordens em situação de perigo. Uma Venezuela livre, democrática e estável, liderada por venezuelanos, está nos interesses de segurança nacional da América".

Assessores de Trump sustentam que a ofensiva está alinhada às promessas de campanha, argumentando que o governo venezuelano teria contribuído para problemas internos dos EUA, como violência de gangues e o aumento de overdoses por fentanil.

A operação também dividiu figuras da direita radical. Laura Loomer, aliada de Trump em outras ações militares, posicionou-se contra a intervenção na Venezuela. Ela afirmou: “Talvez em breve veremos uma invasão” para que María Corina Machado, líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2025, “possa assumir o poder em um país que ela nunca será capaz de administrar sem assistência dos EUA". Segundo Loomer, esse cenário poderia abrir espaço para maior influência da China.

O debate expõe uma fissura central no trumpismo: quem define, afinal, o significado de “América Primeiro”. Trump, que popularizou o slogan durante a campanha de 2016, sustenta que cabe a ele essa definição. Parte de seus apoiadores mais fiéis, no entanto, demonstra acreditar que o conceito deveria implicar menos envolvimento direto em conflitos externos e maior foco nas demandas internas dos Estados Unidos.

Fonte: Brasil 247

Venezuelanos relatam "medo e incerteza" após intervenção dos EUA

População promete resistência diante da tentativa norte-americana de ingerência no país sul-americano

        Nicolás Maduro (Foto: Reprodução/X/@RapidResponse47)


A intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na detenção de Nicolás Maduro em território norte-americano, desencadeou um clima de apreensão entre a população e intensificou a tensão política no país. Ruas esvaziadas, atividades reduzidas e conversas marcadas por ansiedade refletem a incerteza sobre os próximos passos após a ação ordenada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

As informações foram divulgadas pela agência Reuters, que relatou os desdobramentos imediatos da operação militar que sequestrou Maduro em Caracas e o levou a um centro de detenção em Nova York, onde ele aguarda julgamento sob acusações relacionadas ao tráfico de drogas. A agência descreveu a ação como uma das intervenções mais "controversas" dos EUA na América Latina em décadas.

Imagens de Maduro algemado e vendado durante o traslado causaram forte impacto entre venezuelanos e repercutiram internacionalmente. Segundo a Reuters, ao chegar aos Estados Unidos, o líder venezuelano dirigiu-se aos agentes com a frase "feliz ano novo". Ele deve comparecer a um tribunal federal em Manhattan nos próximos dias.

Dentro da Venezuela, aliados de Maduro mantêm o controle das estruturas do Estado e classificam a operação como um “sequestro”. O cotidiano foi alterado em diversas cidades, com moradores evitando sair de casa e comércio funcionando de forma irregular. “Acabei de levar o cachorro para fora e parece uma cidade abandonada, as pessoas estão trancadas dentro de casa”, relatou Alejandra Palencia, psicóloga de 35 anos, moradora de Maracay. Ela resumiu o sentimento predominante ao afirmar: “Há medo e incerteza".

Donald Trump declarou que os Estados Unidos pretendem administrar temporariamente a Venezuela e suas reservas de petróleo, as maiores do mundo, até que ocorra uma transição política. “Nós vamos administrar o país até que seja possível realizar uma transição segura, adequada e criteriosa”, afirmou o presidente norte-americano durante coletiva em Mar-a-Lago, sem detalhar como esse processo seria conduzido.

A posição do governo dos EUA gerou frustração em setores da oposição venezuelana no exterior, após Trump minimizar a possibilidade de a líder oposicionista María Corina Machado assumir o comando do país.

Autoridades em Caracas reagiram com firmeza. Delcy Rodríguez, que assumiu interinamente a presidência, contestou a legitimidade da ação norte-americana. “Há apenas um presidente na Venezuela, e seu nome é Nicolás Maduro”, declarou. Em tom de resistência, acrescentou: “Nunca mais seremos colônia de nenhum império".

