Partido enviou dados ao TSE e pede identificação do responsável pelo cadastro irregular
O endereço de IP utilizado para registrar irregularmente o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) como filiado ao Missão teria sido identificado pelo partido, que encaminhou os dados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pediu providências para descobrir quem realizou o cadastro.
Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, os dados foram enviados pela legenda ao TSE na noite de quinta-feira (13). De acordo com uma consulta ao DNS Checker citada pelo partido, o IP apresentado corresponde a uma localização em Belo Horizonte.
Na representação, o Missão pede que os provedores sejam intimados a fornecer informações sobre a origem e a titularidade do IP, além das contas vinculadas a ele no período e dos registros de conexão que possam esclarecer de onde partiu o acesso ao sistema.
⦾ Cadastro tinha CPF fictício e endereço falso
O partido afirma que o formulário atribuído a Flávio Bolsonaro continha informações falsas. Entre os dados inseridos estavam o CPF fictício “123.456.789-09” e o endereço “Rua Dos Bandidos, nº 666, Bairro Miliciano”. O e-mail utilizado, no entanto, era o endereço oficial do mandato de Flávio no Senado, segundo a legenda.
O Missão também questiona como o procedimento conseguiu avançar apesar das inconsistências. O partido cita a resolução nº 23.596/2019 do TSE e sustenta que o próprio sistema da Justiça Eleitoral deveria impedir uma filiação em caso de erro nos dados cadastrais.
Segundo a sigla, isso não ocorreu no registro atribuído ao senador.
⦾ Missão diz que Flávio Bolsonaro foi comunicado durante dez dias
A representação encaminhada à Justiça Eleitoral reúne ainda registros de mensagens enviadas ao e-mail oficial de Flávio Bolsonaro, incluindo informações sobre entrega, abertura e clique.
O partido afirma que o senador foi comunicado reiteradamente durante os dez dias entre o pedido inicial e o processamento da filiação pela Justiça Eleitoral.
Flávio Bolsonaro disse ter considerado as mensagens como spam.
⦾ Partido tentou reverter registro antes de validação
O Missão afirma ainda que tentou desfazer o registro encaminhado ao Filia depois de identificar uma divergência entre o CPF informado e aquele associado ao título eleitoral.
De acordo com os registros apresentados pelo partido, a tentativa ocorreu na quarta-feira (12), às 9h11, mas o sistema retornou um erro HTTP 403.
Na quinta-feira (13), porém, o registro apareceu com a situação “Regular”, segundo a documentação citada pela legenda.
O partido afirma que já havia comunicado problemas semelhantes envolvendo o Filia. Chamados teriam sido registrados em março e julho.
⦾ Tentativa de cadastro em nome de Lula também foi detectada
O Missão relata ter identificado, na quinta-feira (13), outra tentativa de cadastro, desta vez em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo a legenda, a operação foi cancelada antes que qualquer registro fosse processado pelo Filia, sistema do TSE responsável pela gestão das filiações partidárias.
Depois dos episódios, o partido suspendeu seu sistema de filiação online.
Fonte: Brasil 247 com informações da coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo
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