Segundo a revista Veja, o ex-banqueiro afirma que valor teria sido depositado em conta no exterior; proposta de delação também cita membros do PT na Bahia
O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou um novo capítulo com as recentes revelações atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso há cerca de três meses e em negociação para firmar um acordo de delação premiada. Segundo a revista Veja, a proposta cita supostas relações entre o ex-controlador da instituição financeira e figuras de destaque da política nacional e do Judiciário.
A proposta de colaboração, porém, foi rejeitada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (11). A justificativa foi de que o depoimento do ex-controlador do Banco Master não trouxe novidades à investigação nem indicou outros envolvidos nos crimes investigados.
◍ Acusação envolve Davi Alcolumbre
De acordo com a reportagem, um dos relatos apresentados pelo ex-banqueiro envolve o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo Vorcaro, teria sido realizado um pagamento de 30 milhões de dólares ao parlamentar, o equivalente a cerca de R$ 155 milhões. O ex-controlador do Banco Master afirma que o valor teria sido depositado em uma conta no exterior em troca de apoio a interesses da instituição financeira.
A operação, ainda de acordo com o relato, teria sido intermediada por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. As alegações integram parte da proposta de colaboração apresentada às autoridades, mas ainda dependem de comprovação.
Alcolumbre nega qualquer participação em irregularidades relacionadas ao caso.
◍ Relação com governos do PT na Bahia
Outro eixo das revelações envolve a atuação do Banco Master na Bahia durante os governos do PT. Ainda conforme a reportagem, Vorcaro citou o ministro da Casa Civil, Rui Costa, ao abordar a expansão das operações da instituição no estado.
Segundo o relato, a origem da relação remonta a 2007, durante a gestão do então governador Jaques Wagner, quando foi criado o programa Cesta do Povo. Posteriormente, a iniciativa evoluiu para o CredCesta, que se tornou uma das principais operações de crédito consignado para servidores estaduais.
A reportagem destaca que, em 2022, já sob o governo de Rui Costa, um decreto estadual restringiu a portabilidade dessas operações para outras instituições financeiras. Na avaliação de Vorcaro, a medida fortaleceu a presença do Banco Master no mercado baiano.
O ministro também nega qualquer irregularidade.
◍ Judiciário também aparece nos relatos
As declarações do ex-banqueiro não se limitam ao meio político. Segundo a Veja, Vorcaro também mencionou integrantes do Judiciário que teriam recebido pagamentos milionários ou atuado em favor dos interesses do Banco Master em momentos decisivos para a instituição.
Um dos relatos menciona um suposto pagamento de R$ 15 milhões efetuado por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pelas investigações como operador financeiro de transações consideradas ilegais.
O ex-banqueiro também teria prometido detalhar a atuação de outro integrante do Judiciário que, segundo ele, atuou em defesa dos interesses do banco quando a instituição enfrentava risco de liquidação pelo Banco Central.
◍ Impasse sobre a delação premiada
As revelações surgiram em meio às negociações para um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. As duas primeiras propostas apresentadas pela defesa foram rejeitadas pelos investigadores, que consideraram as informações insuficientes ou sem elementos novos relevantes para o avanço das apurações.
Os advogados de Vorcaro sustentam, porém, que algumas denúncias teriam sido descartadas sem análise adequada e afirmam possuir provas para sustentar os relatos apresentados.
◍ STF acompanha o caso
Relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça não comentou especificamente as acusações. Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, o magistrado tem defendido que as investigações sejam conduzidas com "independência, imparcialidade e de forma não seletiva". A defesa de Vorcaro afirma ter levado ao Supremo questionamentos sobre a condução das negociações para a delação premiada.
Considerado um dos maiores escândalos financeiros do país, o caso Banco Master envolve um prejuízo estimado em mais de R$ 50 bilhões. As investigações já revelaram relações da instituição com diferentes agentes públicos e autoridades políticas, mas especialistas ressaltam que os relatos apresentados em acordos de colaboração precisam ser acompanhados de provas para produzir efeitos judiciais.
Fonte: Brasil 247 com informações da revista Veja
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