A operação envolveu forças especiais dos Estados Unidos, com ações aéreas e ataques a instalações militares. O governo norte-americano acusa Maduro de liderar esquemas de envio de drogas aos EUA, acusações que ele nega. Representantes venezuelanos exigiram sua libertação e denunciaram interesses estrangeiros nas riquezas naturais do país.

A repercussão internacional foi imediata. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou a ação como “um precedente perigoso”. Rússia e China criticaram duramente Washington, e o Ministério das Relações Exteriores chinês declarou: “A China se opõe firmemente a esse tipo de comportamento hegemônico por parte dos Estados Unidos.” O papa Leão afirmou acompanhar os acontecimentos com “a alma cheia de preocupação” e defendeu que “O bem do amado povo venezuelano deve prevalecer sobre qualquer outra consideração.

Maduro permanece detido no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn.

Fonte: Brasil 247

Gleisi enquadra Tarcísio: "muito cinismo para um bolsonarista só"

Governador de São Paulo usou a invasão dos EUA na Venezuela e o sequestro de Maduro para atacar Lula

Tarcísio de Freitas e Gleisi Hoffmann (Foto: Pablo Jacob/Governo de São Paulo | Gil Ferreira/SRI-PR)

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), reagiu com dureza às declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), após a ação do governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, contra a Venezuela. Em manifestação pública, a ministra acusou o governador de cinismo político ao tentar atribuir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) responsabilidades por um episódio de grave impacto geopolítico na América Latina.

A crítica foi publicada por Gleisi Hoffmann em uma postagem nas redes sociais neste domingo (4), na qual ela comentou diretamente a conduta do governador paulista. Segundo a ministra, Tarcísio acumula uma sequência de posições alinhadas ao bolsonarismo e aos interesses dos Estados Unidos.

Na publicação, Gleisi foi categórica ao afirmar: “Tarcísio Freitas, que vestiu boné do Trump, comemorou o tarifaço que ele impôs contra o Brasil, apoiou a traição de Eduardo Bolsonaro à pátria, defendeu a anistia aos golpistas condenados, agora tem o desplante de responsabilizar Lula pela invasão dos EUA à Venezuela. É muito cinismo para um bolsonarista só”.



A declaração da ministra foi uma resposta direta à manifestação feita por Tarcísio no sábado (3), após o governo de Donald Trump sequestrar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Na ocasião, o governador divulgou um vídeo nas redes sociais em que voltou suas críticas contra Lula, ignorando os riscos que a ação dos Estados Unidos representa para a soberania da América Latina e para a integridade territorial do Brasil.

Na gravação, Tarcísio afirmou que Maduro permaneceu no poder “porque houve conivência, omissão e até apoio explícito de quem insistiu em chamar um ditador de ‘companheiro’”. Embora não tenha citado nominalmente o presidente brasileiro, o vídeo exibiu imagens de Lula ao lado de Maduro durante a visita do líder venezuelano ao Brasil, em 2023, estabelecendo uma associação direta entre os dois.

A troca de declarações ocorre em um momento de elevada tensão internacional, em que o ataque dos Estados Unidos à Venezuela reacende debates sobre ingerência externa, estabilidade regional e os impactos para os países sul-americanos. Nesse contexto, a reação de Gleisi Hoffmann reforça a posição do governo brasileiro de rejeição a ações unilaterais que ameacem a soberania de nações vizinhas e aprofundem conflitos na região.

Fonte: Brasil 247

Entenda se os EUA podem administrar a Venezuela, como quer Trump


      Trump fala sobre ataque à Venezuela — Foto: Reuters/Jonathan Ernst

A declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Washington passaria a “administrar” a Venezuela após a captura de Nicolás Maduro levantou dúvidas entre juristas sobre a legalidade da medida. Até o momento, o governo norte-americano não apresentou uma base jurídica clara que sustente a ideia de governar diretamente um país soberano.

