quinta-feira, 29 de outubro de 2026

PT pede ação nacional da Polícia Federal contra violência política nas eleições de 2026

 Bancada cobra investigação de agressões, mortes e ameaças a apoiadores de Lula e parlamentares, além de medidas de proteção às vítimas

          Polícia Federal - Crédito: Divulgação/Arquivo/PF

A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados solicitou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública a criação de uma ação nacional coordenada para investigar episódios de violência política registrados durante as eleições de 2026. A iniciativa busca ampliar a atuação da Polícia Federal (PF) na apuração de agressões, ameaças e mortes ocorridas em diferentes estados, especialmente na reta final da campanha e após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O pedido foi formalizado pelo líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), em ofício encaminhado nesta quarta-feira (28) ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, com cópia ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O documento reúne ocorrências relatadas em diversas regiões do país e reivindica providências para identificar os responsáveis, proteger as vítimas e investigar possíveis motivações políticas, racistas, misóginas e homotransfóbicas.

A bancada defende que o governo federal formalize e amplie o grupo de trabalho já constituído no Ministério da Justiça, garantindo abrangência nacional e acompanhamento contínuo dos casos relacionados ao processo eleitoral, inclusive daqueles registrados depois da votação.

Entre as principais reivindicações está a abertura de inquéritos pela Polícia Federal em episódios com repercussão interestadual ou internacional, além da investigação de ameaças articuladas nas redes sociais contra parlamentares, candidatos e lideranças políticas.

O documento também solicita que as autoridades estaduais examinem expressamente eventuais motivações discriminatórias nas investigações, evitando que essas hipóteses sejam descartadas sem diligências suficientes.

Justiça dá 15 dias para Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano se manifestarem sobre caso de transfobia

 Associação Nacional de Travestis e Transexuais os deputados do PL de discriminação em vídeo eleitoral e pede indenização de R$ 500 mil

Lucas Pavanato - Crédito: Mozart Gomes/Câmara São Paulo

A Justiça de São Paulo estabeleceu um prazo de 15 dias para que o deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP) e a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL-SP) apresentem suas defesas em uma ação civil pública por suposta prática de “transfobia recreativa”. O processo foi movido pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) após a divulgação de um vídeo de campanha eleitoral que, segundo a entidade, ridiculariza mulheres trans.

A determinação foi assinada pela juíza Maiara Leite, da 38ª Vara Cível de São Paulo, e publicada na quarta-feira (28). As informações foram divulgadas pela coluna Grande Angular, do Metrópoles. Além de determinar a manifestação dos parlamentares eleitos, a magistrada ordenou que a Meta preserve os dados relacionados à circulação e ao engajamento da publicação nas redes sociais.

Na ação, a Antra solicita a retirada do vídeo, uma retratação pública dos envolvidos, a proibição de novas publicações com conteúdo semelhante e o pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos. Caso a indenização seja concedida, os recursos deverão ser destinados a um fundo público voltado à reparação de direitos coletivos.

A associação também apresentou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF), solicitando a investigação de possíveis responsabilidades nas esferas cível e criminal.

PF investiga Paulo Guedes por suspeita de crime contra o sistema financeiro

 Ex-ministro prestou consultoria à OnilX, empresa de criptomoedas que prometia rendimentos de até 2,8% ao mês e é alvo de ações de investidores que não conseguiram resgatar recursos

Paulo Guedes - Crédito: REUTERS/Adriano Machado

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes, integrante do governo Jair Bolsonaro, é investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de envolvimento em crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito, instaurado em fevereiro deste ano, também tem como investigado o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, plataforma de investimentos em criptomoedas que enfrenta uma série de processos judiciais movidos por clientes que alegam dificuldades para recuperar recursos aplicados. As informações foram divulgadas pelo jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles.

A investigação tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná, e conta com a atuação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF). O procedimento foi autuado em 10 de fevereiro e tem como assunto principal a apuração de possíveis crimes previstos na Lei nº 7.492/1986, que trata de delitos contra o Sistema Financeiro Nacional. Os documentos identificam Guedes e Fábio Lino como investigados, mas não detalham publicamente as condutas específicas atribuídas a cada um.

A relação do ex-ministro com a OnilX já havia sido revelada pelo Metrópoles em 24 de setembro. Segundo a reportagem, Guedes desempenhou atividades de consultoria para a empresa, participou de reuniões estratégicas, manteve encontros com potenciais investidores e teve sua imagem associada à divulgação dos negócios da plataforma.

PF deflagra nova fase da Operação Unha e Carne contra lavagem bilionária

 Investigação mira organização criminosa que movimentou R$ 7,6 bilhões por meio de postos de combustíveis no Rio de Janeiro

       Polícia Federal - Crédito: Divulgação/Arquivo/PF

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (29), a 9ª etapa da Operação Unha e Carne, ação focada em desarticular um esquema bilionário de lavagem de dinheiro operado a partir de postos de combustíveis, informa Mirelle Pinheiro no Metrópoles.

As diligências ocorrem no estado do Rio de Janeiro, onde agentes federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão no bairro da Barra da Tijuca, situado na zona sudoeste da capital fluminense. Todas as ordens judiciais foram emitidas pelo Supremo Tribunal Federal.

Passaporte italiano usado na fuga pode barrar asilo de Flávio nos EUA; entenda


      Desembarque de Flávio Bolsonaro nos EUA, onde entrou com passaporte italiano. Foto: Reprodução

A cidadania italiana do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cria um obstáculo jurídico para uma eventual concessão de asilo político pelos Estados Unidos. Decisões recentes da área migratória americana estabeleceram que cidadãos da União Europeia são presumivelmente inelegíveis ao benefício porque podem viver legalmente, por tempo indeterminado, em países do bloco.

Em decisão divulgada em 9 de outubro, a Junta de Apelações de Imigração dos EUA afirmou que “cidadãos da União Europeia são, presumivelmente, inelegíveis para a concessão de asilo nos EUA, uma vez que têm o direito de residir legalmente, por tempo indeterminado, em qualquer Estado-membro da União Europeia”.

O entendimento envolveu uma estudante com passaportes do Gabão e da França. Ela entrou nos Estados Unidos como estudante em 2016 e pediu asilo dois anos depois, alegando risco de perseguição por sua ligação familiar com opositores de Ali Bongo, presidente gabonês entre 2009 e 2023.

As autoridades americanas negaram o pedido porque não identificaram “um temor fundamentado de perseguição na França”, considerada um país seguro. A decisão também apontou que a estudante poderia morar com segurança em outro país da União Europeia.

Denúncia vinda da Itália

O deputado italiano Angelo Bonelli, da Aliança dos Verdes e da Esquerda (AVS), apresentou nesta quarta-feira (28) um pedido formal de esclarecimentos ao governo de Giorgia Meloni sobre a concessão da cidadania italiana a Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro.

O parlamentar suspeita de tratamento privilegiado na tramitação dos documentos e questiona a rapidez do processo, concluído para Flávio e Eduardo em 2023, enquanto outros requerentes aguardam anos na fila. Flávio utilizou o passaporte italiano para entrar na Argentina antes de seguir para os Estados Unidos, onde apresentou seu passaporte diplomático brasileiro, já cancelado pela Polícia Federal. “O passaporte italiano não pode ser utilizado para fugir da Justiça”, declarou Bonelli, que cobrou uma investigação sobre possíveis irregularidades na concessão da cidadania.