quinta-feira, 23 de julho de 2026

Furtos e roubos de celulares recuam 7,7% no Brasil

Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta queda de ocorrências no país, embora São Paulo lidere números absolutos e capitais concentrem casos

Uso de celular no Brasil
Crédito: Tânia Rego / Agência Brasil

O Brasil registrou uma queda de 7,7% nos casos de furtos e roubos de celulares entre os anos de 2024 e 2025. A despeito do recuo em nível nacional, os estados do Rio de Janeiro e da Paraíba foram na contramão da tendência e contabilizaram aumentos expressivos nesse tipo de delito, informa reportagem do jornal O Globo com base em dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Em números absolutos, o país somou 792.284 ocorrências de subtração de aparelhos telefônicos em 2025, contra 855.113 notificações registradas no ano anterior. Os números mostram um recuo em relação ao ápice da série histórica, atingido em 2019, quando foram contabilizados 1.053.433 episódios de furtos e roubos de celulares em todo o território nacional.

Segundo o levantamento realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), as quedas mais acentuadas de furtos e roubos no período ocorreram nos seguintes estados:

        Rio Grande do Norte: -22,1%
        Mato Grosso: -20,6%
        Goiás: -19,6%
    ●    Amazonas: -19,2%
        Espírito Santo: -18,2%

Em contrapartida, as exceções do quadro nacional ficaram por conta do Rio de Janeiro, que teve um aumento de 22,7% nos episódios de subtração de aparelhos eletrônicos, e da Paraíba, com uma alta de 21,1%.

⦾ Concentração urbana e liderança de São Paulo

O estudo evidencia uma forte concentração geográfica das ocorrências em grandes centros urbanos, capitais e áreas metropolitanas. Das 20 cidades brasileiras com as maiores taxas de roubo e furto de celular por 100 mil habitantes, 14 são capitais de estados.

O município de São Luís (MA) lidera o ranking nacional dessa taxa proporcional, seguido por Belém (PA), São Paulo (SP), Salvador (BA) e Lauro de Freitas (BA). Veja a lista dos 20 municípios com maiores índices por 100 mil habitantes:

  1.    São Luís (MA): 1517,0
  2.    Belém (PA): 1487,0
  3.    São Paulo (SP): 1390,5
  4.    Salvador (BA): 1195,0
  5.    Lauro de Freitas (BA): 1144,5
  6.    Porto Velho (RO): 1123,2
  7.    Manaus (AM): 1107,1
  8.    Olinda (PE): 1060,3
  9.    Ananindeua (PA): 979,5
10.    Teresina (PI): 975,3
11.    Recife (PE): 965,3
12.    Cariacica (ES): 932,2
13.    Vitória (ES): 930,8
14.    Marituba (PA): 863,2
15.    Macapá (AP): 831,6
16.    Belo Horizonte (MG): 831,3
17.    Natal (RN): 806,8
18.    Itapecerica da Serra (SP): 801,2
19.    Fortaleza (CE): 796,0
20.    Rio de Janeiro (RJ): 793,7


Embora ocupe a terceira colocação no indicador proporcional, a cidade de São Paulo é o epicentro em termos absolutos, sendo responsável por 20% de todas as subtrações de aparelhos no país. O relatório define a capital paulista como o “principal polo nacional de roubos e furtos”, ressaltando seu “papel central na dinâmica nacional desse mercado ilícito”. O FBSP destaca ainda que esses crimes integram uma cadeia criminosa transnacional, na qual muitos dos smartphones roubados chegam à China para abastecer mercados ilegais.

Geograficamente, a lista das 20 cidades com maiores taxas apresenta oito municípios do Nordeste, seis do Norte e seis do Sudeste, sem nenhum representante da Região Centro-Oeste.

⦾ Dinâmicas dos crimes, subnotificação e horários

Analisando a divisão das ocorrências, o levantamento indica uma discrepância entre modalidades: enquanto os roubos despencaram 18,6%, os furtos mantiveram estabilidade, variando positivamente em 0,9%. “Atualmente 6 em cada 10 celulares subtraídos hoje no Brasil são fruto de furtos e 4 em cada 10 são derivados de roubos”, aponta o anuário.

Apesar da queda do indicador geral, os pesquisadores alertam para a subnotificação. Uma sondagem prévia do FBSP mostrou que 8,3% dos brasileiros de 16 anos ou mais (cerca de 13,9 milhões de pessoas) relataram ter sido vítimas de furto ou roubo de celular. “Se todas estas pessoas tivessem procurado as autoridades para registrar terem sido vítimas de tais crimes, o número de Boletins de Ocorrência seria muito maior”, reforça o FBSP.

Em relação ao perfil dos locais e horários de cometimento dos crimes, o anuário discrimina:

     Locais de roubo: 77,2% em vias públicas.
    Locais de furto: 49,3% em ruas; 15,2% em comércios; 6,1% em         transportes públicos.
    Horários de roubo: Dois picos diários, entre 5h e 6h da manhã e         das 18h às 23h.
    Horários de furto: Mais concentrados nos intervalos entre 10h e         12h e das 17h às 20h.

⦾ Fatores para o recuo e impacto do Celular Seguro

O Fórum levanta três hipóteses centrais para explicar a diminuição nos índices de roubos:

1. Diminuição do retorno financeiro via tecnologia: A criação do programa Celular Seguro, lançado pelo governo federal em dezembro de 2023 sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, facilitou o bloqueio rápido do aparelho e de contas vinculadas. Como o roubo costuma ser praticado mediante coação para obter senhas do celular desbloqueado, a trava imediata gera empecilhos ao acesso do criminoso. Em relação aos furtos, a medida tem eficácia reduzida, já que essa prática não visa ao acesso de aplicativos e dados, limitando-se ao valor de revenda de peças ou em feiras informais.

2. Aumento dos riscos na ação criminosa: O roubo envolve violência ou grave ameaça. A proliferação de sistemas de monitoramento eletrônico, a intensificação do policiamento e mudanças comportamentais de proteção adotadas por pedestres tornaram a abordagem violenta mais arriscada para o assaltante.

3. Depreciação de valor no mercado paralelo: O avanço das travas de segurança desenvolvidas por fabricantes fez cair a atratividade do bem. O relatório cita uma pesquisa realizada na Austrália que demonstrou redução no valor de revenda de eletrônicos roubados, que despencou de 33% em 2002 para 11% em 2018.

Por fim, o anuário destaca um crescimento de 3,3% nas autuações pelo crime de receptação, passando de 70.207 para 72.789 registros entre 2024 e 2025. Treze estados registraram alta nessa modalidade, liderados por Amazonas (140,2%), Paraná (48,3%) e Alagoas (43,5%). Das 25 unidades federativas que obtiveram redução nos roubos e furtos, 11 apresentaram elevação nas ocorrências de receptação. De acordo com os pesquisadores, a elevação no custo e no risco para o receptador acaba por desincentivar a prática inicial do furto e do roubo.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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