segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Gleisi critica mercado financeiro e acusa agentes de defenderem “estelionato eleitoral”

 Deputada afirma que reação à possibilidade de Lula conversar com André Lara Resende revela resistência do setor aos compromissos assumidos pelo presidente na campanha

              Gleisi Hoffmann - Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

 A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) criticou duramente o mercado financeiro, acusando integrantes do setor de terem apoiado a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e de pressionarem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a abandonar compromissos assumidos durante a campanha eleitoral. A manifestação ocorreu em meio à repercussão da possibilidade de Lula receber o economista André Lara Resende para uma conversa sobre questões econômicas.

Em publicação na rede social X, Gleisi associou a reação de agentes financeiros à preferência política pelo bolsonarismo e questionou a resistência à possibilidade de o presidente dialogar com economistas que apresentam propostas diferentes das defendidas por setores do mercado. A parlamentar também afirmou que Lula não cometerá o que classificou como “estelionato eleitoral”, referindo-se à eventual adoção de medidas contrárias às promessas feitas aos eleitores.

“Esse mercado financeiro tem o DNA do autoritarismo. Não causa estranheza que estiveram torcendo e apoiando Flávio Bolsonaro para presidente. Um de seus analistas chegou a garantir, alegremente, que o candidato ganharia e daria um estelionato eleitoral”, escreveu.


Segundo Gleisi, a simples possibilidade de uma reunião entre Lula e André Lara Resende teria provocado inquietação entre representantes do setor financeiro. Ela ressaltou, entretanto, que integrantes do governo já negaram a existência de planos para o encontro e defendeu o direito do presidente de ouvir diferentes opiniões sobre a economia.

“Isso explica o nervosismo, apreensão, pânico, seja lá o que for, de seus agentes, pela simples notícia de que o presidente poderia receber o economista André Lara Resende pra uma conversa. Membros do governo já disseram que não tem nada disso. E se tivesse, qual é o problema? Conversar sobre um tema ou uma proposta não significa encampá-la”, afirmou.

⊚ Gleisi defende compromissos eleitorais de Lula

A deputada argumentou que o resultado da eleição presidencial representa um compromisso político com as propostas apresentadas por Lula durante a campanha. Na avaliação dela, o presidente não deve abandonar suas promessas para atender às expectativas de agentes financeiros que apoiaram seu adversário.

“Presidente Lula ganhou a eleição denunciando o tesouraço de Flávio Bolsonaro. Ontem em um vídeo deixou claro que não cometerá estelionato eleitoral. O que quer o mercado financeiro? Que ele renegue o que prometeu?”, questionou.

A manifestação coloca no centro do debate a relação entre a política econômica do governo e os compromissos assumidos com os eleitores. Gleisi sustenta que uma mudança de orientação que contrarie essas promessas representaria uma ruptura com o programa defendido pelo presidente na disputa eleitoral.

A parlamentar também argumentou que ouvir propostas não significa necessariamente adotá-las, destacando o diálogo como parte do funcionamento democrático das instituições.

“Conversar, ouvir, é o básico da democracia, que defendemos e foi vitoriosa nas urnas”, declarou.

⊚ Deputada destaca resultados econômicos dos governos Lula

Para rebater a avaliação de que Lula teria uma postura fiscalmente irresponsável, Gleisi mencionou indicadores econômicos dos mandatos anteriores do presidente. Entre os resultados citados estão a obtenção de superávits primários, o controle da inflação, a quitação da dívida brasileira com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a acumulação de reservas internacionais.

“O presidente Lula sempre foi responsável fiscalmente, é só olhar para seus governos. É o presidente que mais fez superávit primário, que mais cuidou das contas públicas, manteve a inflação controlada, pagou a dívida com o FMI, contraída no governo FHC e acumulou cerca de US$ 290 bilhões de reservas”, afirmou.

Na avaliação da deputada, esse histórico demonstra que a defesa dos compromissos sociais e econômicos assumidos por Lula não é incompatível com a responsabilidade na administração das contas públicas.

Gleisi também estabeleceu uma comparação com o governo de Jair Bolsonaro, questionando o tratamento dispensado pelo mercado financeiro aos dois presidentes.

“Não precisa provar ou se explicar pro mercado financeiro. Que vejam os déficits acumulados de Bolsonaro. Mesmo assim, esse mercado prefere um Bolsonaro e trata o presidente Lula como gastador irresponsável”, criticou.

As declarações expressam a avaliação política da parlamentar sobre a condução econômica dos diferentes governos e a postura dos agentes financeiros diante de suas respectivas políticas fiscais.

⊚ Gleisi faz acusações contra setores do mercado financeiro

Em outro trecho da publicação, a deputada ampliou suas críticas ao mencionar investigações sobre vínculos entre atividades financeiras e organizações criminosas, além de operações especulativas e apostas relacionadas à eleição presidencial.

Gleisi citou o Primeiro Comando da Capital (PCC), a atuação de órgãos de investigação e o mercado de apostas Polymarket para questionar o comportamento de determinados segmentos financeiros.

“Sabemos que nesse mercado financeiro há de um tudo: tem a ala associada ao PCC, que a PF, a Receita Federal e o Gaeco de SP estão combatendo, tem a turma das apostas no Polymarket e da especulação e das apostas tipo rouba-monte que levaram a perdas de bilhões na segunda após a eleição. E tem gente menos aventureira. Mas praticamente todos são bolsonaristas de carteirinha”, escreveu.

A publicação não identifica nominalmente os agentes financeiros mencionados nem apresenta dados que permitam dimensionar o apoio político ao bolsonarismo entre os integrantes do setor. As acusações e generalizações sobre suas preferências eleitorais são de responsabilidade da deputada.

Ao mencionar a Faria Lima, região de São Paulo que concentra importantes instituições financeiras, Gleisi defendeu que Lula mantenha interlocução com economistas e especialistas que não estejam necessariamente alinhados às posições predominantes nesse ambiente.

“Então, parece normal que o presidente Lula chame para conversar gente que não está tão comprometida com essa Faria Lima. Até porque, conversar e procurar entender todos os problemas é uma virtude do presidente”, declarou.

⊚ Possível encontro com André Lara Resende motivou reação

O debate teve origem na notícia de que Lula poderia conversar com André Lara Resende, economista que participou da elaboração do Plano Real e que, ao longo dos últimos anos, tem apresentado reflexões sobre política monetária, financiamento do Estado e funcionamento da economia brasileira.

A possibilidade de um encontro ganhou dimensão política diante das divergências existentes sobre os rumos da política econômica. No entanto, conforme ressaltou Gleisi, integrantes do governo já negaram que houvesse planos para a reunião.

A deputada argumentou que o presidente deve ter liberdade para ouvir diferentes interpretações e propostas, sem que uma conversa seja automaticamente interpretada como sinal de mudança na condução econômica do governo.

“Isso não quer dizer que ele pretenda adotar as propostas. Mas é incrível que esses adversários não tenham entendido ainda que Lula não fará o estelionato eleitoral que defendem, alguns em voz alta e com todas as letras”, concluiu.

Fonte: Brasil 247

Nenhum comentário:

Postar um comentário