sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

As diferenças entre a rotina de presidiário de Bolsonaro na Papudinha e na sede da PF

Jair Bolsonaro (PL) e sua nova cela na Papudinha. Foto: Reprodução

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que transferiu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da Superintendência da Polícia Federal (PF) no Distrito Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar, a chamada Papudinha, detalha ponto a ponto como serão as novas condições de custódia em comparação com a cela anterior.

No novo local, Bolsonaro terá mais espaço físico, mais refeições diárias e uma estrutura de atendimento em saúde bem mais ampla do que a oferecida na sede da PF.

Bolsonaro deixou, na quinta-feira (15), a carceragem da PF, onde ficava em um espaço de 12 metros quadrados, para ocupar uma sala de Estado-Maior no Núcleo de Custódia da PM-DF, no Jardim Botânico.

A Papudinha fica a poucos metros das unidades da Papuda para presos comuns, tem capacidade para 60 presos e oito celas no formato de alojamentos coletivos, com banheiro com box, chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala.

De acordo com o STF, a cela destinada ao ex-presidente é igual à que abriga Anderson Torres: área total de 54,76 m² de área coberta, além de cerca de 10 m² de área externa, somando 64,83 m². No batalhão, o banho de sol deixa de ser feito em pátio improvisado e passa a ocorrer na própria área externa da cela, com privacidade e horário livre.

A mesma área poderá ser usada para exercícios físicos, com possibilidade de instalação de esteira, bicicleta ergométrica e barras de apoio na cama para evitar quedas — rotina que, segundo Moraes, era inviável na PF por questões administrativas e de segurança.


Refeições, visitas e rotina de convivência

A rotina alimentar também muda. Na Superintendência da PF, Bolsonaro recebia três refeições diárias — café da manhã, almoço e jantar. Na Papudinha, passam a ser cinco: café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia.

As visitas, antes restritas às terças e quintas-feiras, entre 9h e 11h, com permanência máxima de 30 minutos por visitante em uma sala administrativa, passam a ocorrer às quartas e quintas-feiras, por até seis horas de duração, com até duas horas para cada visitante.

Na decisão, Moraes registrou que “a transferência possibilitará o início imediato da intervenção fisioterapêutica requerida pela defesa que, segundo seus médicos, precisa ser realizada no início da noite, o que não é possível na Superintendência da Polícia Federal em virtude das condições administrativas e de segurança, mas será plenamente viável no novo local do custodiado”.


Equipe de saúde ampliada e justificativa do STF

Outra diferença central está na área da saúde. Na PF, Bolsonaro era atendido por um médico da própria instituição, em regime de plantão 24 horas. Já no Núcleo de Custódia da PM-DF, além de um médico de plantão 24 horas, há equipe composta por 2 médicos clínicos, 3 enfermeiros, 2 dentistas, 1 assistente social, 2 psicólogos, 1 fisioterapeuta, 3 técnicos de enfermagem, 1 psiquiatra e 1 farmacêutico.

Moraes afirmou que “a comparação das instalações oferecidas pelo Núcleo de Custódia da Polícia Militar no Complexo Penitenciário da Papuda com as instalações existentes na Superintendência Regional da Polícia Federal do Distrito Federal demonstra, nesse momento e em virtude dos novos requerimentos da defesa, a conveniência da imediata transferência”.

O ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes ligados à trama golpista, incluindo organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Antes de ser levado para a PF e agora para a Papudinha, Bolsonaro chegou a cumprir período em prisão domiciliar por decisão de Moraes, que avaliou o risco de fuga.

Confira o quadro comparativo:
Quadro comparativo de celas — Foto: Decisão de Alexandre de Moraes

Fonte: DCM

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