domingo, 7 de junho de 2026

Congresso reúne apoio de 71% dos parlamentares para CPI do caso Master

Levantamento mostra que 423 deputados e senadores apoiam investigações sobre o Banco Master, superando com folga o mínimo exigido

Flávio Bolsonaro, agente da PF, Daniel Vorcaro e, ao fundo, Congresso e Banco Master (Foto: Reprodução I Divulgação )

O movimento pela instalação de comissões parlamentares para investigar o caso envolvendo o Banco Master já conta com o apoio de mais de 70% dos integrantes do Congresso Nacional. Levantamento divulgado pela CNN Brasil aponta que 423 parlamentares, entre deputados federais e senadores, manifestaram apoio formal a pedidos de criação de CPIs ou CPMIs voltadas à apuração do tema.

De acordo com a CNN Brasil, o número corresponde a 71,21% dos 594 congressistas em exercício no país. O Congresso Nacional é composto por 513 deputados federais e 81 senadores. Até o momento, oito requerimentos distintos já foram protocolados com o objetivo de abrir investigações parlamentares relacionadas ao caso.

Os dados consideram apenas parlamentares que estavam efetivamente em exercício em 22 de maio. O levantamento desconsiderou suplentes que não ocupavam mandato na data analisada, bem como congressistas afastados por motivos de saúde ou por determinação judicial, ainda que tenham assinado algum dos requerimentos.

◎ Apoio expressivo no Senado
No Senado Federal, a adesão aos pedidos de investigação alcançou 64 parlamentares. O número representa cerca de 79% da composição atual da Casa e supera amplamente o mínimo de 27 assinaturas exigido para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

Os senadores apoiaram cinco requerimentos distintos, que propõem tanto CPIs exclusivas da Casa quanto CPMIs, formato que reúne deputados e senadores em uma única comissão de investigação.

O elevado número de assinaturas demonstra a amplitude do interesse parlamentar em aprofundar a apuração sobre o caso Master, tema que passou a mobilizar diferentes correntes políticas no Congresso.

◎ Câmara também registra ampla adesão
Na Câmara dos Deputados, 359 parlamentares titulares manifestaram apoio a propostas de CPI ou CPMI relacionadas ao Banco Master. O índice também revela forte adesão à iniciativa de investigação.

Um dos primeiros requerimentos para a criação de uma comissão mista foi apresentado pelas deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (Psol-RS). A proposta prevê a participação conjunta de deputados e senadores nos trabalhos investigativos.

Outros pedidos de CPMI foram protocolados pelos deputados Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), além do senador Carlos Viana (PSD-MG), ampliando a pressão pela instalação de um colegiado de investigação.

◎ Diversidade de requerimentos
Além das propostas de comissões mistas, parlamentares também apresentaram pedidos de CPIs em suas respectivas Casas legislativas. Entre eles estão os deputados Rogério Carvalho (PT-MG) e Carlos Jordy (PL-RJ), além dos senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Alessandro Vieira (MDB-SE).

O requerimento de Alessandro Vieira é considerado um dos mais sensíveis entre os apresentados. O parlamentar foi relator da antiga CPI do Crime Organizado e incluiu em sua proposta referências aos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por suposta relação com o caso Master.

A CNN Brasil informou ainda que procurou todos os deputados e senadores em exercício para obter posicionamentos sobre a abertura de uma comissão parlamentar destinada a investigar o assunto.

◎ Decisão depende de Alcolumbre
Apesar do elevado número de assinaturas reunidas, a instalação das CPIs no Senado e das CPMIs depende da decisão do presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Cabe ao presidente do Congresso autorizar a criação e determinar a instalação das comissões parlamentares. Nos últimos meses, Alcolumbre tem reiterado que a definição da pauta legislativa é uma prerrogativa da presidência da Casa.

Ao ser cobrado por parlamentares favoráveis à investigação, o senador chegou a justificar sua posição durante sessão do Congresso. Segundo ele, outras pautas consideradas prioritárias precisavam ser apreciadas. Na ocasião, afirmou: "Milhares de prefeitos do Brasil estão precisando de um gesto do Congresso para deliberação dessa pauta. Peço a compreensão. Peço desculpa a Vossas Excelências por não atender à demanda solicitada por mais 11 congressistas nessa sessão em relação a outro tema que não estava previamente estabelecido na pauta de deliberação".

Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil

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