Especialistas em direito internacional procurados pelo o Globo afirmam que não há respaldo legal para uma administração direta da Venezuela pelos EUA. Rebecca Ingber, professora da Cardozo School of Law e ex-integrante do Departamento de Estado, avalia que a hipótese configuraria uma ocupação ilegal à luz do direito internacional e também careceria de autorização interna, incluindo financiamento aprovado pelo Congresso americano.

O governo Trump tem citado como precedente a invasão do Panamá em 1989, quando os EUA capturaram Manuel Noriega sob a justificativa de apoio à aplicação da lei. No entanto, naquele episódio, os Estados Unidos não governaram diretamente o país, que passou a ser administrado por um presidente panamenho empossado logo após a operação militar, com apoio externo de Washington.

Presidente dos EUA, Donald Trump (esq.), e presidente da Venezuela, Nicolás Maduro
Imagem: Nicholas Kamm/AFP e Federico Parra/AFP
Do ponto de vista do direito internacional, a captura de Maduro também levanta questionamentos. A Carta das Nações Unidas proíbe o uso da força em território estrangeiro sem consentimento, autodefesa ou autorização do Conselho de Segurança da ONU. Prender um chefe de Estado para julgamento é considerado uma ação de aplicação da lei, não de autodefesa, o que fragiliza a justificativa apresentada pelos EUA.

No plano interno dos Estados Unidos, a situação é mais controversa. Embora tratados internacionais ratificados façam parte da lei americana, governos anteriores já defenderam que o presidente pode, em certos casos, ignorar limites do direito internacional ao empregar força no exterior. Esse entendimento foi usado em 1989 e voltou a ser citado por aliados de Trump para justificar a operação.

Outro ponto sensível é a imunidade de Maduro como chefe de Estado. O governo americano sustenta que ele não é o presidente legítimo da Venezuela, o que poderia afastar essa proteção jurídica. Caso semelhante ocorreu com Noriega, que teve a imunidade rejeitada pelos tribunais dos EUA. Especialistas avaliam que a Suprema Corte tende a aceitar que o presidente americano tem poder para negar reconhecimento oficial e, assim, enfraquecer a alegação de imunidade.

Fonte: DCM

PT debocha de “tesoura” da campanha de Flávio e cita gastos do clã Bolsonaro


Flávio Bolsonaro escolheu a tesoura para simbolizar sua pré-campanha à Presidência. Reprodução Instagram

A escolha de uma tesoura como símbolo da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro provocou reação imediata no PT. O presidente nacional do partido, Edinho Silva, afirmou que o gesto não impressiona e ironizou o discurso de corte de gastos adotado pelo senador. As informações são da Folha de S. Paulo.

“Tem que começar usando a tesoura com a família dele”, disse Edinho. Em seguida, citou diretamente o deputado federal Eduardo Bolsonaro. “O Eduardo Bolsonaro passou meses nos Estados Unidos recebendo sem trabalhar, por exemplo”, afirmou o dirigente petista.

A tesoura escolhida por Flávio Bolsonaro é uma referência à promessa de reduzir despesas e privilégios no setor público. A estratégia busca dialogar com o símbolo da motosserra usada por Javier Milei durante a campanha que o levou à Presidência da Argentina.

Edinho Silva, presidente nacional do PT, durante ato em defesa da democracia em São Paulo – Rubens Cavallari/Folhapress
Nos bastidores do PT, porém, a avaliação é de que a comparação não se sustenta no Brasil. A leitura interna do partido é que Milei se apresentou como um nome fora da política tradicional, enquanto Flávio Bolsonaro e outros integrantes de sua família acumulam mandatos eletivos e longa exposição na vida pública.

Esse histórico, segundo dirigentes petistas, dificulta a adesão do eleitorado a um discurso de ruptura. Para o partido, a simbologia da tesoura esbarra na trajetória recente da família Bolsonaro no comando do governo federal.

Edinho Silva reforçou a crítica ao mencionar gastos da gestão de Jair Bolsonaro. “Esse discurso não cola, basta ver o quanto gastaram na Presidência, a conta dos cartões corporativos, por exemplo”, declarou.

