segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Pix de R$ 563 mil liga Paulo Guedes a empresa acusada de fraude


     Paulo Guedes durante participação no Flow Podcast. Foto: Reprodução

Um documento registra o pagamento de R$ 563,1 mil da ActivosX Onil OTC LTDA à PG&A Consulting LTDA, empresa que tem o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, sua mulher e sua filha no quadro societário, segundo a coluna de Tácio Lorran no Metrópoles. A transferência ocorreu por Pix em 7 de julho.

Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX e sócio-administrador da ActivosX Onil OTC, aparece como responsável pela empresa que enviou os recursos. A Polícia Federal apura a relação de Guedes com o grupo, acusado por investidores de não devolver valores aplicados em ativos digitais.

Guedes comandou a equipe econômica do governo de Jair Bolsonaro entre 2019 e 2022 e atuou como consultor da OnilX. A investigação analisa se sua participação ajudou a dar legitimidade às operações da empresa diante de potenciais investidores.

O ex-ministro participou de reuniões estratégicas, conversou reservadamente com interessados em investir e teve sua imagem usada em materiais de divulgação da companhia. A OnilX oferecia rendimentos de até 2,8% ao mês para aplicações relacionadas a criptomoedas e stablecoins.

Paulo Guedes em evento da OnilX. Foto: Reprodução

Investidores relatam dificuldades para recuperar aplicações

Clientes afirmam enfrentar obstáculos para resgatar o dinheiro investido. Em alguns processos, eles levantam suspeitas de pirâmide financeira, acusação que a OnilX nega.

Mensagens anexadas a uma ação judicial mostram uma assessora da empresa usando a ligação com Guedes para tentar convencer um potencial cliente. Ela afirmou que o ex-ministro “tá dentro da empresa” e disse que poderia marcar uma reunião para discutir estratégias com quem aplicasse entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões.

O grupo enfrenta questionamentos regulatórios e judiciais. Em janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários determinou a suspensão das ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários da OnilX; em abril, o colegiado manteve a ordem.

A autarquia esclareceu que a medida não atingia a simples intermediação de criptoativos como Bitcoin, Ethereum e USDT, desde que não envolvesse promessa de rendimento ou contrato de investimento. Entre 12 de junho e 10 de setembro, foram identificadas 108 ações judiciais contra empresas do grupo.

Em nota, a OnilX disse que Guedes prestou consultoria apenas sobre macroeconomia, geopolítica e conjuntura econômica. A empresa afirmou que ele deu esclarecimentos à Polícia Federal como testemunha, “e não investigado”, e declarou que mantém seus compromissos de pagamento com clientes.

Fonte: DCM com informações do Metrópoles via coluna de Tácio Lorran

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