sexta-feira, 14 de agosto de 2026

MPF investiga abordagem da PM contra motorista de Haddad

Coligação petista aponta possível retaliação após críticas à segurança pública em debate eleitoral

Fernando Haddad  -  Crédito: Diogo Zacarias / Divulgação

A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo, vinculada ao Ministério Público Federal (MPF), abriu investigação para esclarecer as circunstâncias da atuação da Polícia Militar envolvendo o veículo do candidato ao governo paulista Fernando Haddad (PT) e seu motorista. A coligação do petista sustenta que o episódio pode ter relação com críticas feitas pelo candidato à política de segurança pública do estado.

Segundo o jornal O Globo, a abertura da apuração foi autorizada pelo procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt após a coligação Desperta SP, liderada pelo PT, apresentar uma notícia de fato sobre “supostos atos de intimidação e coação policial contra o candidato ao governo do estado Fernando Haddad”.

A representação chama a atenção para a proximidade entre o episódio e o primeiro debate eleitoral entre Haddad e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição.

“A coligação destacou o nexo temporal entre os fatos e as críticas públicas proferidas pelo candidato à gestão da Segurança Pública estadual em debate televisivo ocorrido dois dias antes, sugerindo uma possível retaliação institucional”, registra o documento.


⦿ Motorista teria sido seguido após Haddad chegar em casa

O episódio ocorreu na noite de terça-feira (11), quando Haddad retornava de um evento realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Por volta das 22h30, segundo o relato apresentado pelo candidato, uma viatura da Polícia Militar direcionou uma luz para o para-brisa do veículo com o objetivo de verificar quem estava dentro do carro.

Após deixar Haddad em casa, o motorista, cujo nome não foi divulgado, seguiu viagem e teria sido acompanhado pela viatura durante vários minutos.

Ao tomar conhecimento posteriormente do relato completo do motorista, Haddad levantou a possibilidade de ter ocorrido uma tentativa de intimidação.

⦿ Governo diz que policiais procuravam suspeitos

Na quarta-feira (12), Haddad procurou a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo para pedir esclarecimentos sobre a atuação dos policiais.

A explicação apresentada pelo governo estadual foi a de que a viatura participava de uma operação destinada a localizar integrantes de uma quadrilha conhecida pela prática do “quebra-vidro” na região central da capital paulista.

Haddad, no entanto, questionou a versão. Segundo o candidato, o veículo procurado pelos policiais seria diferente daquele utilizado por sua equipe. Ele também alegou que o horário da ocorrência informado pelas autoridades não corresponderia ao momento relatado por seu motorista.

As circunstâncias do episódio e as divergências entre as versões apresentadas estão entre os pontos que deverão ser esclarecidos pela investigação.

⦿ Coligação aponta “nexo temporal” com debate

A coligação Desperta SP relacionou o episódio às declarações de Haddad durante o debate promovido pela TV Band no domingo (9), primeiro confronto televisivo entre o petista e Tarcísio nesta eleição.

Durante o programa, Haddad fez críticas à gestão da segurança pública estadual.

Ao recorrer ao MPF, a coligação argumentou existir um “nexo temporal” entre as declarações do candidato e a atuação policial registrada dois dias depois.

A hipótese apresentada pela campanha é de que o episódio possa configurar uma retaliação institucional, questão que será objeto de apuração pelas autoridades competentes.

A abertura da investigação, entretanto, não representa uma conclusão de que tenha ocorrido intimidação ou motivação política na conduta policial. O procedimento busca justamente esclarecer as circunstâncias da atuação da PM e verificar se há elementos que sustentem as suspeitas apresentadas pela coligação.

⦿ MPF vai esclarecer circunstâncias do episódio

Com a decisão da Procuradoria Regional Eleitoral, o caso passa a ser analisado externamente ao governo paulista.

A investigação deverá buscar elementos que permitam esclarecer por que a viatura estava na região, as circunstâncias do contato com o veículo utilizado por Haddad e o posterior acompanhamento relatado pelo motorista.

O episódio ocorre em meio à disputa pelo governo de São Paulo entre Haddad e Tarcísio e ganhou dimensão eleitoral após a coligação petista associar temporalmente a atuação policial às críticas feitas pelo candidato durante o debate realizado dois dias antes.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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