Fonte: DCM com informações da Folha de S. Paulo

Casa Branca posta VÍDEO irônico sobre Maduro após sequestro em Caracas


      NICOLÁS MADURO A BORDO DEL USS IWO JIMA

A captura de Nicolás Maduro durante a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela gerou uma onda de memes nas redes sociais, impulsionada pelo próprio presidente norte-americano, Donald Trump. Em sua conta na Truth Social, Trump publicou um vídeo ironizando a prisão do líder venezuelano, que aparece vendado, usando fones de ouvido e segurando uma garrafa de água.

A repercussão ganhou ainda mais força quando a Casa Branca republicou um meme no X, antigo Twitter. Na plataforma, “Venezuela” e “Trump” figuraram entre os assuntos mais comentados do mundo, com mais de 116 milhões de postagens relacionadas ao episódio.

O vídeo divulgado pela Casa Branca utiliza um discurso antigo de Maduro, feito após as eleições venezuelanas de 30 de julho de 2024, editado para parecer direcionado aos Estados Unidos. Na gravação original, o venezuelano dizia: “Venham atrás de mim. Estarei esperando aqui no Palácio de Miraflores. Não demorem, covardes”.

Na sequência do meme, aparece uma fala do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que afirma: “Se você não sabia, agora sabe”. Logo depois, a edição exibe imagens de Maduro capturado, encerrando o vídeo com Trump desfilando ao som de música rap.

Além da publicação oficial, usuários criaram outros conteúdos irônicos sobre a prisão. Um perfil europeu divulgou um mapa que rebatiza países da América Latina com nomes de estados norte-americanos, enquanto outras montagens fazem referência direta ao vídeo compartilhado por Trump, com frases como “Copie o look”, “Do ponto de vista de Maduro” e “DJ Maduro”.

Também circularam memes com a líder da oposição venezuelana María Corina Machado e publicações críticas ao caráter intervencionista da ação dos Estados Unidos. A avalanche de postagens transformou a captura de Maduro em um dos episódios políticos mais explorados pelas redes sociais nos últimos dias.

Fonte: DCM

Cofecon condena ataques dos EUA e captura de Maduro na Venezuela

Entidade afirma que ação militar viola soberania, direito internacional e aprofunda crises sociais e econômicas na América Latina e no Caribe

Nicolás Maduro, Donald Trump, navio anfíbio USS Iwo Jima navegando no mar do Caribe e o mapa da América do Sul ao fundo (Foto: Divulgação I Logan Goins/Marinha dos Estados Unidos)

A Presidência do Conselho Federal de Economia (Cofecon) divulgou uma nota oficial em que condena de forma enfática os ataques militares realizados pelos Estados Unidos contra a Venezuela e a captura forçada do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, anunciada pelo governo norte-americano em 3 de janeiro de 2026.

No documento, assinado pela presidenta da entidade, Tania Cristina Teixeira, o Cofecon classifica a operação como uma violação direta aos princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. Segundo a nota, “nenhuma ação militar pode ser legitimada em detrimento do princípio fundamental da soberania dos povos e dos Estados”.

De acordo com a entidade, a ofensiva contra a Venezuela representa uma grave afronta à integridade territorial do país e ao seu direito à autodeterminação. Para o Cofecon, a agressão militar “configura grave violação de sua integridade territorial e de seu direito à autodeterminação”, princípios considerados centrais para a convivência pacífica entre as nações.

A nota também destaca a preocupação com os impactos regionais da ação dos Estados Unidos. O Cofecon avalia que o ataque constitui “uma afronta direta à América Latina e ao Caribe”, regiões que, segundo o texto, possuem um histórico de intervenções externas associadas à desestabilização de instituições democráticas e a elevados custos sociais e econômicos para suas populações.

Ainda conforme o posicionamento oficial, uma operação militar dessa natureza contraria valores essenciais da cooperação internacional. O documento afirma que ações bélicas violam “os princípios da cooperação internacional, da paz e da solução pacífica de controvérsias, que devem orientar a convivência entre as nações”, além de tenderem a agravar a desestruturação social e aprofundar crises econômicas já existentes na Venezuela.

