quarta-feira, 15 de abril de 2026

Gilmar chama Janot de “alcoólatra” e diz ver um “quê de lavajatismo” na CPI do Crime Organizado


        Gilmar Mendes e Rodrigo Janot.   (Foto: Lula Marques/Agência PT)

Gilmar Mendes chamou Rodrigo Janot de “alcoólatra” nesta terça-feira (14), durante sessão da Segunda Turma do STF, ao reagir ao relatório da CPI do Crime Organizado que pedia o indiciamento de ministros da Corte e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. No mesmo discurso, o ministro afirmou ver um “quê de lavajatismo” na atuação da comissão.

Ao tratar de Janot, Gilmar declarou: “Claro que a constituinte de 88 não poderia supor que daria, com a Procuradoria-Geral da República, o poder a um alcoólatra, mas assim se fez”. Em seguida, acrescentou: “O herói de então, Janot, era essa triste figura, que a partir das três horas da tarde já convidava seus interlocutores para tomar uma grapa, e que no final do dia já estava bêbado”.

A fala foi feita no momento em que o ministro criticava o parecer apresentado por Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI, que também mirava Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Para Gilmar, a comissão repete práticas associadas à Lava Jato, como vazamentos seletivos, pressão midiática e construção de narrativas antes do julgamento.

O confronto entre Gilmar e Janot é antigo. Em 2019, a Agência Brasil registrou que os dois protagonizaram um longo embate público enquanto Janot comandou a Procuradoria-Geral da República, entre 2013 e 2017. A disputa se agravou nos anos da Lava Jato, com choques frequentes em torno da atuação do Ministério Público e de decisões do Supremo.

Um dos episódios centrais ocorreu em 2017, quando Janot pediu ao Supremo que considerasse Gilmar suspeito para julgar um habeas corpus de Eike Batista. O argumento era que Guiomar Mendes, esposa do ministro, trabalhava em escritório de advocacia que prestava serviços ao empresário. Depois disso, veio a público a informação de que a filha de Janot atuava em processos da OAS no Cade, e o ex-PGR atribuiu a divulgação do dado a Gilmar.

Dois anos depois, Janot revelou que entrou armado no STF com a intenção de matar Gilmar Mendes e depois se suicidar, mas disse que desistiu antes de atirar. Na reação, Gilmar afirmou que parte do devido processo legal no país ficou “refém de quem confessa ter impulsos homicidas” e recomendou que o ex-procurador procurasse “ajuda psiquiátrica”.

Fonte: DCM

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