Sua saída retira esse ponto da oposição e deixa a disputa em um empate técnico exato de 40% para Lula contra 40% dos demais candidatos
Crédito: ABR | Ricardo Stuckert
A decisão do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, de não concorrer à presidência da República redesenha o tabuleiro político e pode encurtar o caminho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva rumo à vitória ainda no primeiro turno. As informações sobre os bastidores da desistência foram reveladas originalmente pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, no jornal Folha de S.Paulo.
O recuo de Barbosa ganha peso matemático imediato diante do cenário eleitoral. Na pesquisa Quaest divulgada esta semana, Lula aparece com 40% das intenções de voto, contra 41% da soma de todos os seus adversários. Como Joaquim Barbosa pontuava exatamente 1%, a sua saída retira esse ponto da oposição e deixa a disputa em um empate técnico exato de 40% para Lula contra 40% dos demais candidatos somados. Sem a dispersão provocada pelo ex-ministro, a margem para Lula liquidar a fatura na primeira rodada de votação fica significativamente mais estreita.
⦿ Os bastidores da desistência
Barbosa comunicou formalmente ao presidente do Democracia Cristã (DC) que está fora do páreo. O ex-ministro avaliou que não havia condições políticas e estruturais para sustentar uma campanha presidencial competitiva. Ele já havia condicionado sua participação a uma forte receptividade do eleitorado e a uma estrutura partidária robusta — o que incluiria alianças amplas, tempo de TV expressivo e recursos financeiros substanciais —, elementos que não se concretizaram.
Embora sondagens internas do DC apontassem algum potencial de crescimento, a pré-campanha de Barbosa não decolou. No levantamento Datafolha de junho, ele registrava apenas 1% das intenções de voto. Diante do prazo exíguo para as convenções partidárias (que ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto), o ex-magistrado preferiu anunciar que não disputará o pleito.
⦿ Crise e racha no Democracia Cristã
A movimentação de Joaquim Barbosa — que se filiou à legenda em abril — acabou detonando uma severa crise interna no Democracia Cristã. A possibilidade de sua candidatura gerou atritos profundos na cúpula do partido, culminando na expulsão do ex-deputado Aldo Rebelo, que insistia na viabilidade do nome de Barbosa. Rebelo conseguiu ser reintegrado à legenda por meio de uma liminar jurídica.
Classificando a desistência de Barbosa como uma “afronta”, Aldo Rebelo se manteve na disputa interna, tentando segurar as rédeas do partido e buscar alternativas para a legenda.
O impacto no cenário geral: O recuo de Joaquim Barbosa expõe a enorme dificuldade que os partidos de centro e os chamados nomes de “terceira via” enfrentam para consolidar candidaturas competitivas e estruturadas. Em um cenário altamente polarizado, a fragmentação perde força, jogando a favor da estratégia de Lula de tentar liquidar a eleição presidencial de 2026 sem a necessidade de um segundo turno.
Fonte: Brasil 247 com informações reveladas pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo
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