A Presidência do Cofecon reafirma que a soberania nacional é um pilar inegociável das relações internacionais. Para a entidade, conflitos e impasses políticos internos devem ser resolvidos por meios institucionais e democráticos, com respeito às instâncias legítimas e à atuação de organismos internacionais, especialmente a Organização das Nações Unidas (ONU), na mediação e solução de controvérsias.

No encerramento da nota, o Cofecon faz um apelo à comunidade internacional para que repudie atos de agressão e atue de maneira firme na construção de alternativas voltadas à paz e à estabilidade global. A entidade defende a rejeição do uso da força militar e da coerção como instrumentos de política externa, em favor da cooperação entre os povos.

Fonte: Brasil 247

MST denuncia "agressão colonial" à Venezuela como guerra por recursos estratégicos

Movimento vê ofensiva como agressão colonial, pede solidariedade internacional e alerta para riscos à soberania regional

        MST (Foto: Manuela Hernandez/MST)

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) classificou o ataque contra a Venezuela como o ponto máximo de uma sequência de agressões à soberania do país vizinho, caracterizando a ação como uma iniciativa de guerra com interesses coloniais voltados ao controle de recursos naturais estratégicos.

Em nota divulgada neste sábado (3), o MST afirmou que a ofensiva tem como objetivo central a apropriação das riquezas venezuelanas. “O objetivo deste ataque não é outro senão confiscar os recursos estratégicos da Venezuela, especialmente o seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da Nação”, declarou o movimento. O texto também denuncia o sequestro do presidente Nicolás Maduro e informa que estudantes e dirigentes da organização que se encontram no país estão em segurança. As informações constam de comunicado oficial do MST.

A organização também convocou a comunidade internacional a se mobilizar em solidariedade ao povo venezuelano. “Convocamos todas as organizações populares do Brasil e do mundo a se somarem em solidariedade à Venezuela. Nossas irmãs e irmãos daquele país necessitam do apoio do povo brasileiro”, afirmou o movimento no mesmo documento.

Do Brasil, João Paulo Rodrigues, integrante da Secretaria Nacional do MST, destacou que o movimento mantém uma brigada com cerca de 60 integrantes na Venezuela e fez um apelo para que haja cautela na circulação de informações. “É importante evitar alarmismos e ter cuidado com conteúdos não verificados”, afirmou.

Outras organizações brasileiras também se manifestaram. O Movimento Brasil Popular declarou, em nota, que o episódio representa uma ameaça direta à paz e à soberania regional. Segundo a entidade, os ataques fazem parte de uma ofensiva imperialista destinada a saquear as riquezas do povo venezuelano.

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) igualmente condenou a ação e classificou os fatos como terrorismo internacional. De acordo com o partido, é urgente que governos soberanos, movimentos populares e organizações políticas promovam mobilizações para impedir uma escalada ainda maior da agressão.

Mais cedo, o governo venezuelano divulgou comunicado oficial no qual rejeita “a grave agressão militar perpetrada pelo atual governo dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelana”. Segundo o texto, os ataques atingiram bases militares, aeroportos, instalações civis e a estrutura elétrica do país.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também repudiou os ataques em nota publicada neste sábado. No documento, a entidade sindical afirmou que “tais acontecimentos não representam apenas um ataque a uma nação soberana, mas uma afronta direta à estabilidade democrática de toda a nossa região e aos princípios fundamentais do Direito Internacional”

A CUT expressou ainda solidariedade à classe trabalhadora venezuelana e ressaltou que os trabalhadores são sempre os mais impactados “por bloqueios, sanções e intervenções militares que desestabilizam a economia, destroem postos de trabalho e precarizam a vida”.

Ao final da nota, a central sindical defendeu a autodeterminação dos povos, a soberania nacional e os direitos humanos. “Não aceitaremos que a força se sobreponha ao diálogo e que a soberania de um povo irmão seja atropelada. A luta por democracia, paz e justiça social é internacional e indivisível.”

Fonte: Brasil 247