Deputado avalia veto ao PL da dosimetria, critica o bolsonarismo e defende Ministério da Segurança Pública como eixo central da eleição de 2026
“Se a gente tivesse numa zona normal, o Lula seria eleito, sem dúvidas, no primeiro turno das eleições de 2026.” A avaliação é do deputado estadual Leonel Radde (PT-RS), em entrevista concedida ao jornalista Otávio Rosso no programa Boa Noite 247, exibido no dia 10 de janeiro de 2026, na TV 247.
Ao longo da conversa, Radde analisou o veto do presidente Lula ao chamado PL da dosimetria, apontou os riscos da ofensiva bolsonarista no Congresso, defendeu uma mobilização nacional para sustentar a decisão presidencial e avaliou o cenário político e eleitoral que se desenha para 2026, tanto no plano nacional quanto no Rio Grande do Sul.
O programa teve início com a repercussão dos dados do IBGE sobre a inflação oficial. O IPCA fechou 2025 em 4,26%, abaixo do teto da meta de 4,5%. Para Otávio Rosso, o dado tem peso político relevante. “A inflação… está controlado nesse ano eleitoral”, afirmou o jornalista ao introduzir o tema.
● Resultados econômicos fortalecem Lula
Na avaliação de Leonel Radde, os indicadores econômicos criam uma base sólida para a reeleição do presidente. “O Lula vai terminar o quarto ano desse mandato dele com a menor inflação da história… de um mandato completo”, afirmou. Segundo ele, o governo também entregará “a menor taxa de desemprego da história”, além do “maior ganho real do salário mínimo” e aumento do poder de compra da classe trabalhadora.
Radde também rebateu críticas sobre dívida pública, lembrando que o endividamento cresceu mais durante o governo Bolsonaro, especialmente no período da pandemia. Para ele, o debate central deveria estar nos juros, tema que classificou como responsabilidade do Banco Central, que é independente do governo federal.
● “Não existe terceira via” na direita
Ao analisar o campo conservador, o deputado foi categórico ao afirmar que a chamada terceira via não se sustenta eleitoralmente. “Não existe essa terceira via. A terceira via da direita, que seria uma direita democrática, ela foi totalmente engolida e coptada pela extrema direita, pelo bolsonarismo”, declarou.
Radde citou pesquisas que colocam Flávio Bolsonaro à frente de Tarcísio, interpretando o dado como prova da força do núcleo bolsonarista. “Quando coloca o Flávio Bolsonaro… o Flávio Bolsonaro tá muito à frente do Tarcísio”, disse, ressaltando que isso desmonta a narrativa de uma direita moderada viável fora do bolsonarismo.
● Veto ao PL da dosimetria e confronto institucional
O veto do presidente Lula ao PL da dosimetria foi apontado por Radde como um divisor de águas na relação entre Executivo, Congresso e STF. Para ele, a tentativa de derrubar o veto tem menos a ver com mérito jurídico e mais com estratégia política. “O objetivo central deles é tensionar com STF”, afirmou.
O deputado defendeu que a manutenção do veto depende de pressão popular organizada. “A mobilização social é extremamente importante nesse sentido”, disse, lembrando que outras propostas já recuaram diante de reação da sociedade.
Radde também criticou duramente o argumento bolsonarista de que o projeto serviria para corrigir “excessos”. “Essa lei da dosimetria todo mundo sabe que vai favorecer pedófilo, que vai favorecer o crime organizado, faccionados, vai favorecer o criminoso comum”, afirmou, defendendo que esse seja o eixo central da campanha para manter o veto presidencial.
● Desinformação, redes e pressão dos Estados Unidos
Para Leonel Radde, a eleição de 2026 não será decidida apenas por indicadores econômicos. “A gente tá lidando com grupos fanatizados, que têm muito recurso financeiro e uma rede de desinformação muito bem ajeitada”, afirmou, citando o papel de algoritmos, WhatsApp e Telegram.
Ele também relacionou o cenário brasileiro a um contexto internacional mais amplo, mencionando os Estados Unidos sob Donald Trump, atual presidente norte-americano. “Agora conta com os Estados Unidos, com o Trump lá nos Estados Unidos, com o objetivo de desestabilizar toda a América”, disse.
● Segurança pública e a saída de Lewandowski
Questionado sobre a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça, Radde avaliou que o ex-ministro teve desempenho positivo “dentro das limitações” e citou projetos debatidos durante sua gestão.
Na sequência, defendeu a criação imediata de um Ministério da Segurança Pública, separado do Ministério da Justiça. “Eu defendo essa tese de que é necessária a criação do Ministério da Segurança Pública, independente do Ministério da Justiça”, afirmou, classificando a segurança como o tema central das eleições de 2026.
Radde rejeitou a ideia de adiar a criação do novo ministério para transformá-la em promessa eleitoral. “Eu discordo. Eu acredito que se foi promessa de campanha tem que ser cumprida”, declarou.
● Comunicação da esquerda e o medo na sociedade
O deputado também fez uma autocrítica ao campo progressista sobre a forma de abordar a segurança pública. “A esquerda só aparece no momento de crítica”, afirmou, alertando que isso facilita a narrativa da direita de que a esquerda seria contrária às forças policiais.
Segundo Radde, ignorar o medo da população abre espaço para soluções autoritárias. “A sociedade tem medo”, disse, defendendo um discurso que combine direitos humanos, propostas concretas e diálogo com as categorias da segurança.
● Rio Grande do Sul e a disputa local
No plano estadual, Leonel Radde disse ver com preocupação o avanço da extrema direita no Rio Grande do Sul. “É muito preocupante. Uma disputa muito difícil aqui no estado”, afirmou, defendendo a unidade do campo democrático.
Ele também comentou a disputa ao Senado e afirmou que o PT já tem um nome definido. “O Paulo Pimenta será o candidato ao Senado da chapa do PT”, declarou.
● Um retrato do embate que vem pela frente
Ao longo da entrevista ao Boa Noite 247, Leonel Radde apresentou o veto ao PL da dosimetria como parte de um embate mais amplo entre governo, Congresso conservador e extrema direita, em um cenário marcado por desinformação, medo e disputa institucional.
Mesmo com indicadores econômicos favoráveis, o deputado alertou que a eleição será dura. Ainda assim, manteve a convicção expressa no início da entrevista. “Se fosse pela racionalidade, se fosse por índices, se fosse por governança, o Lula ganharia tranquilamente no primeiro turno.”
Fonte: Brasil 247
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