segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Agro aposta em abertura do mercado indiano para feijão e frango na viagem de Lula

Governo negocia acesso sanitário para feijão guandu e discute redução de tarifas indianas sobre cortes de frango durante agenda presidencial na Índia

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante condecoração do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, com o Grande Colar da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, no grau de Grã-Cruz. Palácio da Alvorara, em Brasília - 08/07/2025 (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

A equipe de agricultura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) finaliza os preparativos para a agenda bilateral entre Brasil e Índia, prevista para ocorrer durante a viagem presidencial ao país asiático na próxima terça-feira (17).

O foco principal das tratativas está na ampliação do acesso de produtos do agronegócio brasileiro ao mercado indiano, com destaque para a exportação do feijão guandu e para a tentativa de reduzir barreiras tarifárias aplicadas ao frango brasileiro.

De acordo com informações publicadas pela CNN Brasil, as negociações vêm sendo conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e buscam avanços em duas frentes consideradas estratégicas. Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, o governo trabalha para destravar a abertura sanitária do feijão guandu e discutir o peso das tarifas indianas sobre cortes de frango, que atualmente podem chegar a cerca de 100%. “Estamos trabalhando mais na questão do feijão guandu, que tem um potencial enorme e está com as tratativas técnicas avançadas, e das tarifas, por exemplo, dos cortes de frango”, afirmou Rua em entrevista ao CNN Agro.

Feijão guandu

A abertura do mercado indiano para o feijão guandu é tratada pelo governo brasileiro como prioridade imediata, considerando o peso do consumo do grão no país asiático. A Índia é o maior consumidor mundial do produto, que integra a base alimentar local, mas enfrenta instabilidades recorrentes de produção, o que a leva a recorrer a importações em períodos de quebra de safra.

Nesse cenário, o Brasil surge como um potencial fornecedor competitivo. A produção nacional do feijão guandu se concentra especialmente no Centro-Oeste e no Nordeste, e o governo avalia que o país teria capacidade de ampliar embarques caso obtenha autorização sanitária para exportação.

Tarifas de frango

Além do feijão, outro ponto sensível da agenda envolve as barreiras tarifárias que dificultam o avanço do frango brasileiro no mercado indiano. O governo estuda a possibilidade de criar um mecanismo que ofereça previsibilidade comercial, incluindo a hipótese de estabelecer uma cota específica para cortes de frango.

No entanto, a proposta ainda depende de alinhamento com as autoridades indianas. “Essa é a ideia, mas ainda precisamos escutar o lado indiano”, declarou Rua.

Outros produtos

As conversas entre Brasil e Índia também abrangem uma pauta mais ampla de itens agrícolas e industriais que podem entrar no comércio bilateral. Produtos como DDG (subproduto do etanol de milho), farinhas de origem animal, madeira e erva-mate são mencionados como possibilidades, embora ainda estejam em estágio preliminar de negociação.

A estratégia do governo brasileiro, segundo o que foi divulgado, é diversificar a pauta exportadora do agronegócio brasileiro e ampliar a presença comercial no continente asiático, que já representa uma parcela significativa das vendas externas do setor.

Índia quer exportar romã para o Brasil

As tratativas não se restringem aos interesses brasileiros. Do lado indiano, uma das demandas apresentadas é a ampliação do acesso ao mercado brasileiro para a romã produzida no país. O tema aparece como parte do esforço para consolidar uma relação comercial mais equilibrada, com fluxo em duas direções.

Governo aposta em peso político da viagem presidencial

Internamente, integrantes do governo avaliam que a presença de Lula pode fortalecer o peso político das negociações e acelerar tratativas técnicas já em curso. O objetivo é consolidar o avanço do agronegócio em mercados estratégicos e ampliar oportunidades em países com grande consumo interno.

A corrente de comércio entre Brasil e Índia já alcança cerca de US$ 12 bilhões anuais, mas ainda é considerada limitada diante do porte das duas economias. A meta oficial dos dois governos é elevar esse volume para aproximadamente US$ 20 bilhões até o fim da década.

Segundo a avaliação do governo, ampliar o acesso ao mercado indiano — que possui mais de 1,4 bilhão de habitantes — é visto como uma oportunidade estratégica. Avançar nesse ambiente foi descrito como um “sonho indiano” dentro das negociações brasileiras.

Cúpula de inteligência artificial e fórum empresarial na agenda

A viagem ocorre a convite do primeiro-ministro Narendra Modi e inclui compromissos políticos e econômicos. Lula deve participar de encontros bilaterais, além de integrar a Cúpula de Inteligência Artificial e cumprir agenda com empresários durante o Fórum da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

A programação prevê que o presidente participe da abertura da Cúpula de Inteligência Artificial nos dias 19 e 20 e encerre o Fórum Empresarial no dia 21. Também está prevista a inauguração do escritório da ApexBrasil em Nova Délhi.

Além disso, a agenda inclui a assinatura de atos bilaterais e discussões sobre a ampliação do acordo de preferências tarifárias entre o Mercosul e a Índia, um instrumento considerado importante para ampliar o fluxo comercial.

Após a Índia, Lula seguirá para a Coreia do Sul

Depois da etapa indiana, Lula seguirá para a Coreia do Sul, onde o foco da equipe agrícola será tentar retomar formalmente as negociações para a exportação de carne bovina brasileira. As tratativas haviam sido iniciadas anteriormente, mas ficaram paralisadas devido a questões políticas internas no país asiático.

O mercado sul-coreano é considerado estratégico por ser um dos maiores importadores de carne bovina da Ásia e por oferecer prêmios elevados por proteína de qualidade. Atualmente, países como Estados Unidos e Austrália lideram o fornecimento ao país.

A comitiva contará também com representantes do setor privado, incluindo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa. A expectativa, segundo integrantes do governo, é que a presença presidencial ajude a reabrir canais de diálogo e retomar o processo técnico de habilitação, que envolve inspeções sanitárias, avaliação de protocolos e negociações entre autoridades dos dois países.

Fonte: Brasil 247

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