Prazo considera as etapas iniciais de análise pela Camex antes da definição de eventuais contramedidas contra Washington
O governo brasileiro poderá levar até 60 dias para concluir a primeira análise sobre a adoção de medidas de reciprocidade contra o tarifaço dos Estados Unidos. O processo foi iniciado na quinta-feira (13) e prevê diferentes etapas antes de uma eventual aplicação definitiva de contramedidas. As informações são do jornal O Globo.
A tramitação começa com a análise da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que precisa verificar se o pedido apresentado pelo governo se enquadra nos critérios estabelecidos pela Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional.
Segundo as regras do procedimento, a secretaria-executiva da Camex já encaminhou o pleito aos demais integrantes de seu Comitê-Executivo de Gestão. A partir disso, passou a contar o prazo de 30 dias, prorrogável por mais 30, para a elaboração de um relatório sobre o enquadramento do pedido.
Depois da elaboração do documento, o comitê-executivo também terá até 30 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período, para analisar o relatório e deliberar sobre o enquadramento da solicitação.
● Possíveis contramedidas
Caso o pedido seja considerado compatível com a legislação, poderá ser formado um grupo de trabalho para elaborar propostas de contramedidas. A equipe poderá reunir representantes de outros órgãos do governo e também do setor privado.
As medidas propostas deverão passar por consulta pública, com prazo de até 30 dias para que empresas, setores interessados e parceiros comerciais potencialmente afetados apresentem manifestações.
Na sequência, as propostas serão analisadas pelo Comitê-Executivo de Gestão da Camex e pelo Conselho Estratégico da Câmara. Conforme a regulamentação, o conselho terá até 120 dias para decidir sobre a adoção das medidas, prazo que pode ser prorrogado por mais 60 dias.
Entre as possibilidades de contramedidas estão medidas tarifárias, como a aplicação de novas taxas sobre produtos, conforme as propostas que venham a ser formuladas durante o processo.
● Governo pode adotar medida provisória
Apesar do rito ordinário, o governo também pode solicitar, a qualquer momento, a adoção de contramedidas provisórias. Para isso, será necessário apresentar uma justificativa para a excepcionalidade que permita uma tramitação diferente daquela prevista no procedimento completo.
Nesse caso, o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais será responsável por avaliar o pedido. Se houver aprovação, a medida poderá ser implementada e, posteriormente, submetida ao processo ordinário para uma eventual transformação em definitiva.
A adoção de uma contramedida definitiva também poderá ser adiada conforme o andamento das negociações diplomáticas. O Comitê-Executivo de Gestão da Camex poderá ainda propor ao Conselho Estratégico a alteração ou a suspensão de uma medida que já tenha sido estabelecida.
O Ministério das Relações Exteriores participa do processo por meio das consultas diplomáticas com o parceiro comercial afetado. O Itamaraty também deverá ser responsável por notificar os Estados Unidos caso alguma medida de reciprocidade seja efetivamente adotada.
● Negociações podem alterar o processo
Durante a tramitação, as consultas diplomáticas terão como objetivo reduzir ou eliminar os efeitos das medidas aplicadas pelo parceiro comercial e das eventuais contramedidas brasileiras.
Dessa forma, embora o primeiro relatório possa ser concluído em até 60 dias, a definição de uma resposta definitiva ao tarifaço dos Estados Unidos depende de uma sequência de análises, consultas e deliberações, além da possível evolução das negociações entre os dois países.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
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