segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Cristina Kirchner prevê derrota de Trump nos EUA e nova onda progressista na América Latina

 Ex-presidente argentina acredita que eleições legislativas americanas podem marcar o início de uma reação da esquerda e admite voltar a disputar a Presidência em 2027

A ex-presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner em uma sacada, no dia em que o Tribunal Federal de Apelações Criminais confirmou uma sentença de prisão por suposta corrupção na concessão de obras públicas durante sua presidência, em Buenos Aires, Argentina, em 13 de novembro de 2024 - Crédito: REUTERS/Matias Baglietto

A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner avalia que as eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), poderão representar um revés para o presidente Donald Trump e abrir caminho para o fortalecimento de movimentos progressistas em diferentes países, especialmente na América Latina. A dirigente peronista acredita que uma derrota dos aliados do republicano poderá sinalizar uma mudança no cenário político internacional, com possíveis reflexos na Argentina.

As declarações foram dadas em entrevista exclusiva ao jornal americano The Washington Post, publicada nesta segunda-feira (2). Kirchner afirmou que o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que definirão a composição da Câmara dos Representantes e parte do Senado, poderá indicar o início de uma reação política contra governos de direita.

“A história não se escreve em linha reta. Há avanços e retrocessos, mas o povo sempre volta”, declarou a ex-presidente, ao comentar as perspectivas de recuperação das forças progressistas que marcaram sua trajetória política.

Kirchner também apontou uma contradição na atuação internacional de Trump, que tem apoiado lideranças conservadoras e governos de direita na América Latina. Na avaliação da dirigente argentina, o presidente americano poderá enfrentar uma derrota eleitoral justamente em seu próprio país.

“Paradoxalmente, o homem que fez de tudo para ajudar governos de direita a vencerem na América Latina vai perder as eleições em seu próprio país”, afirmou.

A previsão da ex-presidente se refere ao desempenho eleitoral dos candidatos ligados a Trump, uma vez que o próprio presidente americano não disputa as eleições legislativas de meio de mandato. O pleito será decisivo para determinar o equilíbrio de forças no Congresso dos Estados Unidos e a capacidade do governo republicano de avançar com sua agenda política.


⦾ Kirchner acredita em desgaste de Milei e de governos de direita

Além de analisar a conjuntura americana, Cristina Kirchner projetou um possível enfraquecimento de lideranças conservadoras em outros países, incluindo o presidente argentino Javier Milei.

Segundo a ex-presidente, a insatisfação popular que favoreceu a ascensão de políticos identificados com discursos antissistema poderá se transformar em oposição a esses mesmos governantes caso suas promessas eleitorais não sejam cumpridas.

Kirchner avaliou que, quando Milei e outros líderes de direita “não cumprirem suas promessas”, a insatisfação que contribuiu para suas vitórias eleitorais “se voltará contra eles”.

A análise da dirigente peronista associa o futuro político dessas lideranças à capacidade de seus governos de corresponder às expectativas criadas durante as campanhas. Para ela, o descontentamento que impulsionou a direita também poderá favorecer uma reorganização das forças progressistas.

Nesse cenário, Kirchner considera que uma eventual derrota republicana nas eleições americanas poderá funcionar como um primeiro sinal de mudança no ambiente político internacional.

⦾ Ex-presidente admite disputar novamente a Presidência argentina em 2027

Outro ponto importante da entrevista foi a possibilidade de Cristina Kirchner voltar a concorrer à Presidência da Argentina nas eleições de 2027, quando Javier Milei poderá disputar um segundo mandato.

Aos 73 anos, a ex-presidente não descartou retornar à disputa eleitoral, mas condicionou essa possibilidade à recuperação de seus direitos políticos, atualmente afetados por sua condenação judicial.

“Quando eu recuperar meus direitos políticos, por que não?”, respondeu ao ser questionada sobre uma eventual candidatura presidencial.

Kirchner busca reverter sua situação jurídica por meio de uma ação apresentada ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). No procedimento, a ex-presidente sustenta que sua condenação ocorreu em um processo que desrespeitou garantias fundamentais e o direito ao devido processo legal.

A dirigente argentina foi condenada a seis anos de prisão em um processo relacionado a irregularidades na contratação de obras públicas na província de Santa Cruz. Ela nega as acusações e afirma que a ação judicial teve motivações políticas.

Atualmente, Kirchner cumpre prisão domiciliar em Buenos Aires. Apesar das restrições judiciais, continua exercendo influência sobre a oposição argentina e mantém participação nas articulações do peronismo.

⦾ Liderança peronista mantém influência na oposição argentina

Mesmo afastada das disputas eleitorais por sua condenação, Cristina Kirchner permanece como uma das principais referências políticas do peronismo argentino.

A ex-presidente continua à frente do Partido Justicialista, organização fundada há oito décadas por Juan Domingo Perón e Eva Perón, e participa da liderança da Fuerza Patria, principal bloco de oposição no Congresso argentino.

Sua permanência nessas posições demonstra a importância que ainda exerce sobre o campo político que governou a Argentina em diferentes períodos e que atualmente busca construir uma alternativa ao governo Milei.

A possibilidade de uma candidatura em 2027, embora dependa de mudanças em sua situação judicial, mantém aberta a discussão sobre o papel de Kirchner na reorganização da oposição.

A entrevista também evidencia a atenção da dirigente argentina à política internacional. Ao relacionar as eleições legislativas americanas ao futuro dos governos latino-americanos, Kirchner apresenta a hipótese de que uma mudança no equilíbrio político dos Estados Unidos possa estimular forças progressistas em outros países.

Fonte: Brasil 247

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