domingo, 11 de janeiro de 2026

Carlos Bolsonaro pede que Trump tire o pai da cadeia e cita Nicarágua e Venezuela


        Carlos e Jair Bolsonaro. Foto: ANDRé RIBEIRO/FUTURA PRESS

O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) defendeu publicamente que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atue para pressionar o Brasil pela libertação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A manifestação foi feita em publicação nas redes sociais, na qual Carlos comparou a situação brasileira a processos recentes de libertação de presos políticos em países da América Latina, com destaque para a Nicarágua.

Na postagem, Carlos afirmou que diferentes governos da região libertaram opositores após pressão externa. Ele citou a Venezuela, onde jornalistas, ativistas e adversários do governo teriam sido soltos, e a Nicarágua, que anunciou recentemente a libertação de dezenas de detidos por motivação política, entre líderes religiosos, opositores e ex-autoridades. Também mencionou Colômbia e Bolívia, apontando revisões políticas e institucionais nesses países.

Em contraste, Carlos Bolsonaro sustentou que, no Brasil, “presos políticos seguem encarcerados”, afirmando que o país estaria sendo comparado a regimes fechados. Na sequência, retomou críticas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dizendo que, durante as eleições de 2022, teria havido proibição de menções às relações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o venezuelano Nicolás Maduro e o nicaraguense Daniel Ortega. Segundo ele, os acontecimentos recentes dariam novo significado a essas restrições.

Jair Bolsonaro está preso desde 22 de novembro de 2025 na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses por liderar uma trama golpista, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal. O local carrega uma ironia simbólica: em frente ao prédio há uma placa com o nome de Bolsonaro e a data em que a unidade da PF foi modernizada durante seu próprio governo. Nos primeiros anos de mandato, o então presidente investiu na infraestrutura da Polícia Federal, e a inauguração das obras registra também o nome de seu então ministro da Justiça, Anderson Torres, igualmente condenado pelo STF no mesmo processo.


A comparação feita por Carlos Bolsonaro ocorre no momento em que o governo da Nicarágua, copresidido por Daniel Ortega e Rosario Murillo, anunciou a libertação de “dezenas de pessoas” que permaneciam detidas, entre elas vários presos políticos. O anúncio foi feito no sábado (10), por ocasião dos 19 anos do governo no poder, e em meio a pressão dos Estados Unidos.

Em nota oficial, o Executivo nicaraguense afirmou que a medida seria um “símbolo de compromisso com a paz” e com a convivência familiar e comunitária. O governo não divulgou uma lista completa dos libertados, mas a agência EFE confirmou, com familiares, a soltura de pelo menos sete opositores, entre eles líderes políticos e um pastor evangélico. Veículos locais apontaram números que variam entre 19 e 30 presos políticos libertados.

A postagem da embaixada citou uma mensagem de Donald Trump na rede Truth Social, na qual o presidente norte-americano comemorou a libertação de presos políticos na Venezuela como sinal de busca por paz. O tema também foi retomado por grupos opositores nicaraguenses, que voltaram a exigir a libertação imediata de todos os detidos por motivação política no país.

Fonte: DCM

Nenhum comentário:

Postar um comentário