quarta-feira, 3 de junho de 2026

Haddad: “Flávio Bolsonaro foi beijar as mãos de Trump enquanto ele taxa empresas brasileiras e ataca o PIX”

Ex-ministro critica aproximação do senador com Trump após EUA proporem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e mirarem o PIX em investigação

              Flávio Bolsonaro e Fernando Haddad (Foto: Lula Marques/Agência Brasil | Diogo Zacarias/MF)

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), criticou nesta terça-feira (2) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A manifestação ocorreu após o governo dos Estados Unidos propor uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras e incluir o PIX entre os temas de uma investigação comercial aberta por Washington.

Em publicação nas redes sociais, Haddad afirmou que Flávio Bolsonaro teria se alinhado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto Washington adota medidas contra interesses brasileiros. "Flávio Bolsonaro foi beijar as mãos do Trump enquanto ele taxa as empresas brasileiras e ataca o PIX", disse.

Na mesma manifestação, Haddad defendeu o sistema de pagamentos criado no Brasil e associou a disputa à defesa da soberania nacional. "O PIX é do Brasil e do povo brasileiro, é gratuito, público e não está em negociação. É isso o que nos separa da extrema direita: enquanto eles lutam pelos interesses estrangeiros, a gente defende a nossa pátria e a soberania nacional", declarou.

Investigação comercial dos EUA
A declaração de Fernando Haddad ocorreu após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propor uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras e abrir uma investigação que abrange comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.

O documento divulgado pelo órgão prevê exceções para determinados produtos e ainda passará por consultas públicas e audiência antes de uma eventual adoção de sanções contra o Brasil. Entre os argumentos apresentados pelo USTR está a alegação de que políticas brasileiras relacionadas a serviços de pagamento eletrônico poderiam prejudicar empresas dos Estados Unidos que atuam em mercados concorrentes.

O tema ganhou dimensão política nos últimos dias com a aproximação pública entre Donald Trump e Flávio Bolsonaro. Nesta terça-feira (2), o presidente dos Estados Unidos divulgou uma foto ao lado do senador brasileiro e o descreveu como "um jovem inteligente que ama muito o seu país", poucos dias após um encontro entre os dois na Casa Branca.

A publicação ocorreu no momento em que o PIX passou a ocupar posição central na disputa comercial entre Washington e Brasília. O USTR sustenta que o sistema de pagamentos brasileiro favoreceria uma plataforma pública em detrimento de empresas privadas estrangeiras, argumento utilizado para justificar a investigação que poderá resultar em medidas comerciais contra o Brasil.

Flávio Bolsonaro foi beijar as mãos do Trump enquanto ele taxa as empresas brasileiras e ataca o PIX.

O PIX é do Brasil e do povo brasileiro, é gratuito, público e não está em negociação. É isso o que nos separa da extrema direita: enquanto eles lutam pelos interesses…— Fernando Haddad (@Haddad_Fernando) June 2, 2026

Fonte: Brasil 247

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