Manifestantes com cartaz contra interferência externa durante protesto na praça Roosevelt, em São Paulo. Foto: Reprodução
Estudantes realizaram, no último domingo (1º), atos em 11 estados e no Distrito Federal contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) e a interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. As mobilizações, convocadas pela União Nacional dos Estudantes (UNE), também levaram às ruas críticas à violência política e às ameaças contra povos indígenas.
As manifestações haviam sido planejadas para celebrar a reeleição do presidente Lula (PT), mas a UNE alterou o foco após os acontecimentos da semana seguinte ao segundo turno. Bianca Borges, presidente da entidade, afirmou que o cenário impediu que os protestos mantivessem apenas um caráter comemorativo.
“A princípio nosso objetivo era que os atos de hoje fossem comemorativos, mas a conjuntura e os acontecimentos da semana não permitiram que tivessem estritamente esse caráter”, disse Borges. Flávio deixou o Brasil e chegou a Miami, nos Estados Unidos, na quarta-feira (28), depois de perder a eleição presidencial para Lula.
O senador publicou uma carta na qual se apresentou como “verdadeiro presidente eleito”. Depois, substituiu a expressão por “líder do Brasil”, mas preservou o teor do documento. A UNE decidiu colocar o episódio no centro dos atos, que inicialmente ocorreriam em nove estados e foram ampliados, com a inclusão do Maranhão.
Atos em São Paulo e no Rio reuniram críticas ao bolsonarismo
Em São Paulo, a concentração começou ao meio-dia na praça Roosevelt, com dezenas de pessoas. Além do chamado da UNE contra a atuação dos Estados Unidos no processo eleitoral, integrantes da Liga Anti-Imperialista Internacional defenderam reforma agrária e fizeram críticas ao latifúndio.
Ramon Pereira Machado, de 25 anos, afirmou que membros do grupo usavam máscaras sanitárias para proteger a própria identidade. Ele relatou casos de violência durante as eleições e disse que integrantes da organização perderam empregos após se posicionarem politicamente.