quinta-feira, 16 de julho de 2026

Aliado da extrema-direita global, Marco Rubio culpa Lula por tarifaço e amplia ofensiva dos EUA contra o Brasil

Secretário de Estado de Donald Trump atribui sanções comerciais ao presidente brasileiro, enquanto governo dos EUA intensifica pressão sobre o Pix, a política industrial e a soberania econômica do Brasil

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio – 12/11/2025
Crédito: Mandel Ngan/Pool via REUTERS

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, voltou a atacar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao responsabilizar diretamente o chefe de Estado brasileiro pela imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte das exportações nacionais para o mercado norte-americano. A declaração foi feita na rede social X poucas horas após a oficialização do chamado tarifaço anunciado pelo governo do presidente Donald Trump.

Rubio, um dos principais representantes da ala mais conservadora da política externa norte-americana e aliado de movimentos da extrema-direita internacional, afirmou que as sanções comerciais decorrem da postura do governo brasileiro durante as negociações entre Brasília e Washington. Para o chefe da diplomacia dos EUA, “Lula colocou seu próprio ego à frente de um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”.

⊚ Declaração tenta transferir responsabilidade por decisão unilateral dos EUA

A fala de Rubio procura atribuir ao governo brasileiro a responsabilidade por uma medida tomada unilateralmente pela Casa Branca.

As tarifas foram impostas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo frequentemente utilizado por Washington para pressionar parceiros comerciais fora do âmbito dos organismos multilaterais. O governo norte-americano sustenta que investiga supostas práticas desleais relacionadas ao Pix, ao comércio digital, ao etanol, à propriedade intelectual e à política ambiental brasileira.

O governo brasileiro, no entanto, rejeitou essas alegações e afirmou, em nota oficial, que não existe justificativa econômica ou jurídica para as sanções, lembrando que os próprios dados do governo norte-americano mostram um superávit acumulado de US$ 424,5 bilhões dos Estados Unidos no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos quinze anos.

⊚ Pressão vai além das tarifas

Ao defender publicamente a decisão de Donald Trump, Rubio deixou claro que a estratégia da Casa Branca ultrapassa a disputa tarifária.

Segundo o secretário de Estado, Washington pretende manter a pressão sobre Brasília para obter mudanças em áreas consideradas estratégicas pelos Estados Unidos, incluindo a regulação das plataformas digitais, a política ambiental, a proteção da propriedade intelectual e os sistemas de pagamentos eletrônicos — entre eles o Pix, desenvolvido pelo Banco Central brasileiro e reconhecido internacionalmente como uma das principais inovações em infraestrutura financeira pública.

A postura reforça a percepção de que a disputa envolve também interesses tecnológicos e geopolíticos, em um momento de crescente aproximação do Brasil com a China, o BRICS e outras economias do Sul Global.

⊚ Rubio consolida linha dura da política externa de Trump

Desde que assumiu o Departamento de Estado, Marco Rubio tornou-se um dos principais formuladores da política externa do governo Trump para a América Latina.

Conhecido por posições duras contra governos progressistas da região, Rubio defende uma estratégia de forte pressão diplomática, econômica e política sobre países que buscam maior autonomia em relação à política externa norte-americana.

Nesse contexto, a ofensiva contra o Brasil ocorre em paralelo ao fortalecimento das relações de Brasília com os países do BRICS, à defesa de mecanismos alternativos de pagamento internacional e à ampliação das parcerias comerciais com China, Índia, Rússia e outras economias emergentes.

⊚ Especialistas veem risco de politização das relações comerciais

A retórica adotada por Rubio também chama atenção por misturar divergências políticas internas com decisões de política comercial.

Ao atribuir o tarifaço ao “ego” do presidente brasileiro, o secretário de Estado desloca o debate das questões técnicas normalmente discutidas em negociações comerciais para um terreno de confronto político e ideológico.

Essa postura tende a aumentar a tensão entre os dois países e dificulta a construção de soluções negociadas para uma relação econômica que movimenta dezenas de bilhões de dólares por ano.

Enquanto Washington sustenta que busca corrigir supostas distorções comerciais, o governo brasileiro argumenta que as medidas representam uma tentativa de impor interesses estratégicos dos Estados Unidos por meio de instrumentos unilaterais, em desacordo com o sistema multilateral de comércio e com os princípios da soberania nacional.

Fonte: Brasil 247

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