sábado, 17 de outubro de 2026

Em manifesto, ex-ministros de FHC e nomes da centro-direita declaram apoio a Lula

 Documento cita ameaças atribuídas ao projeto político de Flávio Bolsonaro e defende reeleição de Lula para preservar direitos e a democracia

Lula - Crédito: Ricardo Stuckert

Ex-ministros do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), intelectuais e personalidades identificadas com a centro-direita divulgaram um manifesto em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento aponta riscos associados ao projeto político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e defende a preservação da democracia, dos direitos sociais e das instituições brasileiras.

Entre os signatários estão Miguel Reale Jr., ex-ministro da Justiça e autor do pedido que resultou no golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), Beatriz Cardoso, filha de Fernando Henrique Cardoso, e Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda. Ao todo, quatro ex-integrantes do governo FHC assinaram a declaração.

“Neste segundo turno, o Brasil está diante de uma escolha que ultrapassa diferenças partidárias e ideológicas”, afirma o manifesto.

O texto sustenta que a reeleição de Lula oferece melhores condições para preservar o equilíbrio institucional, garantir direitos e liberdades, manter o diálogo político e evitar retrocessos. O documento também menciona conquistas nas áreas social, trabalhista, educacional, da saúde pública e da preservação ambiental.

“Ao mesmo tempo, vemos, no projeto representado por Flávio Bolsonaro, ameaças a esses princípios, intenções de desarticular patamares de conquistas sociais consolidados e riscos à interlocução internacional multilateral consagrada pelo Brasil”, diz outro trecho do documento.


☉ Manifesto reconhece divergências com Lula

Segundo o Metrópoles, os signatários afirmam que mantêm diferenças políticas com Lula e críticas ao governo, mas consideram que a disputa eleitoral exige uma posição em defesa de valores democráticos comuns.

“É justamente por valorizarmos o pluralismo que fazemos esta escolha. Antes de apoio a um nome, esta manifestação é de apoio ao Brasil, ao nosso espaço nacional e aos seus valores fundamentais comuns”, declara o manifesto.

A divulgação ocorreu durante o “Encontro pela democracia, pela estabilidade, pela justiça socioambiental e pelo Brasil”, que reuniu o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ministros Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), integrantes do governo Lula.

Antes da reunião, Alckmin defendeu a união em torno da democracia, da Constituição e do desenvolvimento econômico.

“Estão todos empenhados em defender a democracia, a Constituição brasileira, promover desenvolvimento. Nós não queremos o Brasil indo para a recessão, para o desemprego, para o fechamento de empresas. Queremos economia crescendo, distribuindo renda”, afirmou o vice-presidente.

Durante o encontro com as personalidades que assinaram o manifesto, Alckmin acrescentou: “A reeleição do presidente Lula é uma medida civilizatória.”

Marina Silva também comentou a mobilização de setores que não integram necessariamente os partidos de esquerda em defesa do presidente.

“Há uma profusão de movimentos pró-Lula acontecendo nesse país para virar voto. É um grupo de pessoas que são pessoas do campo democrático, mas não são necessariamente dos partidos de esquerda e que estão aqui”, declarou.

☉ Confira o manifesto na íntegra

“Neste segundo turno, o Brasil está diante de uma escolha que ultrapassa diferenças partidárias e preferências ideológicas. Está em jogo a capacidade do país de preservar a estabilidade institucional, o equilíbrio entre os Poderes, as liberdades democráticas; de enfrentar a crise climática, cuidar de nossos biomas, dos povos indígenas, das comunidades tradicionais e de toda a população sacrificada pela acentuada desigualdade social. Está em risco um caminho capaz de levar ao desenvolvimento econômico com justiça social, soberania e paz.

Nós, que temos distintas origens, trajetórias e visões sobre muitos dos desafios nacionais, entendemos que, sobretudo nos momentos de maior polarização, a democracia é o nosso norte comum, e ela exige responsabilidade, respeito às instituições e compromisso inequívoco com a Constituição.

Consideramos que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva oferece ao país melhores condições para assegurar esse equilíbrio institucional, preservar direitos e liberdades, manter canais de diálogo entre diferentes setores da sociedade e com espaço geopolítico global, e evitar retrocessos institucionais, preservando conquistas sociais, trabalhistas, educacionais, na saúde pública e na proteção ambiental. Ao mesmo tempo vemos, no projeto representado por Flávio Bolsonaro, ameaças a esses princípios, intenções de desarticular patamares de conquistas sociais já consolidados e riscos à interlocução internacional multilateral consagrada pelo Brasil.

O Brasil precisa crescer, gerar empregos, estimular a inovação, recuperar sua capacidade industrial, estimular a agricultura de baixo carbono, avançar na educação, criar oportunidades para seus cidadãos e corrigir erros, onde isso se fizer necessário. Esse desenvolvimento deve estar associado à estabilidade econômica, à ciência, à tecnologia e à responsabilidade ambiental, com a preservação de nossas riquezas naturais. Florestas, água, biodiversidade e minerais estratégicos são parte da soberania brasileira e devem contribuir para o desenvolvimento do país, com uso responsável desses recursos e compromisso com as futuras gerações.

Também consideramos indispensável que o próximo governo respeite a diversidade da sociedade brasileira, proteja direitos fundamentais, sem transformar adversários políticos, instituições públicas, universidades, imprensa ou organizações da sociedade civil em inimigos.

Muitos de nós temos diferenças com o presidente Lula e críticas a seu governo, e preservaremos nossa independência para expressá-las. É justamente por valorizarmos o pluralismo que fazemos esta escolha. Antes de apoio a um nome, esta manifestação é de apoio ao Brasil, ao nosso espaço nacional e aos seus valores fundamentais comuns.”

Fonte: Brasil 247

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