PGR avalia se Bolsonaro e Flávio devem entrar em investigação sobre Eduardo Bolsonaro, Dark Horse e pressão nos EUA
A Procuradoria-Geral da República (PGR) tem até esta terça-feira (2) para se manifestar sobre a possibilidade de incluir Jair Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no inquérito que apura a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) junto a autoridades dos Estados Unidos, em meio a suspeitas de coação e tentativa de obstrução de Justiça, informa o Metrópoles.
A manifestação foi solicitada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) para ampliar o alcance da investigação. Moraes determinou, em 25 de maio, que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, analisasse o caso em até cinco dias úteis. O Ministério Público foi intimado da decisão no dia 26 de maio.
O pedido de Lindbergh busca levar ao mesmo inquérito possíveis conexões entre a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro, o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, e negociações atribuídas a Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A petição sustenta que há elementos que justificariam a ampliação das apurações.
Entre as medidas solicitadas pelo parlamentar estão a inclusão de Flávio e Jair Bolsonaro como investigados, a imposição de cautelares contra o senador, como apreensão de passaporte, proibição de deixar o país e bloqueio de bens e valores, além do rastreamento financeiro de movimentações consideradas suspeitas.
Lindbergh também pediu a requisição de dados ao Coaf, ao Banco Central, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Receita Federal. O objetivo seria identificar eventuais fluxos financeiros envolvendo os investigados, produtoras, empresas relacionadas ao projeto cinematográfico e o Banco Master.
A petição ainda solicita cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos para obter registros financeiros, fiscais e de lobby ligados ao filme e à atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior. O documento pede, além disso, a apuração de supostos crimes como lavagem de dinheiro, financiamento eleitoral irregular, caixa paralelo, organização criminosa e atentado à soberania nacional.
Na decisão enviada à PGR, Moraes citou o pedido de Lindbergh e a hipótese de que valores vinculados ao financiamento de Dark Horse poderiam ter sido utilizados em ações políticas fora do Brasil. Segundo a petição mencionada pelo ministro, os recursos poderiam ter financiado a “atuação internacional de Eduardo Bolsonaro, a campanha de sanções contra autoridades brasileiras, as restrições de vistos, as tarifas contra setores produtivos nacionais e a tentativa de coação no curso do processo para obter a anistia de Jair Messias Bolsonaro e demais condenados nos processos da trama golpista”.
O caso também se conecta ao Inquérito nº 4.995, no qual Paulo Gonet pediu, na última semana, a condenação de Eduardo Bolsonaro. Para o procurador-geral da República, o ex-deputado teria atuado nos Estados Unidos para incentivar sanções contra autoridades brasileiras e tarifas contra o Brasil.
Na petição ao STF, Lindbergh afirma que fatos recentes ligados ao filme Dark Horse justificam a ampliação do escopo da investigação. O deputado sustenta que existem “fortes indícios” de que recursos negociados para viabilizar o longa possam ter sido empregados, total ou parcialmente, para custear a atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior contra autoridades brasileiras.
O documento também afirma que a eventual inclusão de Jair Bolsonaro ocorreria, “ao menos inicialmente”, por ele ser apontado como beneficiário direto ou indireto dos fatos investigados. Para Lindbergh, tanto o filme quanto a ofensiva internacional conduzida por Eduardo Bolsonaro teriam como objetivo reconstruir a imagem política do ex-presidente e pressionar por anistia aos envolvidos na trama golpista.
A petição cita ainda reportagens publicadas em maio de 2026 sobre negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para financiar a produção da cinebiografia. De acordo com o pedido levado ao STF, os valores discutidos teriam variado entre US$ 24 milhões e US$ 26,8 milhões.
Caso a PGR se manifeste favoravelmente à ampliação, caberá ao Supremo avaliar os próximos passos do inquérito e decidir se Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro serão formalmente incluídos entre os alvos da apuração. A decisão poderá definir o alcance das diligências relacionadas ao financiamento do filme, às movimentações financeiras citadas e à atuação política de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles
Nenhum comentário:
Postar um comentário