quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Aliados de Flávio Bolsonaro alertam sobre clima de “já ganhou” e veem risco em fala sobre mudar a Constituição

 Interlocutores avaliam que o senador está “salto alto” ao já falar sobre eventual governo

     Flávio Bolsonaro - Crédito: REUTERS/Diego Herculano

 Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) passaram a demonstrar preocupação com o tom adotado pelo candidato no início do segundo turno da eleição presidencial. A avaliação interna é de que, embora o senador tenha terminado a primeira etapa da disputa à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a vantagem ainda não assegura a vitória e pode ser revertida nas próximas semanas.

Segundo o jornalista Valdo Cruz, do G1, interlocutores de Flávio consideraram arriscada a postura adotada pelo candidato nesta terça-feira (6), em Goiânia, durante um evento de apoio do ex-governador Ronaldo Caiado. Na avaliação desses aliados, o senador transmitiu um clima de “já ganhou” ao falar de medidas que pretende adotar em um eventual governo.

A principal preocupação surgiu depois de Flávio afirmar que uma eventual maioria de direita no Congresso abriria caminho para mudanças na Constituição com o objetivo, segundo ele, de “redemocratizar o país”.


A declaração foi imediatamente explorada por integrantes da campanha de Lula, que passaram a apresentar a fala como sinal de que Flávio poderia apoiar alterações institucionais consideradas autoritárias ou capazes de afetar garantias democráticas.

Diante da repercussão, aliados do candidato do PL tentaram reduzir o alcance da declaração. Segundo esses interlocutores, Flávio não estaria defendendo medidas autoritárias, e eventuais mudanças constitucionais continuariam submetidas aos limites estabelecidos pela própria Carta de 1988.

A Constituição impede, por exemplo, a aprovação de emendas destinadas a abolir cláusulas pétreas. Entre elas estão o voto direto, secreto, universal e periódico, a separação dos Poderes e os direitos e garantias individuais.

De acordo com aliados do senador, a intenção de Flávio ao mencionar uma maioria no Congresso seria indicar que um eventual governo teria melhores condições políticas de aprovar propostas que dependem do Legislativo.

Entre as medidas citadas estão a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e mudanças no funcionamento do Judiciário, pautas que exigiriam articulação com deputados e senadores para avançar.

Apesar da vantagem obtida no primeiro turno, integrantes da campanha defendem que Flávio evite entrar na fase decisiva da eleição de “salto alto”. O argumento é que o histórico eleitoral desde a redemocratização, no qual os candidatos que lideraram o primeiro turno também venceram o segundo, não representa garantia de resultado.

A preocupação também leva em conta a disputa pelos votos dos candidatos eliminados. Flávio iniciou o segundo turno em vantagem na busca por apoios de lideranças da direita e recebeu o respaldo de Ronaldo Caiado em Goiás.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

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