sábado, 31 de outubro de 2026

Segundo turno mobilizou 1,4 milhão de eleitores acima de 70 anos, aponta levantamento

 Participação de idosos cresceu 8% entre os dois turnos, mas foram os eleitores mais jovens que mais contribuíram para a virada de Lula

Eleitores idosos ampliaram participação no segundo turno da eleição presidencial de 2026, contribuindo para a redução da abstenção - Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

A eleição presidencial de 2026 registrou um aumento expressivo da participação de brasileiros com mais de 70 anos no segundo turno, realizado no último domingo (25). Aproximadamente 1,4 milhão de eleitores dessa faixa etária compareceram às urnas a mais do que na primeira etapa da votação, apesar de o voto ser facultativo para esse grupo. O crescimento do comparecimento entre os idosos chegou a 8%, evidenciando uma mobilização significativa na disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro.

Os números foram levantados pela Sólon, plataforma especializada em dados políticos, e divulgados pela coluna de Ancelmo Gois, do jornal O Globo. Segundo a análise, quase 3 milhões de brasileiros a mais participaram do segundo turno em comparação com o primeiro. Desse contingente adicional, aproximadamente 1,4 milhão tinha mais de 70 anos, demonstrando o peso da mobilização dos eleitores mais velhos na redução da abstenção.

Embora o crescimento da participação dos idosos tenha chamado a atenção, os dados indicam que esse segmento não foi o principal responsável pela vitória de Lula. A distribuição dos votos entre os brasileiros acima de 70 anos ficou praticamente equilibrada entre o presidente e seu adversário, Flávio Bolsonaro. O avanço eleitoral mais expressivo do petista ocorreu nas seções com maior presença de eleitores jovens.

⊛ Eleitores jovens tiveram papel decisivo na virada de Lula

A análise da Sólon identificou que as seções eleitorais mais jovens foram aquelas que apresentaram os movimentos mais favoráveis a Lula entre os dois turnos. Esse comportamento foi observado em 25 das 27 unidades da Federação, indicando que o crescimento do apoio ao presidente entre os eleitores de menor idade teve abrangência nacional.


O resultado contrasta com a percepção de que a mobilização dos idosos teria sido determinante para definir a disputa presidencial. Apesar do aumento expressivo do comparecimento entre os mais velhos, a divisão praticamente equilibrada dos votos desse grupo entre os dois candidatos limitou sua contribuição para a diferença final em favor do petista.

Segundo os dados divulgados pela coluna, o grupo identificado como 70+ representa 24% do eleitorado considerado no levantamento e respondeu por aproximadamente 18% do crescimento de Lula entre os dois turnos. Os números reforçam a importância de distinguir o aumento da participação eleitoral da transferência efetiva de votos para determinado candidato.

⊛ Participação dos idosos contribuiu para reduzir a abstenção

A presença adicional de quase 3 milhões de eleitores no segundo turno representa um dos aspectos relevantes da eleição presidencial de 2026. O crescimento do comparecimento dos brasileiros acima de 70 anos teve destaque especial porque, diferentemente do que ocorre com a maior parte do eleitorado adulto, essas pessoas não são obrigadas a votar.

A legislação eleitoral brasileira estabelece o voto facultativo para cidadãos com mais de 70 anos, assim como para jovens de 16 e 17 anos e pessoas analfabetas. Dessa forma, o aumento de 8% no comparecimento dos idosos entre os dois turnos ocorreu em um segmento que poderia deixar de participar da votação sem sofrer as consequências previstas para quem está sujeito ao voto obrigatório.

O levantamento também permite observar duas dinâmicas distintas da eleição: enquanto os idosos contribuíram de maneira expressiva para ampliar o comparecimento geral, os eleitores mais jovens apresentaram uma movimentação eleitoral proporcionalmente mais favorável a Lula.

⊛ Dados revelam diferenças no comportamento do eleitorado

A análise das seções eleitorais mostra que a ampliação da participação dos brasileiros não se traduziu de maneira uniforme em apoio aos candidatos. O crescimento do comparecimento entre os idosos beneficiou a participação democrática, mas não produziu uma vantagem eleitoral equivalente para nenhum dos dois concorrentes.

Já nas seções com perfil etário mais jovem, a mudança na distribuição dos votos foi mais favorável ao presidente. A ocorrência desse movimento em 25 unidades da Federação aponta para uma tendência territorialmente disseminada, embora os dados apresentados não permitam estabelecer, individualmente, como cada eleitor mudou seu voto entre os turnos.

O estudo da Sólon acrescenta, assim, uma dimensão importante à análise do resultado presidencial: a vitória de Lula esteve associada a movimentos diferentes entre os grupos etários, com destaque para o avanço nas seções mais jovens e para a mobilização adicional de idosos que optaram por participar da decisão, mesmo sem obrigação legal.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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