sábado, 13 de junho de 2026

Lula não solicita encontro com Trump e deve fazer discurso com críticas aos EUA no G7

Brasil aguarda decisão do presidente dos EUA sobre possível tarifa adicional de 25% sobre exportações brasileiras

          Presidente Lula (Foto: Ricado Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará da próxima cúpula do G7 sem previsão de um encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo a Folha de São Paulo, o governo brasileiro não solicitou uma reunião com o líder estadunidense e tampouco recebeu qualquer sinalização de Washington para uma conversa reservada durante o evento, que será realizado entre os dias 15 e 17 de junho, em Évian-les-Bains, na França.

A avaliação do Palácio do Planalto é que uma nova reunião entre os dois presidentes não é necessária neste momento. O governo considera que os canais diplomáticos e técnicos já estabelecidos após o encontro entre Lula e Trump, realizado em maio na Casa Branca, são suficientes para conduzir as negociações em andamento.

● Brasil aposta em negociação técnica

Nos bastidores, auxiliares do governo afirmam que um novo encontro entre Lula e Trump teria pouca utilidade prática, uma vez que as posições brasileiras já foram formalmente apresentadas aos Estados Unidos. A condução das tratativas está a cargo de um grupo de trabalho bilateral criado após a reunião dos dois líderes.

Um dos principais temas em discussão é a investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que poderá resultar na imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O relatório final deverá ser divulgado até 15 de julho, cabendo a Trump a decisão definitiva sobre a adoção da medida.

Em 28 de maio, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, reuniu-se com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, para discutir o assunto. Uma nova rodada de negociações deve ocorrer nas próximas semanas.

● G7 como palco de articulação internacional

Embora o Brasil não integre formalmente o G7, Lula participará das discussões sobre crescimento econômico equilibrado e parcerias internacionais. A expectativa é que o presidente utilize o fórum para defender o multilateralismo e criticar práticas protecionistas, sem fazer referências diretas aos Estados Unidos ou a Trump.

De acordo com integrantes do governo, o tom adotado pelo presidente será mais diplomático do que o observado em discursos realizados no Brasil. A estratégia é transmitir preocupações relacionadas ao comércio internacional e ao unilateralismo, preservando o ambiente de diálogo com parceiros estratégicos.

Durante a viagem, Lula também deverá se reunir com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Além disso, o governo brasileiro vê a cúpula como uma oportunidade para avançar nas negociações de um possível acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Japão.

● Expectativa por decisão de Washington

Enquanto acompanha os debates do G7, o governo brasileiro mantém atenção voltada para os desdobramentos da investigação comercial estadunidense. A expectativa é que os próximos contatos entre autoridades dos dois países ajudem a esclarecer os rumos da negociação antes da divulgação do relatório final do USTR.

A participação de Lula na cúpula ocorre em um momento de crescente tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, mas a aposta do Planalto segue sendo a diplomacia e a negociação como caminhos para evitar uma escalada nas divergências econômicas.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

Nenhum comentário:

Postar um comentário